Open-access Geoespacialização, tendência e fatores relacionados à interrupção do tratamento da tuberculose: um estudo ecológico

RESUMO

Objetivo:  Analisar os padrões espaciais, temporais e os fatores associados à interrupção do tratamento da tuberculose no Brasil entre 2010 e 2020.

Método:  Estudo ecológico com uso de geoprocessamento. O método Joinpoint foi utilizado para análise temporal. A autocorrelação espacial e a varredura scan identificaram aglomerados. Modelos de regressão espacial e não espacial, considerando p<0,05, detectaram fatores associados ao desfecho.

Resultados:  Observou-se tendência estacionária da interrupção do tratamento da tuberculose no país, com crescimento nas regiões Centro-Oeste e Norte. Os indicadores socioeconômicos associados foram: Índice de Gini, densidade domiciliar >2, taxa de retratamento, índice de vulnerabilidade social, taxa de analfabetismo, percentual de pessoas extremamente pobres e cobertura da Estratégia de Saúde da Família.

Conclusão:  A interrupção do tratamento apresentou tendência estacionária. A regressão espacial mostrou que indicadores de vulnerabilidade socioeconômica influenciam o desfecho, positiva ou negativamente, conforme o território, o que demanda intensificação das ações de prevenção e controle nesses locais.

DESCRITORES:
Tuberculose; Epidemiologia; Interrupção do Tratamento; Análise Espacial; Determinantes Sociais da Saúde.

HIGHLIGHTS

1. Identificou-se aumento da interrupção do tratamento no Centro-Oeste e Norte.

2. Foram encontrados agrupamentos relevantes no Sudeste e Mato Grosso.

3. Vulnerabilidade social mostrou associação com a perda de seguimento do tratamento.

4. A maior cobertura da atenção primária reduziu a descontinuidade no tratamento.

ABSTRACT

Objective:  To analyze the spatial and temporal patterns and factors associated with tuberculosis treatment interruption in Brazil from 2010 to 2020.

Method:  Ecological study using geoprocessing. The Joinpoint method was used for temporal analysis. Spatial autocorrelation and scan statistics identified clusters. Spatial and non-spatial regression models, considering p < .05, detected factors associated with the outcome.

Results:  A stationary trend in tuberculosis treatment interruption was observed across the country, with increases in the Central-West and North regions. Associated socioeconomic indicators included the Gini index, household density > 2, retreatment rate, social vulnerability index, illiteracy rate, percentage of individuals in extreme poverty, and Family Health Strategy coverage.

Conclusion:  Treatment interruption showed a stationary trend. Spatial regression showed that socioeconomic vulnerability indicators influence the outcome, positively or negatively, depending on the region, which calls for intensified prevention and control efforts in those areas.

DESCRIPTORS:
Tuberculosis; Epidemiology; Treatment Interruption; Spatial Analysis; Social Determinants of Health.

HIGHLIGHTS

1. An increase in treatment interruption was identified in the Central-W est and North regions.

2. Relevant clusters were found in the Southeast region and Mato Grosso state.

3. Social vulnerability was associated with loss to follow-up in treatment.

4. Greater primary care coverage reduced treatment discontinuity.

RESUMEN

Objetivo:  Analizar los patrones espaciales, temporales y los factores asociados con la interrupción del tratamiento de la tuberculosis en Brasil entre 2010 y 2020.

Método:  Estudio ecológico con uso de geoprocesamiento. Se utilizó el método Joinpoint para el análisis temporal. La autocorrelación espacial y el rastreo scan identificaron conglomerados. Modelos de regresión espacial y no espacial, considerando p<0,05, detectaron factores asociados con el desenlace.

Resultados:  Se observó una tendencia estacionaria en la interrupción del tratamiento de la tuberculosis en el país, con crecimiento en las regiones Centro-Oeste y Norte. Los indicadores socioeconómicos asociados fueron: Índice de Gini, densidad domiciliaria >2, tasa de retratamiento, índice de vulnerabilidad social, tasa de analfabetismo, porcentaje de personas en situación de extrema pobreza y cobertura de la Estrategia de Salud de la Familia.Conclusión: La interrupción del tratamiento presentó una tendencia estacionaria. La regresión espacial mostró que los indicadores de vulnerabilidad socioeconómica influyen en el desenlace, positiva o negativamente, según el territorio, lo que demanda la intensificación de acciones de prevención y control en esos lugares.

DESCRIPTORES:
Tuberculosis; Epidemiología; Interrupción del Tratamiento; Análisis Espacial; Determinantes Sociales de la Salud.

HIGHLIGHTS

1. Se identificó un aumento de la interrupción del tratamiento en el Centro-Oeste y el Norte.

2. Se encontraron conglomerados relevantes en el Sudeste y Mato Grosso.

3. La vulnerabilidad social mostró asociación con la pérdida de seguimiento del tratamiento.

4. La mayor cobertura de la atención primaria redujo la discontinuidad en el tratamiento.

INTRODUÇÃO

A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa de notificação compulsória, causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, que se apresenta na forma pulmonar e extrapulmonar. Essa infecção apresenta prevenção e cura; entretanto, ainda é prevalente em condições sociais de vulnerabilidade, além de contribuir para a manutenção da desigualdade social1-2.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, em 2023, 10,8 milhões de pessoas adoeceram por TB e 1,25 milhão morreram no mundo. Nas Américas, estima-se que ocorram cerca de 900 casos e 100 óbitos diários de TB, sendo o Brasil um dos únicos países de alta carga da doença na região3-4.

Destaca-se que, em 2024, o Brasil apresentou mais de 84 mil casos novos e coeficiente de incidência de 39,7 casos por 100.000 habitantes. Ademais, foram registrados 6.025 óbitos e coeficiente de mortalidade de 2,8 óbitos por 100.000 habitantes5. Comparado a 2023, a incidência e a mortalidade cresceram 5% e 40%, respectivamente, revelando tendência crescente no país6.

A interrupção do tratamento da TB é uma das principais limitações para o controle e a cura da doença, pois, além de elevar os custos do tratamento, contribui para o aumento da morbimortalidade, da recidiva e da resistência medicamentosa do bacilo. Além disso, reflete barreiras sociais e estruturais, evidenciando possíveis falhas nas estratégias de prevenção e tratamento, bem como no desempenho dos serviços de saúde. No Brasil, considera-se interrupção do tratamento quando o paciente se ausenta da unidade de saúde por mais de 30 dias consecutivos após a data prevista para retorno7.

No Brasil, o tratamento anti-TB é padronizado, dura seis meses e é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2023, 15,3% dos casos novos de TB por critério laboratorial foram encerrados como interrupção do tratamento, mais que o dobro do limite de 5,0% definido pela Estratégia Global pelo Fim da TB. Os maiores percentuais ocorreram nas regiões Sudeste (15,6%) e Norte (15,0%), ambos acima da média nacional (14,2%)5.

Embora haja um número crescente de estudos sobre a incidência e as implicações da TB em algumas regiões brasileiras1-2,4,7, poucos trabalhos nacionais utilizam a abordagem ecológica para verificação dos fatores associados. Nesse contexto, estudos temporais e espaciais são essenciais para identificar aglomerados com elevados números de casos de interrupção do tratamento e compreender os fatores socioeconômicos associados, fornecendo subsídios para orientar estratégias de enfrentamento nos territórios mais afetados. Assim, este estudo teve como objetivo analisar os padrões espaciais e temporais, bem como os fatores associados à interrupção do tratamento da TB no Brasil de 2010 a 2020.

MÉTODO

Trata-se de um estudo ecológico que teve como área geográfica de interesse os municípios do Brasil. O país é composto por 5.570 municípios, 27 unidades federativas e cinco macrorregiões (Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul)8

A população do estudo incluiu todos os casos de interrupção do tratamento da TB notificados no Brasil no período 2010-2020, em cada município. Ressalta-se que a interrupção das séries em 2020 está relacionada ao fato de a pesquisa ter sido iniciada em 2022 e, durante a coleta de dados, ter-se observado que 2021 apresentava um número inferior de notificações, possivelmente relacionado à ausência de consolidação das notificações no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) para o ano completo.

Os critérios de inclusão adotados foram: o caso ter sido notificado no período de 2010 a 2020 e inserido no sistema no período analisado, de acordo com o município de residência, e apresentar a categoria abandono na variável situação de encerramento. A população sob risco utilizada no denominador é aquela que estava em tratamento para TB no momento da coleta de dados. Não foram incluídos os casos cuja situação de encerramento foi óbito, bem como os seguintes tipos de entrada: recidiva, reingresso após interrupção do tratamento e transferência.

Foram utilizados dados secundários oriundos do SINAN para TB, compilados no sítio eletrônico do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os casos foram estratificados por sexo (masculino; feminino), faixa etária (0 a 19 anos; 20 a 39 anos; 40 a 59 anos; ≥ 60), escolaridade (em anos de estudo completos: nenhum; 1 a 4; 5 a 8; 9 a 12; 12 ou mais), raça/cor (branca; amarela; parda ou preta; indígena), região de notificação (Sudeste; Nordeste; Sul; Norte; Centro-Oeste), tipo de entrada (caso novo), forma da doença (pulmonar; extrapulmonar; pulmonar + extrapulmonar), realização dos exames de HIV e aids (sim; não), diabetes (sim; não), alcoolismo (sim; não) e doença mental (sim; não).

As variáveis sociodemográficas, de natureza categórica, foram descritas em função das frequências absolutas e relativas. Em seguida, para a análise temporal simples, calculou-se a proporção de casos ano a ano da interrupção do tratamento da TB para o Brasil e suas cinco regiões, conforme a fórmula a seguir:

Proporção de interrupção do tratamento da TB = Nº de casos de interrupção do tratamento da TB Nº de casos de TB × 100

Para a análise temporal, utilizou-se o software Joinpoint Regression Program versão 4.6.0.0®, o qual testa se um ou mais pontos de inflexão devem ser adicionados ao modelo linear pela permutação de Monte Carlo. O mesmo software foi utilizado para calcular a Variação Percentual Anual (Annual Percentage Change - APC) e a Variação Percentual Anual Média (Average Annual Percentage Change - AAPC), considerando intervalo de confiança de 95% (IC95%).

A APC é uma medida estatística utilizada para avaliar a tendência temporal de uma taxa ao longo de vários anos. Ela expressa, em média, o quanto essa taxa aumenta ou diminui por ano, em termos percentuais. Enquanto a APC mostra a variação anual dentro de um trecho específico da série temporal, a AAPC resume o período em um único valor, a partir de uma média ponderada, mesmo que tenham ocorrido mudanças nas tendências ao longo dos anos.

O modelo foi ajustado considerando de zero (um segmento) a dois pontos de inflexão (três segmentos), avaliando se múltiplos segmentos descrevem melhor a tendência do que uma única reta. Em todos os modelos, considerou-se a autocorrelação de primeira ordem (AR=1) dos erros, uma vez que dados em saúde apresentam dependência temporal.

Valores negativos de APC e da AAPC indicam tendência decrescente e, quando positivos, tendência crescente. Quando não há significância estatística (p>0,05), a tendência é classificada como estacionária. Cada ponto de inflexão adicionado ao modelo indica uma mudança na tendência linear9.

Definiu-se como variável independente o ano de ocorrência dos casos de interrupção da terapêutica anti-TB e, como dependente, a proporção de perda de seguimento entre os casos, calculadas no programa e padronizadas por logaritmização.

Para a análise espacial, calculou-se a taxa média padronizada da interrupção do tratamento anti-TB em cada município brasileiro. A padronização ajusta diferenças demográficas, permitindo comparações mais precisas10. Para tanto, utilizou-se como numerador o número de casos novos de TB encerrados com a denominação abandono, dividido pela quantidade de anos estudados (11 anos), dividido pela população do ano central da série temporal (2015) e multiplicado por 100. A partir desse cálculo, a variável dependente foi expressa em percentual (%), uma vez que os valores foram calculados com base em 100 habitantes.

Taxa Média Padronizada = Nº de casos de interrupção do tratamento da TB/ Nº de anos estudados (11 anos) População do ano central (2015) × 100

Convém destacar que os intervalos das classes do mapa da Taxa Média Padronizada foram definidos manualmente, com base na distribuição dos valores observados e em critérios de clareza visual, a fim de facilitar a interpretação dos padrões espaciais. Especial ênfase foi dada à primeira categoria da legenda, que identifica os municípios que não notificaram a interrupção do tratamento da TB e, portanto, apresentam proporção de casos igual a zero.

Para identificar aglomerados espaciais, construiu-se, inicialmente, a matriz de vizinhança espacial. Para isso, foi adotado o critério de contiguidade tipo rook, atribuindo-se valor 1 aos municípios que compartilham fronteiras e 0 àqueles que não as compartilham. Desse modo, consideraram-se apenas fronteiras compartilhadas entre polígonos adjacentes.

Em seguida, foram aplicados os Índices de Moran Global e Local e a técnica Getis-Ord Gi*. Após a constatação da autocorrelação global, utilizou-se o Índice de Moran Local (LISA) para identificar agregados e quantificar a associação espacial em cada município brasileiro. Os resultados foram apresentados em dois mapas: o primeiro ilustra graficamente a similaridade entre municípios vizinhos, com quatro padrões: alto/alto e baixo/baixo (associação positiva, entre vizinhos com valores semelhantes) e alto/baixo e baixo/alto (associação negativa, entre vizinhos com valores diferentes)11.

Por sua vez, a técnica Getis-Ord Gi* cria z-scores que permitem identificar aglomerados. Valores elevados de z-scores indicam áreas com altas proporções de casos agrupadas com áreas semelhantes (áreas quentes - hotspots); enquanto valores baixos de z-scores identificam áreas com baixa proporção de casos rodeadas de áreas semelhantes (áreas frias - coldspots)12.

Ressalta-se que, nesta pesquisa, optou-se por não aplicar a suavização das taxas pelo método bayesiano empírico global ou local, a fim de preservar a variabilidade observada nas taxas originais. Além disso, esclarece-se que os testes de associação espacial local (LISA e Getis-Ord Gi*) não foram ajustados para controle de múltiplos testes.

Aplicou-se, ainda, a estatística Scan puramente espacial, cuja janela de varredura envolveu 50% da população sob risco e clusters circulares. Utilizou-se o município como unidade espacial mínima na análise de varredura, por meio do software SaTScan, configurado para o modelo de Poisson discreto, o qual ajusta automaticamente a análise pela população residente, assumindo como esperado o número de casos proporcional à população de cada unidade. Esse ajuste visa controlar a influência da variação populacional entre os municípios, evitando que clusters sejam identificados apenas em função de maiores contingentes populacionais. A estatística Scan possibilitou o cálculo do risco relativo (RR), no qual municípios com valores > 1 apresentam risco relativo de interrupção do tratamento anti-TB superior ao do país como um todo13.

Para investigar os fatores relacionados à interrupção do tratamento da TB, utilizou-se o modelo de regressão não espacial Ordinary Least Squares (OLS). Os indicadores extraídos do Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil foram: taxa de analfabetismo em pessoas com 18 anos ou mais (T_ANALF18M), Índice de Gini (GINI), proporção (%) de pessoas extremamente pobres (PIND), percentual (%) da população em domicílios com densidade >2 (T_DENS), Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), renda per capita (RDPC) e percentual (%) da população em domicílios com banheiro e água encanada (T_BANAGUA). Por meio do DATASUS, obteve-se a Cobertura da Estratégia de Saúde da Família (COBERT_ESF) e a Taxa de retratamento (TX_RETRATAMENTO). O índice brasileiro de privação (IBP) foi obtido do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS) e o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) foi retirado do sítio eletrônico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

No modelo OLS, as variáveis explicativas foram selecionadas por backward selection, e a multicolinearidade foi avaliada pelo Variance Inflation Factor (VIF). As variáveis que permaneceram no modelo final com p<0,05 foram incluídas nos modelos geográficos globais (Spatial Lag e Spatial Error). Foram verificados os pressupostos da regressão linear e o teste de Moran dos resíduos não indicou autocorrelação espacial, confirmando a adequação do modelo OLS.

O modelo Spatial Lag atribui autocorrelação espacial à variável dependente, enquanto o Spatial Error pressupõe dependência espacial decorrente de variáveis não incluídas no modelo14. Os modelos OLS, Spatial Lag e Spatial Error referem-se a toda a região analisada (Brasil)15. A comparação entre os modelos baseou-se no maior R2 ajustado e no menor Akaike Information Criterion (AIC).

Convém ressaltar que, nas análises sociodemográficas, foram excluídos os registros cujas variáveis de interesse estavam classificadas como ignorado ou não informado nas fichas de notificação, sendo realizada análise por casos completos, sem imputação de valores. Nas análises espaciais e temporais, foram excluídos os registros sem informação sobre o município de residência, uma vez que essa variável é essencial para a geocodificação e a construção das unidades espaço-temporais de análise.

O teste de autocorrelação espacial foi calculado no software TerraView 4.2.2®. A técnica Getis-Ord Gi* e as regressões Spatial Lag e Spatial Error foram realizadas no programa GeoDa 1.14®. A regressão OLS foi realizada no software Stata v.13®. Todos os mapas foram produzidos no software QGIS 3.16®.

Por se tratar de estudo com dados secundários de domínio público, não foi necessária a submissão deste estudo à apreciação por um Comitê de Ética, conforme o disposto na Resolução 674/2022 do Conselho Nacional de Saúde.

RESULTADOS

Foram registrados 82.594 casos de interrupção do tratamento anti-TB no período estudado. A maior frequência ocorreu entre homens 61.791 (74,8%) e na faixa etária de 20 a 39 anos 47.527 (57,6%). Mais da metade era parda ou preta 52.848 (69,8%) e apresentava até oito anos de escolaridade 23.528 (70,0%). A maior proporção dos casos concentrou-se na região Sul do Brasil 39.202 (47,5%) (Tabela 1).

Tabela 1
Caracterização sociodemográfica dos casos de interrupção do tratamento da Tuberculose no Brasil, 2010-2020. Parnaíba, Piauí, Brasil, 2023

A forma pulmonar representou 71.917 (87,1%) dos casos. Cerca de 11.157 (13,5%) indivíduos estavam vivendo com HIV, dos quais 10.128 (14,6%) apresentavam critérios compatíveis com Aids. Aproximadamente uma em cada quatro pessoas fazia uso prejudicial de álcool 20.083 (28,2%), utilizava drogas ilícitas 14.566 (29,1%) e fazia uso de tabaco 14.746 (29,4%). Proporções menores foram observadas entre pessoas com diabetes 3.563 (4,8%), pessoas com transtorno mental 1.993 (2,7%), pessoas privadas de liberdade 5.083 (9,9%) e pessoas em situação de rua 4.018 (7,9%).

A proporção média de interrupção da terapêutica, segundo a fórmula descrita anteriormente, foi de 10,4%, com aumento de 10,3% em 2010 para 11,5% em 2020. As regiões Sudeste (10,8%) e Sul (10,6%) apresentaram as maiores médias regionais de casos.

A análise por Joinpoint evidenciou tendência estacionária (AAPC: 0,7; IC95%: -0,6 - 2,1; p<0,1) da interrupção do tratamento da TB no país. Observou-se ainda aumento expressivo da interrupção do tratamento no Centro-Oeste (AAPC: 3,9; IC95%: 3,0 - 4,8; p<0,001), seguido da região Norte (APC: 2,6; IC95%: 1,6 - 3,8; p<0,001) (Tabela 2).

Tabela 2
Variação percentual anual (APC) e Variação Percentual Anual Média (AAPC) da interrupção do tratamento da tuberculose no Brasil, 2010-2020. Parnaíba, Piauí, Brasil, 2023

A Figura 1 apresenta os resultados das técnicas de detecção de aglomerados espaciais. O mapa da taxa de incidência média padronizada (Mapa A) aponta dispersão irregular, formando uma imagem com aparência de mosaico, com a maioria dos municípios apresentando taxas que variaram de 0,0 a 11,1% (Mapa A).

Figura 1
Distribuição da taxa de incidência média padronizada (A), Índice de Moran Local - Lisa Index (B), Significância Lisa (C), Áreas quentes (hotspots) e áreas frias (coldspots) (D), Significância - Getis-Ord Gi* (E), Clusters - varredura Scan (F), Risco relativo (G), 2010-2020. Parnaíba, Piauí, Brasil, 2023

Após a constatação da autocorrelação espacial global significativa (I=0,1; p=0,001), procedeu-se ao cálculo do Índice de Moran Local. A análise dos aglomerados de interrupção indicou padrão Alto/Alto de distribuição em municípios localizados, principalmente, na região Norte, no estado do Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste) e no litoral da região Sudeste (Mapa B). O mapa C mostra a significância estatística dos municípios que exibiram algum padrão espacial.

Pela técnica Getis-Ord Gi* (Mapa D), confirmaram-se hotspots nos territórios com padrão Alto/Alto do Mapa B e sua significância estatística (Mapa E). Os mapas F e G mostram clusters espaciais e risco relativo (RR) da interrupção da terapêutica no Brasil, calculados pela varredura Scan puramente espacial. Foram identificados 26 clusters, dos quais 20 apresentaram significância estatística (p<0,05). O cluster primário, com menor probabilidade de ocorrência ao acaso, incluiu 201 municípios, principalmente na região Sudeste, abrangendo Minas Gerais, o litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. Os clusters secundários significativos localizam-se nos estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul e Pará (Mapa F). No mapa G, alguns municípios do Mato Grosso do Sul (vinho) apresentaram os maiores RR do Brasil para interrupção da terapêutica anti-TB (RR=1,7-2,6).

A Tabela 3 descreve as informações detalhadas dos 26 aglomerados de interrupção do tratamento da TB no Brasil, dos quais 20 obtiveram significância estatística e seis não, segundo a varredura Scan. O cluster primário possui raio de 199,3 km, e os municípios que o compõem apresentam, em média, 1,5 vez mais risco de casos de interrupção do tratamento da TB em comparação aos demais municípios do Brasil.

Tabela 3
Aglomerados espaciais dos casos de interrupção do tratamento da tuberculose, definidos pela estatística de varredura Scan puramente espacial no Brasil, 2010-2020. Parnaíba, Piauí, Brasil, 2023

Para testar a influência de indicadores socioeconômicos na interrupção do tratamento anti-TB, compararam-se os resultados das análises dos modelos de regressão OLS (R2=0,062; AIC=38.397,72), Spatial Lag (R2=0,069; AIC=38.408,8) e Spatial Error (R2=0,068; AIC=38.414,4). Os modelos OLS e Spatial Lag se mostraram melhor ajustados, uma vez que o OLS apresentou menor AIC e o Spatial Lag, maior R2.

A Tabela 4 mostra as variáveis independentes que apresentaram correlação positiva com a variável desfecho no modelo OLS: Índice de Gini (GINI) (β=4,1; p=0,042), proporção da população em domicílios com densidade >2 (β=0,1; p<0,001), Taxa de retratamento (TX_RETRATAMENTO) (β=0,0; p=0,001) e Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) (β=11,2; p=0,001). Desse modo, quando um indicador aumenta, os casos de interrupção do tratamento aumentam na mesma proporção. Por outro lado, os indicadores Taxa de analfabetismo em pessoas com 18 anos ou mais (T_ANALF18M) (β=-0,1; p<0,001), Percentual de pessoas extremamente pobres (PIND) (β=-0,1; p<0,001) e Cobertura da Estratégia Saúde da Família (COBERT_ESF) (β=-1,3; p=0,002) apresentaram correlação negativa com o desfecho. Assim, quando um indicador aumenta, os casos de interrupção da terapêutica diminuem.

Tabela 4
Modelos de regressão OLS, Spatial Lag e Spatial Error dos indicadores socioeconômicos que influenciam a proporção de casos de interrupção do tratamento da TB no Brasil, 2010-2020. Parnaíba, Piauí, Brasil, 2023

DISCUSSÃO

O presente estudo evidenciou, por meio da análise temporal, tendência estacionária na proporção de casos de interrupção do tratamento da TB no Brasil ao longo do período analisado.

De forma convergente, as análises espaciais identificaram aglomerados com elevadas proporções de casos de interrupção concentrados principalmente na região Norte, no litoral da região Sudeste e no estado de Mato Grosso do Sul, localizado na região Centro-Oeste.

A partir dos modelos de regressão, observou-se correlação positiva entre a interrupção do tratamento e os seguintes indicadores socioeconômicos: índice de Gini, proporção de população residente em domicílios com densidade superior a dois moradores por dormitório, taxa de retratamento e IVS. Esses achados indicam que, à medida que tais condições se intensificam, o desfecho aumenta em magnitude proporcional.

A análise por Joinpoint identificou tendência estacionária na proporção dos casos de interrupção do tratamento anti-TB no conjunto do país; entretanto, as regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram tendência crescente. Um estudo brasileiro aponta que a região Norte possui a segunda menor média do índice de desenvolvimento humano (0,701) e a menor cobertura de atenção primária à saúde (APS), estimada em 59,5%. Essas condições contribuem para o atraso no diagnóstico, dificultam a identificação e o acompanhamento dos contatos e comprometem a adesão terapêutica, favorecendo a manutenção da cadeia de transmissão da doença16.

A compreensão dos clusters identificados exige a análise das determinações estruturais e históricas que moldam as condições de vulnerabilidade social e o acesso desigual aos serviços de saúde. A região Norte apresenta proporções de interrupção do tratamento da TB persistentemente superiores ao preconizado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose, que busca a cura de, no mínimo, 85% e o tratamento correto de 100% dos casos, evidenciando fragilidades na continuidade do cuidado e no acompanhamento longitudinal dos pacientes17. Tal cenário é agravado pelas barreiras geográficas, pelas extensas distâncias e pelas limitações da Atenção Primária à Saúde da região, que comprometem a implementação efetiva do Tratamento Diretamente Observado (TDO)18.

Nas regiões Sudeste e Sul, apesar da maior concentração econômica, persistem desigualdades urbanas e processos de segregação socioespacial que condicionam maior incidência da TB e elevam o risco de interrupção do tratamento. Esses achados reforçam que o desenvolvimento regional não se traduz necessariamente em equidade sanitária13,19. Uma análise nacional referente ao período de 2012 a 2018 demonstrou que as regiões Sudeste (10,78%), Sul (10,70%) e Norte (10,35%) apresentaram as maiores médias da proporção de interrupção terapêutica no país20.

Essa situação relaciona-se às condições de vida da população e à organização espacial das cidades, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, que concentram produção de riqueza e reprodução de desigualdades sociais. Esses contextos favorecem maior exposição a vulnerabilidades, contribuindo para o aumento da incidência da doença e, consequentemente, do risco de interrupção do tratamento da TB1,2,19. Tais evidências reforçam que a superação da descontinuidade terapêutica requer políticas intersetoriais capazes de enfrentar, simultaneamente, desigualdades estruturais e pressões demográficas recentes.

Na região Centro-Oeste, a persistência de elevadas taxas de interrupção pode ser explicada por vulnerabilidades estruturais relacionadas à desigualdade de renda, à segregação racial, à precariedade habitacional e à heterogeneidade territorial. Estudos indicam que municípios com maior segregação racial e de renda apresentam piores desfechos terapêuticos, incluindo interrupção do tratamento, independentemente da renda média local16,19.

No estado de Mato Grosso do Sul, o elevado coeficiente de TB entre pessoas em situação de rua evidencia barreiras de acesso aos serviços de saúde e fragilidades na cobertura das políticas públicas20. Além disso, áreas mais populosas enfrentam maior demanda por serviços e maior risco de descontinuidade terapêutica, enquanto municípios menores tendem a manter maior proximidade entre serviços e comunidade, favorecendo a adesão ao tratamento. Esses fatores auxiliam na compreensão da formação dos clusters identificados e reforçam a necessidade de políticas intersetoriais integradas21.

A taxa de analfabetismo em pessoas com 18 anos ou mais e o percentual de indivíduos em extrema pobreza apresentaram associação negativa com o desfecho, resultado aparentemente paradoxal em face da literatura, que aponta maior escolaridade como fator protetor contra a interrupção do tratamento, uma vez que baixos níveis de instrução comprometem a compreensão das orientações terapêuticas2,7,13.

Essa associação inversa pode estar relacionada à subnotificação e ao preenchimento incompleto das fichas de encerramento, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Nesses cenários, indivíduos que interrompem o tratamento tendem a apresentar registros incompletos no SINAN, o que pode subestimar tanto a magnitude do desfecho quanto o impacto de benefícios sociais e ações programáticas22.

Outro aspecto relevante é que municípios com piores indicadores educacionais e econômicos frequentemente são priorizados por políticas públicas e programas de controle da TB, recebendo maior suporte por meio do TDO e acompanhamento mais próximo das equipes da atenção básica12,22. Dessa forma, a associação negativa observada pode refletir o efeito de intervenções direcionadas, e não necessariamente menor vulnerabilidade individual.

A literatura aponta que a TB possui raízes profundas na pobreza, favorecendo sua transmissão, o diagnóstico tardio e a interrupção do tratamento1,2,23-24. Embora os resultados possam parecer paradoxais, eles se articulam à organização espacial das cidades, uma vez que áreas que concentram riqueza e desigualdade social apresentam maior exposição a vulnerabilidades, elevando tanto a incidência quanto o risco de interrupção, como observado nas regiões Sul (22,94%) e Sudeste (19,61%)23.

Um estudo realizado no Peru identificou fatores associados à interrupção do tratamento da TB distribuídos em diferentes dimensões da vida do paciente, incluindo distância até a unidade de saúde, ausência de melhora clínica percebida, desconhecimento sobre a doença e falta de apoio familiar ou social. Além disso, foram identificados fatores relacionados aos serviços de saúde, como relações interpessoais inadequadas com os profissionais, longos tempos de espera e explicações insuficientes sobre o tratamento25.

Observou-se que o aumento da cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) contribui para a redução da interrupção do tratamento da TB. Um estudo brasileiro identifica a APS como marcador essencial de acesso aos serviços, especialmente considerando que grande parte da população depende exclusivamente desse nível de atenção. Na região Norte, a baixa cobertura da APS e a escassez de profissionais retardam o diagnóstico e o início do tratamento, favorecendo a interrupção terapêutica16.

A ampliação da APS, particularmente por meio da ESF, constitui fator protetor fundamental no controle da TB em sistemas públicos universais. Evidências indicam que territórios com maior cobertura apresentam menores taxas de incidência e mortalidade, além de maior adesão ao tratamento e menor interrupção26. Esses resultados refletem a capilaridade dos serviços e o vínculo longitudinal estabelecido entre as equipes e as comunidades.

Nesse contexto, a enfermagem desempenha papel central na coordenação do cuidado e na vigilância dos casos, atuando na identificação precoce, no manejo clínico, na supervisão terapêutica e no apoio psicossocial26. Revisões da literatura destacam que a atuação ativa do enfermeiro nas equipes da ESF favorece a continuidade do cuidado, a efetividade das ações de controle e o acompanhamento de grupos vulneráveis24,27. Ampliar a cobertura da APS e fortalecer o protagonismo da enfermagem são, portanto, estratégias essenciais para uma resposta integrada, equitativa e sustentável à TB.

Embora amplamente recomendado, o TDO apresenta efetividade variável, dependente da organização dos serviços e do engajamento comunitário. Modelos comunitários de TDO demonstram melhores resultados quando comparados àqueles realizados exclusivamente em unidades de saúde, por fortalecerem vínculos territoriais e reduzirem barreiras de acesso26.

Tecnologias digitais, como a terapia observada por vídeo, também se mostram promissoras. Ensaios clínicos indicam eficácia não inferior à do TDO presencial, com maior aceitabilidade, flexibilidade e menor constrangimento para os pacientes27-28. A integração de estratégias comunitárias e digitais à APS representa avanço relevante na superação dos desafios históricos do TDO, especialmente entre populações vulneráveis.

O índice de Gini apresentou correlação positiva com a interrupção do tratamento anti-TB. Um estudo realizado no Peru demonstrou que indivíduos de baixa renda enfrentam maiores barreiras de acesso aos serviços de saúde, incluindo perda de dias de trabalho e custos com transporte, o que dificulta a adesão ao tratamento25. A desigualdade social também se associa à alta densidade populacional e aos fluxos migratórios intensos, fenômenos que contribuem para a criminalidade, a favelização, a pobreza e o desemprego, agravando as condições de vida29.

No presente estudo, a condição de moradia configurou-se como fator de risco para a interrupção do tratamento da TB. Esses achados corroboram investigações que apontam maior incidência da doença em habitações superlotadas, cenário compatível com a natureza infecciosa e de transmissão aérea da TB29.

A taxa de retratamento apresentou correlação positiva com a interrupção terapêutica. Estudos nacionais indicam que o tipo de entrada no sistema está associado ao aumento do abandono, especialmente entre indivíduos previamente curados ou que reingressam após interrupção, os quais apresentam maior risco de novos episódios e descontinuidade do tratamento6,22,24. Essas situações favorecem a transmissão e o surgimento de cepas resistentes, dificultando o manejo clínico30.

Identificou-se, ainda, correlação positiva entre o IVS e a interrupção do tratamento. Esse índice contempla dimensões relacionadas ao capital humano, à renda, à infraestrutura urbana e ao trabalho, sendo que a ausência ou insuficiência dessas condições indica baixo padrão de vida e dificuldade de acesso a direitos sociais29-30. Estudos nacionais reforçam que fatores socioeconômicos impactam a qualidade dos serviços de saúde, resultando em diagnóstico tardio, maior risco de interrupção e óbitos por TB, o que constitui importante barreira ao controle da doença1-2,7,21.

Este estudo apresenta limitações decorrentes do uso de dados agregados, o que dificulta inferências individuais a partir dos resultados. Ressalta-se que não foi possível incluir dados posteriores a 2020 nas análises. Durante a etapa de coleta de informações (realizada em 2022), identificou-se que o ano de 2021 apresentava um volume de notificações aquém do esperado, possivelmente porque o sistema ainda não dispunha do registro completo para esse período. Essa defasagem poderia comprometer a consistência dos resultados, motivo pelo qual se optou por não utilizar esse intervalo.

Ademais, a utilização de dados secundários pode estar sujeita a inconsistências decorrentes de subnotificações e preenchimentos inadequados. Por basear-se no preenchimento da ficha de notificação, algumas variáveis clínicas relevantes para a análise não constam da ficha ou não são devidamente preenchidas, o que limita os resultados.

Além disso, os resultados da análise multivariada devem ser interpretados com cautela, dada a natureza proporcional da variável dependente. Existem restrições teóricas quanto ao seu uso em modelos lineares, uma vez que o desfecho é limitado entre 0 e 100, o que pode afetar a normalidade dos resíduos e a homocedasticidade. Todavia, os percentuais observados variaram em uma faixa intermediária, sem valores extremos, o que reduz o risco de distorções associadas à natureza limitada da variável; a análise dos resíduos também não indicou violações graves de normalidade ou homocedasticidade.

A opção pela regressão linear (OLS) teve finalidade essencialmente exploratória, visando identificar associações e padrões espaciais globais e locais, e não estimar efeitos marginais precisos nem realizar inferências preditivas. Desse modo, os coeficientes devem ser interpretados principalmente quanto à direção e à significância das associações, e não como medidas exatas de magnitude do efeito. Estudos futuros poderão empregar modelos mais adequados a desfechos proporcionais, como GLM binomial ou beta, a fim de aprofundar e refinar as estimativas observadas neste estudo. Por fim, embora a Taxa de retratamento tenha apresentado significância no modelo OLS, seus coeficientes próximos de zero indicam efeito reduzido sobre o desfecho.

Por fim, ressalta-se a necessidade de cautela na interpretação dos resultados, uma vez que o uso de dados agregados pode levar a inferências que não representam necessariamente relações válidas em nível individual.

CONCLUSÃO

A proporção dos casos de interrupção do tratamento da TB manteve-se estacionária nos anos analisados, exceto nas regiões Centro-Oeste e Norte, que apresentaram tendência de aumento. As análises espaciais identificaram aglomerados de casos na região Norte, no Mato Grosso do Sul e no litoral do Sudeste. A regressão espacial mostrou que indicadores de vulnerabilidade socioeconômica influenciam o desfecho, positiva ou negativamente, conforme o território.

Diante disso, recomendam-se intervenções práticas voltadas aos fatores socioeconômicos que afetam a saúde, sobretudo das populações mais atingidas, com vistas a prevenir a propagação da TB e a interrupção do tratamento. É fundamental que os profissionais de saúde compreendam as influências territoriais e identifiquem vulnerabilidades no processo saúde-doença, de modo a tornar as ações mais eficazes. Também é essencial investir em ações educativas na atenção primária sobre a importância do tratamento e os riscos de sua interrupção, aumentando as chances de cura.

Sugere-se, ainda, o desenvolvimento de pesquisas futuras que adotem diferentes abordagens metodológicas, como modelos GLM binomial ou beta, capazes de aprofundar a compreensão sobre os fatores que influenciam a interrupção do tratamento da TB. Ressalta-se, também, a necessidade de explicitar essa limitação metodológica na presente discussão, a fim de orientar investigações posteriores e contribuir para o aprimoramento das estratégias de vigilância, prevenção e controle da doença.

  • COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO:
    Rocha MIF, Maranhão TA, da Frota MMC, Albuquerque JN, Figueira JNR, de Abreu AM, et al. Geoespacialização, tendência e fatores relacionados à interrupção do tratamento da tuberculose: um estudo ecológico. Cogitare Enferm [Internet]. 2026 [cited “insert year, month and day”];31:e100798pt. Available from: https://doi.org/10.1590/ce.v31i0.100798pt

Disponibilidade de dados:

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Editado por

  • Editor associado:
    Cremilde Aparecida Trindade Radovanovic

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    08 Ago 2025
  • Aceito
    17 Fev 2026
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