RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Metade dos pacientes com dor neuropática são refratários aos tratamentos. A estimulação elétrica do córtex insular (EECI) posterior modula circuitos sensoriais e nociceptivos. Assim, este estudo avaliou os efeitos de uma faixa de frequências de EECI como tratamento em modelo animal de dor neuropática.
MÉTODOS: Ratos machos, Sprague Dawley, 280-340 g, submetidos a cirurgia para indução de constrição crônica (ICC) do nervo isquiático direito, foram avaliados em relação à sensibilidade mecânica com a utilização do teste de pressão de pata e de flamentos de von Frey, e sensibilidade térmica usando o teste de placa quente. Os ratos foram submetidos a EECI de 10, 60 ou 100 Hz (uma, cinco ou sete EECI, 15 min, 210 µs, 1V), aplicada ao córtex insular posterior esquerdo, e avaliados nos testes antes e após EECI, ou em follow up de 48, 72 e 168 horas. Por meio do teste de campo aberto, avaliou-se a atividade geral após a EECI5. O envolvimento de receptores opioides e canabinoides foi avaliado por meio da administração de naloxona e SR141716A - antagonista e agonista/antagonista inverso dos receptores, respectivamente - após a EECI 5, enquanto a ativação de astrócitos - marcada por proteína ácida fibrilar glial (GFAP), e de micróglia - marcada por IBA-1 - na medula espinal foi avaliada por imuno-histoquímica.
RESULTADOS: Os dados mostraram que EECI em 10, 60 e 100 Hz modulam a sensibilidade mecânica e térmica dos animais. A EECI 5 aumentou a imunorreatividade de GFAP na medula espinhal, sem alterar IBA-1 (marcador glial). Naloxona e SR141716A reverteram a antinocicepção produzida por EECI 5 de 60 Hz. EECI 7 de 60 Hz induziu antinocicepção por até 72 horas.
CONCLUSÃO: A EECI 60 Hz produz antinocicepção dependente de opioides e canabinoides e regula a glia.
DESTAQUES
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A EECI de 60 Hz foi o melhor protocolo analgésico para nossa estimulação insular.
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Os dados mostram um efeito analgésico prolongado de até 72h após repetidas EECI.
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A EECI regula a ativação da glia no sistema modulatório da dor.
Descritores:
Dor crônica; Estimulação elétrica; Neuroglia
ABSTRACT
BACKGROUND AND OBJECTIVES: Half of neuropathic pain patients still end up failing clinical treatments. Electrical stimulation of the posterior insular cortex (ESI) modulates sensory and nociceptive circuits. This study evaluated the effects of a range of frequencies of ESI proposed to improve neuropathic pain.
METHODS: Male Sprague Dawley rats, 280-340 g, submitted to the chronic constriction of the right sciatic nerve were tested for mechanical sensitivity using the paw pressure and von Frey flaments tests, and for thermal sensitivity using the hot plate test. The rats were submitted to ESI 10, 60 or 100 Hz (one, five or seven ESI, 15 min, 210 µs, 1V), applied to the posterior insular cortex, and were evaluated in the tests before and after ESI, or in follow-up of 48, 72 and 168h. The open field evaluated general activity after ESI 5. The involvment of opioid and cannabinoid testes were evaluated through treatment with naloxone and SR1416A - antagonist and inverse agonist/antagonist of the receptors, respectively, after ESI 5, while activation of astrocytes, marked by glial fibrillary acid protein (GFAP), and of microglia, marked by IBA-1 (glial marker), in the spinal cord evaluated by immunohistochemistry.
RESULTS: Data demonstrate that 10, 60, and 100 Hz ESIs modulate mechanical and thermal sensitivity. ESI 5 increased immunoreactivity of GFAP in the spinal cord, without altering IBA-1 (glial marker). Naloxone and SR141716A reversed the antinociception of 60 Hz ESI 5. 60 Hz ESI 7 induced antinociception up to 72h.
CONCLUSION: 60 Hz ESI induces opioid and cannabinoid-dependent antinociception and regulates glia.
HIGHLIGHTS
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60 Hz-delivered ESI was the best analgesic protocol for the insular stimulation.
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Data showed a prolonged analgesic effect up to 72h after repetitive ESI.
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ESI regulates glia activation in pain modulatory system.
Keywords:
Chronic pain; Electric stimulation; Neuroglia
INTRODUÇÃO
O córtex insular é um centro de matriz da dor1 composto de subdivisões anteriores e posteriores que modulam tanto os aspectos sensoriais quanto emocionais da dor2. Embora eficazes, os tratamentos farmacológicos muitas vezes não aliviam completamente os sintomas de dor em condições neuropáticas crônicas. Além disso, alguns desses tratamentos levam a eventos adversos e descontinuação do tratamento3,4. Diferentes modalidades de estimulação elétrica invasiva e não invasiva visando a ínsula foram propostas, exercendo efeitos analgésicos ao infuenciar funcionalmente tanto o córtex insular quanto as vias associadas5,6. Estudos anteriores7,8 descreveram protocolos usando estimulação elétrica simples ou repetida de 60 Hz no córtex insular (EECI) para induzir antinocicepção em ratos de laboratório com dor neuropática.
Projeções desde o córtex insular até as regiões ventrolateral e dorsolateral da substância cinzenta periaquedutal (PAG) e as lâminas da medula espinhal relacionadas à dor9,10 foram propostas para modular a entrada nociceptiva. No corno dorsal, a sinalização opioidérgica e canabinoidérgica promove a antinocicepção11. Mudanças neuroplásicas nesta região têm sido relatadas em estados de dor crônica, nos quais processos gliais de astrócitos e icróglia contribuem para o desenvolvimento e a cronificação de eventos patológicos de dor12,13. A ativação glial de astrócitos (ou seja, astrogliose reativa) e as respostas microgliais na via descendente da dor são consideradas um mecanismo precoce associado com a manutenção da dor neuropática crônica14, 15, 16, 17.
A partir das referências citadas, a presente pesquisa levantou a hipótese de que diversos protocolos de EECI baseados em uma gama de frequências de estimulação – desde baixa frequência, 10 Hz; até alta frequência, 60 Hz e 100 Hz – resultam em diferentes eficiências no controle dos sintomas da dor neuropática, bem como são capazes de infuenciar aspectos de suprema importância da sinalização modulatória da dor endógena e da ativação glial, que podem constituir poderosos alvos regulatórios para melhorar a eficácia da neuroestimulação e do tratamento da dor crônica do paciente. Isso é de importância substancial devido ao grande número de pacientes com dor crônica neuropática, enquanto nenhum tratamento atualmente disponível atinge 100% de eficácia total na produção de analgesia. O estudo utilizou a constrição crônica do nervo ciático (CCI), um modelo padrão na literatura para induzir dor neuropática, para avaliar os efeitos antinociceptivos mecânicos e térmicos de diferentes frequências de EECI repetidas e sua duração a longo prazo. Também foi investigado o envolvimento de receptores opioides e canabinoides tipo 1, além de seus efeitos sobre astrocíticos e na ativação de icróglia na medula espinhal de ratos com dor neuropática.
MÉTODOS
Foram utilizados ratos Sprague Dawley machos (280-340 g) obtidos no Centro de Produção de Ratos (Instituto de Ciências Biomédicas - Rede de Biotérios da Universidade de São Paulo). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da Universidade de São Paulo (CEUA Nº 5874130618; Nº 3447131117) e seguiu as diretrizes do Comitê Institucional de Cuidados e Uso de Animais. Todos os protocolos foram conduzidos às cegas pelo mesmo pesquisador, com animais distribuídos aleatoriamente em grupos. Neste estudo, os ratos machos foram escolhidos como modelo animal principal devido ao uso frequente na literatura de neuromodulação, permitindo a reprodutibilidade de protocolos que suportaram a hipótese. Além disso, o uso de ratos machos pretendeu padronizar o melhor protocolo de tratamento de EECI baseado em frequências que resultaram em analgesia, excluindo diferenças nas respostas de dor que poderiam ser observadas de acordo com o ciclo estral do rato fêmea18. Este trabalho foi elaborado de acordo com as diretrizes ARRIVE19.
Projeto do experimento
Os animais foram habituados aos aparelhos (exceto para o campo aberto) um dia antes dos experimentos, para reduzir o estresse20. As medições de base foram avaliadas antes de qualquer manipulação de animais. A sensibilidade mecânica foi medida usando os testes de pressão da pata e flamentos von Frey, e a sensibilidade térmica foi medida usando o teste de placa quente. Os animais foram submetidos à CCI na pata traseira direita. Sete dias depois, um eletrodo foi implantado na ínsula, como está melhor descrito na seção “Implantação de eletrodo e estimulação elétrica do córtex insular (EECI)” abaixo8.
Catorze dias após a CCI, os animais foram submetidos a uma única estimulação elétrica do córtex insular (EECI 1) ou a EECI repetida 5 vezes (EECI 5), realizadas com 10, 60 ou 100 Hz. Grupos de animais: (A) EECI 10 Hz (n = 8), (B) EECI 60 Hz (n = 8), (C) EECI 100 Hz (n = 5); e Sham (n = 4 a 5). O EECI 60 Hz (n=7) também foi dado por 7 dias (EECI 7). Foram realizadas avaliações comportamentais antes de qualquer manipulação (linha de base), antes (Pré) e depois (Pós) da EECI.
Naloxona ou SR141716A (grupos de animais: EECI+Sal n= 6; EECI+NLX n= 5; EECI+DMSO n= 4; EECI+ SR141716 n= 4) foram administrados antes da EECI 5 e os animais foram reavaliados no teste de pressão da pata 30 e 40 minutos depois, respectivamente. Para estudar a antinocepção de longa duração, os animais foram avaliados 48, 72 e 168 horas após a EECI 7 (Figura 1). Amostras fxas da medula espinhal foram coletadas após a EECI 5 para analisar a ativação de astrócitos marcada pela proteína ácida fibrilar glial (GFAP) e a ativação microglial marcada pela IBA-1, usando ensaios de imuno-histoquímica. Os pesquisadores que realizaram todos os experimentos e cirurgias não tinham acesso ao valor da frequência de estimulação.
A figura 1 ilustra, em dias e em horas, após a EECI 7, a avaliação do comportamento, cirurgia CCI, implante de eletrodos, dias de estimulação com EECI e acompanhamento do comportamento de dor a partir do protocolo aplicado neste trabalho. Setas pretas: Estimulação com EECI; setas cinza escuro: avaliação do comportamento da sensibilidade térmica e/ou mecânica e/ou atividade geral; setas cinza claro: tratamento farmacológico com naloxona ou SR141716; setas brancas: coleta de amostras fixas.
Lesão por constrição crônica (CCI)
As operações CCI foram realizadas de acordo com os autores21. Com aplicação de 2,5% de isofurano (IsoforineTM, Cristália, São Paulo, S P, Brasil), quatro ligaduras foram amarradas frouxamente ao redor do nervo ciático direito com catgut cromado 5,0 (EthiconTM, Raritan, New Jersey, EUA). A incisão foi suturada com fo de seda 4.0 e os animais foram monitorados durante a recuperação pós-cirúrgica.
Implantação de eletrodos e estimulação elétrica do córtex insular (EECI)
Um eletrodo concêntrico (D039035408 Spes MedicaTM, Genova, GE, Itália) foi implantado na ínsula agranular posterior esquerda, como descrito anteriormente8. Os ratos receberam pré-anestesia com acepromazina (2,75 mg/kg, Acepram™, Vetnil, Louveira, S P, Brasil) por via intraperitoneal, e anestesia com cloridrato de cetamina (82 mg/kg, DopalenTM, Paulínia, S P, Brasil, Sespo) via intraperitoneal, cloridrato de xilazina (7,5 mg/kg, Anasedan™, Paulínia, S P, Brasil, Sespo) via intraperitoneal e anestesia local (3% cloridrato de mepivacaína, 100 µL/animal MEPISV™, DFL, Taquara, RJ, Brazil).
O eletrodo foi colocado com -1,0 AP; +5,8 ML; -7,1 DV. As coordenadas de posicionamento do eletrodo foram as mesmas descritas anteriormente pelos autores7. Os ratos Sprague-Dawley foram baseados nas coordenadas do Atlas Cérebro de Ratos22. Como foi assumido que podem existir algumas variações mínimas entre as cirurgias, a colocação do eletrodo foi continuamente verificada através da seleção aleatória de animais implantados para analisar as partes com colocação do eletrodo.
O posicionamento no córtex insular foi observado em seções histológicas e verificado com uma lupa de microscópio estereoscópico (DI 724, DIGILAB) e as coordenadas foram comparadas, quanto ao posicionamento do bregma, com as coordenadas do Atlas Cerebral de Ratos22, com base em dados já publicados7. O grupo desta pesquisa utilizou, ainda, seções histológicas do córtex insular posterior esquerdo submetidas à coloração Nissl para confirmar o posicionamento do eletrodo em comparação com as coordenadas do Atlas.
Os animais receberam trihidrato de amoxicilina (100 mg/kg subcutâneo, Agemoxi L.A., Agener União™, São Paulo, S P, Brasil) e foram monitorados por 7 dias. A EECI foi realizada em animais acordados, em movimento livre, com o Estimulador de Teste MedtronicTM Modelo 3625 (Dublim, Irlanda), através de cabos de conexão adaptados (10000NNHF3 Spes MedicaTM, Genova, GE, Itália)7,8, de acordo com os seguintes parâmetros: uma, cinco ou sete sessões de EECI,15 minutos por sessão, com 10, 60 ou 100 Hz, 210 µs, 1 V. Os animais do grupo Sham tiveram eletrodos implantados mas não foram estimulados. Avaliações comportamentais foram realizadas logo após o término dos 15 minutos e com os animais ainda sob estimulação (Figura 1).
Avaliações comportamentais
Teste de pressão da pata
O teste foi realizado como descrito por Randall e Selitto (1957). Uma força com magnitude crescente (16 g/s) foi aplicada à pata traseira direita com um aparelho de pressão (InsightTM, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil). A sensibilidade mecânica foi avaliada como a força necessária para induzir uma resposta de retirada.
Filamentos von Frey
Os animais foram colocados individualmente em pequenas caixas de acrílico com piso de malha e habituados ao teste no dia anterior à análise. A hipersensibilidade mecânica das punções foi avaliada pelos monofilamentos von Frey (Touch-TestTM Sensory Evaluators, North Coast Medical, Morgan Hill, CA, EUA), de acordo com o método descrito pelo autor23,24. Nove monoflamentos de fexão com diferentes calibres (3,22, 3,61, 3,84, 4,08, 4,31, 4,56, 4,93, 5,18, 5,46) foram aplicados perpendicularmente à superfície plantar média da pata posterior direita. A retirada da pata, lambendo ou tremendo, foi considerada uma resposta positiva. O limite de 50% foi calculado usando a fórmula: 50% (g) = 10 [xf + K.δ], na qual xf é o calibre do flamento testado, K é o valor padrão para a sequência de seis respostas comportamentais, e δ é a medida das diferenças (em log) dos flamentos utilizados (0,28 para a sequência utilizada)23.
Teste de placa quente
Para avaliar a sensibilidade térmica, foi utilizada uma placa metálica aquecida a uma temperatura constante (51,5 º C). A latência em segundos foi observada para uma resposta positiva, incluindo a retirada da pata, pulando, sacudindo ou lambendo a pata traseira. Foi usado um limite de exposição de 15 segundos para evitar lesões no tecido pela alta temperatura24.
Teste de campo aberto
Para avaliar e confirmar ausência de efeito da EECI sobre a atividade geral após sessões de estimulação, os ratos foram colocados por três minutos em uma arena circular (95 cm de diâmetro x 45 cm de altura, com o piso dividido em quadrantes) e avaliados para locomoção (número total de entradas de quadrantes) e elevação (número total de posições bípedes). O teste foi realizado uma vez após a EECI 5.
Tratamentos farmacológicos
Naloxona (naloxone hydrochloride, cod:0599 Tocris BioscienceTM, Bristol, Inglaterra, 2 mg/kg i.p. em solução fisiológica a 0,9%), um antagonista dos receptores opioides não específico, foi administrado 30 minutos antes do teste de pressão da pata. SR141716A (cloridrato de rimonabant/SR141716A, cod:0923 Tocris BioscienceTM, Bristol, Inglaterra, 1 mg/kg i.p. em DMSO 80%), um agonista inverso/antagonista seletivo de receptores canabinoides tipo 1 foi administrado 40 minutos antes do teste 7. Os animais foram submetidos ao tratamento farmacológico e avaliação de comportamento após a EECI 5. A administração de fármacos foi realizada às cegas pelo pesquisador principal, que realizou os testes de comportamento, e os animais foram distribuídos aleatoriamente nos grupos.
Ensaios imuno-histoquímicos para GFAP e Iba-1 na medula espinhal
As amostras fxas da medula espinhal foram coletadas após perfusão transcardíaca (0,9% por 0,1 M PB mais formaldeído 4%) e cortadas em um micrótomo de congelamento (30 µm). As seções foram processadas como imuno-histoquímica livre futuante: a) 3 lavagens de 10 minutos em 0,1 M PB; b) incubação noturna a 4º C sob agitação com GFAP (1:500; clone GA5 MAB360; MilliporeTM, Burlington, Massachusetts, EUA) ou Anti-Iba1/AIF-1 (1:500 MABN92, MilliporeTM, Burlington, Massachusetts, EUA); c) 3 lavagens de 10 minutos em 0.1M PB; d) incubado durante 2 horas à temperatura ambiente com anticorpo biotinilado cabra anti IgG de rato (1:200 Jackson Immuno Research Laboratories, INC.TM, Bar Harbor, Maine, EUA,); e) incubação por 2 horas à temperatura ambiente com kit avidina-biotina (1:100) e 0,05% diaminobenzidina-0,01% peróxido de hidrogênio (Jackson Immuno Research Laboratories, INC.™, Bar Harbor, Maine, EUA), montagem em lâminas de vidro gelatinizado utilizando um meio de montagem à base de glicerol, desidratação com soluções de etanol e xileno graduados, e tampa deslizante com solução Permount (Fisher ScientificTM, Hampton, Nova Hampshire, EUA). Três fatias da medula espinhal de cada animal de cada grupo (n por grupo= 4-5) foram coletadas com um microscópio óptico (Aristoplan, LeitzTM, Stuttgart, Alemanha) com ampliação final de 200x. Imagens da medula espinhal foram comparadas com figuras da medula espinhal do Cérebro de Rato em Coordenadas Estereotáxicas23 para delinear a área do corno dorsal dos segmentos lombares L4-L6, onde o nervo ciático está inserido na medula espinhal. A quantificação da imunorreatividade GFAP foi realizada utilizando uma quantificação baseada em limiares no software Image J, na qual o software identifica, dentro de uma área escolhida, pixels com um determinado valor limiar definido de acordo com sua coloração. Este valor é aplicado em todas as imagens e a densidade óptica é obtida para cada medida.
Análise estatística
Os dados são apresentados como média ± erro padrão da média (E.P.M.). O intervalo de confança foi de 95% (IC 95%). O software GraphPad Prism versão 8 (GraphPad Software Inc.™, San Diego, CA, EUA) foi utilizado para análises estatísticas. A normalidade foi avaliada pelo teste Shapiro-Wilk. Os dados paramétricos obtidos de medidas comportamentais, incluindo a pressão da pata, testes de placa quente e flamentos de von Frey, foram analisados por Análise de Variância (ANOVA) de duas vias repetida, enquanto o acompanhamento dos testes de pressão da pata e de campo aberto foi analisado por ANOVA de uma via, e a ANOVA comum de duas vias foi usada para análises de imuno-histoquímica, seguida pelo teste post-hoc de Bonferroni. O valor de p<0,05 foi considerado significativo. A menos que especificado de outra forma, os valores de F no texto estão relacionados a interações tratamento x tempo.
RESULTADOS
EECI repetidas com diferentes frequências interferem na sensibilidade mecânica
Os animais desenvolveram hipersensibilidade mecânica (ou seja, diminuição do limiar mecânico ou 50% do limiar, respectivamente) avaliada pelos testes de pressão da pata (Figura 2) e flamentos von Frey (Figura 2) 14 dias após a CCI. As EECI 1 e EECI 5 induziram a antinocicepção (ou seja, aumento no limiar mecânico) somente quando estimulados pelo uso de 60 e 100 Hz (Figura 2, B e C) em comparação ao grupo de controle, que manteve um limiar mecânico baixo (EECI 60 Hz e Sham, n=5 a 7, F (4,40) = 60. 51, p<0,0001; Sham após EECI 5, 24,2±1,46; EECI: 92,1±2,88; 95% IC= -78,56 a -57,32); (EECI 100 Hz e Sham, n=4 a 5, F (4,16) = 284,4, p<0,0001; Sham após EECI 5, 30,75±2,13; EECI: 74,6± 2,56; 95% IC = -53,27 a -34,43).
A estimulação de 10 Hz induziu antinocicepção após a EECI 5 quando comparada ao tratamento Sham, (Figura 2, A) (EECI 10 Hz e Sham, n=5 a 8, F (4,44) = 1,41, p=0,246; Sham após a EECI 5, 24,2± 14,6; EECI: 37,37± 2,07; 95% IC = -23,73 a -2,621). Resultados similares foram observados para hipersensibilidade de punção, como foi revelado pelos testes de flamentos de von Frey (Figura 2, D-F) (EECI 10 Hz e Sham, n=4 a 5, F (4,28) = 17,81, p<0,0001; Sham após a EECI 5, 2,19±0,24; EECI: 10,74±1,08; 95% IC = -12,02 a -5,095); (EECI 60 Hz e Sham n=4 a 5, F (4,28) = 28,83, p<0,0001; Sham após a EECI 5, 2,13± 0,23; EECI: 13,28±0,94; 95% IC = -5,443 a -1. 750); (EECI 100 Hz e Sham, n=4, F (4,24) = 17,76, p<0,0001; Sham após a EECI 5, 2,19± 0,24; EECI: 12,94± 1,16; 95% IC= -3,879 a 0,6244).
A EECI de 60 Hz, mas não as de 10 e 100 Hz, aumenta a sensibilidade térmica dos ratos induzidos pela CCI sem mudanças na atividade geral dos animais
Os resultados obtidos demonstram que a EECI 60 Hz induziu o aumento da latência térmica, tanto após uma EECI quanto após cinco EECI, em ratos CCI (EECI 60 Hz e Sham, n=4, F (4,12) = 17,08, p<0,0001; Sham após EECI 5, 2,15± 0,05; EECI: 5,65± 0,218; 95% IC= -4,641 a -2,359), enquanto 10 Hz (EECI 10 Hz e Sham, n=4 e 5, F (4,35) = 0,971, p=0,435; EECI: 3,24± 0. 294; 95% IC= -2,275 a 0,09453) e EECI 100 Hz (EECI 100 Hz e Sham, n=4, F (4,12) = 2,47, p=0,1; Pós EECI 5, EECI: 3,25± 0. 338; 95% IC=-2.368 a 0.1683) não afetaram a hipersensibilidade térmica no teste de placas quentes (Figura 3, A-C), em comparação com os animais do grupo Sham, que mantiveram a hipersensibilidade térmica (ou seja, baixa latência de resposta) observada após a CCI. A locomoção e a elevação avaliadas pelo teste de campo aberto não mudou após EECIs de 10, 60 e 100 Hz (Figura 3, D-E) (Elevação: EECI 60 Hz e Sham, n=4, F (3,12) = 1,297, p=0,3294; 95% IC= -7,456 a 3,456); (Locomoção: EECI 60 Hz e Sham, n=4, F (3,8) = 5,405, p=0,025; 95% IC= -37,95 a 5,285).
Efeito da EECI repetida com 10, 60 e 100 Hz sobre a hipersensibilidade térmica e a atividade geral.
O aumento do limiar mecânico induzido por EECI repetida de 60 Hz é revertido por antagonistas opioidérgicos e canabinoidérgicos
O Naloxone inverteu o aumento do limiar mecânico após a EECI 5 (EECI 60 Hz: n=7; F [4,44]=4,853, p=0,0025; Pré EECI 5: 42,571± 4,628; Pós EECI 5: 28,142± 3,595; EECI 60 Hz+Sal: n=6; Pré EECI 5= 44,5± 3,584; Pós EECI 5: 53,833± 7,773; Figura 4, A; 95% IC= -42,17 a -9,214). Similarmente, o SR141716 reverteu os efeitos do EECI 5 (EECI 60 Hz: n=4; F [4,24] =7,292, p=0,0003; Pré EECI 5: 52,5± 3,883; Pós EECI 5: 35,75± 3,172; EECI 60 Hz+DMSO: n=4; Pré EECI 5: 58,5± 7,643; Pós EECI 5: 74±7,047; Figura 4, B; 95% IC= -56,62 a -19,88).
A EECI de 60 Hz repetida aumentou a imunorreatividade da GFAP, mas não da IBA-1, na medula espinhal
A análise qualitativa das imagens imuno-histoquímicas sugere um aumento do GFAP-IR no corno dorsal após EECI de 60 Hz (DHSC: EECI; Figura 5, E e F vs SHAM; Figura 5, C e D), e nenhuma alteração no IBA-1 IR (DHSC: EECI; Figura 5, J e K vs SHAM; Figura 5, H e I). A análise quantitativa revelou um aumento no GFAP-IR no corno dorsal direito de animais estimulados (EECI 60 Hz; n=5, F (1,14)= 9,184, p=0,009; Direita 1,250x1010 ± 3,916x1009; vs SHAM n=4; Direita 3,346x1009 ± 7,466x1008; Figura 5, G; 95% IC= -17945884820 a -365735414), mas sem mudanças no IBA-1-IR (EECI 60 Hz; n=5, F(1,16)= 0,0768, p=0,7852; Figura 5, L; 95% IC= -4782549390 a 2757797535).
Efeito da EECI 60 Hz sobre a imunorreatividade de astrócitos e microglia na medula espinhal.
A EECI de 60 Hz repetida induziu um aumento do limiar mecânico sustentado por até 72 horas
Os resultados demonstram que os ratos CCI tiveram um aumento no limiar mecânico mantido por 72 horas após a EECI 7 (72 horas, Figura 6) e esse efeito foi parcialmente revertido 168 horas após a última EECI (168 horas, Figura 6) (EECI 60 Hz, n=7, F (1,861, 11,16) = 16,89, p=0,0005; Pós EECI 7= 66,00± 4.440; 72h: 52,00± 3,170; Tempo 168h= 37,43± 1,888; 95% IC= 11,58 a 45,57).
DISCUSSÃO
As técnicas de neuroestimulação se mostraram promissoras terapias não-farmacológicas tanto em estudos experimentais quanto clínicos, com vários ensaios mostrando sua eficácia no tratamento de pacientes com dor neuropática que não responderam aos tratamentos analgésicos convencionais27. O córtex insular é uma área cortical complexa com conexões recíprocas intra e extra-insulares, projetando-se para áreas corticais essenciais límbicas, sensoriais e associativas para criar percepção da dor, além de uma área somatossensorial posterior delimitada que regula as entradas sensoriais, intimamente envolvida em mecanismos de nocicepção e dor2,25,28. Como consequência, a neuroestimulação insular tem sido proposta recentemente em muitos estudos clínicos6.
A eficácia da estimulação pode variar muito de acordo com os parâmetros de estimulação29. Isto indica e reafirma que, de acordo com a frequência e mesmo com outros ajustes de parâmetros, as respostas antinocicépticas podem variar e com isso surge a necessidade de serem ajustadas de acordo com os mecanismos terapêuticos desejados. Enquanto as baixas frequências ativam os elementos neurais, o DBS de alta frequência reduz o disparo de células e aciona projeções axonais nas proximidades dos eletrodos30,31. A dor evocada pode ser observada após estimulação insular, usando 1 a 50 Hz em curto prazo (5 segundos), e modulada, após intervenções nas vias cerebrais associadas à dor32, 33, 34, 35. Assim, 60 e 100 Hz foram frequências consideradas como potencialmente mais eficazes no presente estudo. Os resultados deste estudo são semelhantes aos encontrados com a estimulação do córtex motor de 60 Hz, o que também induziu a antinocicepção em ratos CCI36 nos mesmos paradigmas de comportamento aplicados no presente estudo.
Foi previamente demonstrado que a EECI afeta a nocicepção em animais com dor neuropática7,8. Neste trabalho, essas descobertas foram corroboradas e foi fornecida uma avaliação mais detalhada sobre protocolos e mecanismos de estimulação através dos quais a EECI modula a dor neuropática. Foi descoberto que, enquanto o Grupo Sham manteve a hipersensibilidade, uma gama de frequências de EECI foi capaz de induzir a antinocepção mecânica em ambos os testes após a EECI 5, através, potencialmente, da modulação dos circuitos relacionados à dor8.
Em contraste com a nocicepção mecânica, apenas a EECI de 60 Hz inverteu a hipersensibilidade térmica. Isto está de acordo com o fato de que a ínsula modula os limiares nociceptivos de calor após estimulação inibitória de alta frequência em indivíduos epilépticos selecionados35. Não obstante, ainda faltam estudos padronizando um teste de dor térmica na neuroestimulação insular experimental. O presente estudo forneceu evidências adicionais que sugerem que a ínsula pode reduzir a nocicepção de calor quando estimulada em determinadas condições, o que pode ajudar no projeto de futuros estudos translacionais.
O teste de campo aberto foi usado para confirmar a ausência de efeitos da EECI sobre a eficiência da atividade geral do animal, confirmada pela medição de dois parâmetros, locomoção e levantamento, sendo que nenhuma alteração em ambos os parâmetros foi observada, como já havia sido publicado anteriormente7,8. A CCI é um modelo de lesão nervosa para estudar a dor neuropática que, embora possa causar comportamentos de ansiedade, não afetou os comportamentos gerais de locomoção em ratos previamente avaliados pelo modelo de EECI deste estudo. Isto está de acordo com outros comportamentos similares à dor7,8,37. Além disso7, ratos não habituados não demonstraram alterações nos parâmetros do teste de campo aberto após uma única EECI, confirmando novamente a sua segurança para os animais.
É viável fazer a implementação de sistemas endógenos opioides e canabinoides após a CCI, conforme apontado pela literatura38. Nessa perspectiva, observou-se que os opioides e canabinoides antagonistas dos receptores tipo 1, naloxona e SR141716 agem bloqueando a antinocicepção da EECI. Resultados similares foram obtidos após estimulação epidural do córtex insular posterior em ratos com dor neuropática que dependia do sistema opioidérgico39. Dada a administração de fármacos IP no presente estudo, verificou-se que sua ação afeta diferentes estruturas do circuito da dor, incluindo alvos centrais e periféricos como PAG, bulbo rostral ventromedial (RVM) e medula espinhal, por exemplo. Um estudo8 mostrou uma baixa ativação neuronal Fos na PAG, uma área conhecida por sua analgesia dependente de opioides, e nenhuma associação de sinalização inibitória GAD65 na RVM após EECI. Isto sugere que estas podem não ser as principais áreas de analgesia opioide e canabinoide na estimulação insular. Uma possibilidade é que o sistema opioide induza analgesia através da modulação pós-sináptica da medula espinhal. Em contraste, um mecanismo chave da analgesia induzida por canabinoides envolve a inibição pós-sináptica de neurônios periféricos e processos inflamatórios11. Isto pode ser importante para a implementação da terapia proposta por esta pesquisa e para a seleção de modalidades complementares. Por outro lado, neste estudo não foi avaliada a ativação ou expressão do receptor, o que de fato pode ocasionar diferenças após lesão nervosa e EECI.
As células gliais são cruciais para o desenvolvimento e a manutenção da dor neuropática17,40. A glia ativada sustenta as funções neuronais, regula as sinapses e facilita a neurotransmissão nociceptiva, enquanto participa da sensibilização dos neurônios localizados no corno dorsal da medula espinhal17,40. A ativação de astrócitos no corno dorsal foi descrita após a CCI15,41 e foi sugerido que desempenha um papel na gênese da alodinia42. Esta pesquisa postula que o aumento da imunorreatividade da GFAP no corno dorsal de animais que receberam a estimulação de 60 Hz está potencialmente relacionado à modulação seletiva de circuitos inibitórios locais por células gliais. A literatura demonstra os efeitos de estimulação GABAérgica nas células gliais43. No presente estudo foi observado um aumento significativo na atividade glial na antinocicepção induzida pela EECI, sugerindo que a EECI modula a atividade glial através da sinalização GABAérgica inibitória8. Isto reforça a ideia de uma via inibitória agindo para estabelecer analgesia após a EECI. Não obstante, os astrócitos são conhecidos por sua capacidade de resposta aos sinais relacionados à dor e neuroplasticidade, infuenciando esses circuitos inibitórios44. A presente pesquisa também caracterizou o efeito antinociceptivo de longa duração da EECI repetida de 60 Hz em animais CCI. A antinocicepção mecânica foi observada desde a primeira até a sétima EECI. Foi constatado que ela foi mantida por 72 horas, com um efeito antinociceptivo parcial ainda observado 168 horas mais tarde. Foi demonstrado anteriormente que a atividade neuronal insular foi aumentada após a EECI 8 de 60 Hz e quando o córtex insular foi submetido a LTP e plasticidade sináptica após um processo neuropático45. O presente estudo propôs que a neuroplasticidade glial após o EECI pode contribuir para as mudanças funcionais e estruturais prolongadas que ocorrem junto com a melhoria de comportamento observada a longo prazo46.
Finalmente, as limitações deste estudo podem ser apontadas na medida em que alguns resultados comportamentais foram obtidos com poucas amostras, como no teste de campo aberto mostrado na figura 5, com n=3, devido à necessidade de excluir dados de animais cujo implante foi perdido e por isso não completaram os testes ou os protocolos de estimulação. No entanto, os resultados foram submetidos a análises estatísticas robustas e permitiram conclusões consistentes.
CONCLUSÃO
Esta pesquisa mostrou que diferentes frequências de EECI são capazes de induzir antinocicepção em animais com dor neuropática induzida pelo modelo CCI sem afetar a atividade locomotora geral, sugerindo a EECI de 60 Hz como a opção mais provável de se obter os melhores benefícios, uma vez que também foi demonstrado que a mesma sustenta o efeito antinociceptivo por até 72 horas, consolidando a ínsula como alvo de protocolos de estimulação cerebral e como uma forma de alcançar o alívio da dor na medicina clínica. A sinalização de opioides e canabinoides e a ativação de astrócitos na medula espinhal indicaram os efeitos da EECI, o que corrobora a sua capacidade de modulação dos componentes das vias de dor. Futuros estudos poderão ser capazes de investigar uma nova percepção sobre a estimulação insular.
AGRADECIMENTOS
Aos Professores Luiz Roberto Giorgetti de Britto e Adilson Silva Alves, do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Universidade de São Paulo (ICB/USP), pelo grande apoio para o desenvolvimento deste trabalho, aos Professores Roberto de Pasquale e José Francis de Oliveira pelo apoio técnico e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo financiamento: ESG [Financiamento 2017/07411-7], HAM [Financiamento 2017/25399-4] e CSD [Financiamento 2015/17136-8].
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Fontes de fomento: Os autores receberam os seguintes financiamentos: ESG [Financiamento 2017/07411-7], HAM [Financiamento 2017/25399-4] e CSD [Financiamento 2015/17136-8], da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
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Ratos CCI com eletrodos implantados no córtex insular posterior esquerdo foram submetidos a EECI repetidas com 10, 60 e 100Hz e avaliados no teste de pressão da pata (A a C) e usando flamentos von Frey (D a F) em relação ao Valor Basal, antes (pré) e depois (pós) de uma ou cinco sessões de EECI. Os grupos foram separados em (A) EECI 10Hz (n = 8), (B) EECI 60Hz (n = 8), (C) EECI 100Hz (n = 5); e SHAM (n = 4 a 5). Os dados foram apresentados como média ± E.P.M. A ANOVA bidirecional foi realizada após o teste de Bonferroni. (A) Valor Basal vs Pré EECI 1 1, ****p <0,0001. (B) Valor Basal vs Pré EECI 1; Pré EECI 1 vs Pós EECI 1; Pré EECI 1 vs Pré EECI 5; Pré EECI 1 vs Pós EECI 5, ****p <0.0001. Pré EECI 5 vs Pós EECI 5; **p = 0,0048; Grupos SHAM vs EECI, Pós EECI 1 e Pós EECI 5 ####p<0,0001. (C) Valor Basal vs Pré EECI 1, ****p <0.0001; Pré EECI 1 vs Pós EECI 1 e Pós EECI 5, ****p <0.0001; Pré EECI 5 vs Pós EECI 5; ****p <0.0001; Grupos SHAM vs EECI, Pós EECI 1 e Pós EECI 5 ####p<0. 0001. (D ) Valor Basal vs Pré EECI 1, ****p< 0.0001; Pré EECI 1 vs Pós EECI 1, *p = 0.0211; Pré EECI 1 vs Pré EECI 5, **p = 0.0015; Pré EECI 1 vs Pós EECI 5, ****p< 0.0001. Grupos SHAM vs EECI, Pós EECI 1, Pré EECI 5; Pós EECI 5 ##p= 0,0013; #p= 0,0227; ####p<0,0001, respectivamente. (E) Valor Basal vs Pré EECI 1, ****p<0,0001; Pré EECI 1 vs Pós EECI 1, **p = 0,0244; Pré EECI 1 vs Pós EECI 5, ****p<0,0001. Grupos SHAM vs EECI, Pós EECI 1, Pós EECI 5 ####p<0.0001. (F) Valor Basal vs Pré EECI 1; ****p<0.0001; Pré EECI 1 vs Pós EECI 1, **** p<0.0001; Grupos SHAM vs EECI, Pós EECI 1, Pré EECI 5, Pós EECI 5 ####p<0.0001.
Ratos CCI com eletrodos implantados no córtex insular posterior esquerdo foram submetidos a EECI repetidas com 10, 60, 80 e 100 Hz e avaliados no teste de placas quentes para hipersensibilidade térmica em relação ao Valor Basal, antes (pré) e depois (pós) de uma ou cinco sessões de EECI. Para análises de sensibilidade térmica, os grupos foram separados em (A) EECI 10 Hz (n = 5), (B) EECI 60 Hz (n = 4), (C) EECI 100 Hz (n = 4); e SHAM (n = 4). A atividade geral foi medida no teste de campo aberto uma vez, após cinco EECI. A elevação (D) e a locomoção (E) foram avaliadas em EECI 10 Hz (n=3), 60 Hz (n=3), 100 Hz (n=3) e grupo SHAM (n=3) durante três minutos. Dados apresentados como média ± E.P.M. em (A-C), ANOVA bidirecional seguida do teste post-hoc de Bonferroni. Sendo (A) Valor Basal vs Pré EECI 1, ****p< 0,0001. (B) Pré EECI 1 vs Pós EECI 1, **p=0,0066; Valor Basal vs Pré EECI 1, Pré EECI 1 vs Pré EECI 5 e Pré EECI 1 vs Pós EECI 5, ****p< 0,0001. Grupos SHAM vs EECI, Pós EECI 1, ##p=0,0076; Pós EECI 5, ####p<0,0001. (C) Valor Basal vs Pré EECI 1; ****p< 0,0001. (D-E), ANOVA unidirecional seguida pelo teste post-hoc de Bonferroni.
Ratos CCI implantados com eletrodos no córtex insular posterior esquerdo submetidos a EECI repetida de 60 Hz foram injetados com (A) naloxona (2 mg/kg; i.p.) (EECI+Sal n= 6; EECI+NLX n=5) ou (B) SR141716 (1 mg/kg; i.p.) (EECI+DMSO n= 4; EECI+ SR141716 n=4), 30 e 40 minutos antes da avaliação mecânica nociceptiva, respectivamente. Os animais foram avaliados no teste de pressão das patas em relação ao Valor Basal, antes (pré) e depois (pós) de uma ou de cinco sessões de EECI 60 Hz. Os dados foram apresentados como média ± E.P.M. A ANOVA bidirecional foi realizada após o teste post-hoc de Bonferroni. (A) EECI 60 HZ+Sal vs EECI 60 HZ+NLX ***p=0,0006 (B) EECI 60 HZ+DMSO vs EECI 60 HZ +SR141716 ****p<0,0001. Abreviações: Sulfóxido de dimetilo (DMSO).
Foram preparadas fatias da medula espinhal de ratos CCI dos grupos EECI 60 Hz (n = 5) ou SHAM (n = 4-5) para análise imuno-histoquímica de GFAP (C-F) ou IBA-1 (H-K). Imagens representativas do DHSC foram obtidas usando um microscópio óptico, e a imunorreatividade da densidade óptica foi analisada por uma contagem baseada em limiares no software Image J. Em A e B, barra horizontal = 100 μm; nas outras imagens, barra horizontal = 20 μm. O GFAP-IR foi marcado por pontos negros escuros nas imagens e apontado por setas pretas. Em (H) e (L), os dados são apresentados como média ± E.P.M. e foram analisados pela ANOVA bidirecional seguida pelo teste post-hoc de Bonferroni. Em (E) temos densidade óptica GFAP SHAM vs grupo EECI no DHSC direito, * p = 0,0024.
Os ratos CCI com eletrodos implantados na ínsula posterior esquerda foram submetidos a sete EECI de 60 Hz repetidas e diárias (n=7) e avaliados no teste de pressão da pata em relação ao Valor Basal, antes (pré) e depois (pós) de uma única EECI (EECI 1), de sete sessões de EECI (EECI 7) e após diferentes períodos de acompanhamento (48, 72 e 168 horas). Os dados foram apresentados como média ± E.P.M. A ANOVA foi realizada após o teste de Bonferroni. Valor Basal vs Pré EECI 1, ****p< 0,0001; Pré EECI 1 vs Pós EECI 1, **p=0,0015; Pré EECI 1 vs Pós EECI 7, *p=0,0465; Pós EECI 7 vs 168 horas, **p=0,0030.