Open-access Práticas de literacia familiar para pré-escolares: uma revisão de escopo

RESUMO

Objetivo  Mapear os estudos que descrevem as práticas de literacia familiar realizadas com crianças pré-escolares.

Estratégia de pesquisa  Consulta nas bases de dados da Lilacs, EMBASE, PubMed, Scopus, LiVIVO e literatura cinzenta. Registro na plataforma Open Science Framework (OSF).

Estratégia de pesquisa  “Child, Preschool”, “home literacy", “Early Intervention Educational” e "Family”.

Critérios de seleção  Foi utilizado o acrônimo PCC: População (Estudos com pré-escolar); Conceito (práticas de literacia familiar); Contexto (ambiente familiar).

Análise dos dados  Dois autores realizaram a identificação e extração dos dados: autores, ano de publicação, população, objetivo e as práticas de literacia familiar realizadas com os pré-escolares.

Resultados  Para a síntese final da revisão de escopo foram incluídos 29 estudos. As práticas informais apareceram com mais frequência.

Conclusão  A prática informal de leitura de livros foi a mais descrita, seguida da leitura compartilhada e o ensino da escrita.

Descritores:
Pré-Escolar; Pais; Linguagem Infantil; Aprendizagem; Estimulação Precoce

ABSTRACT

Purpose  To map studies describing family literacy practices carried out with pre-school children.

Research strategies  Consultation of Lilacs, EMBASE, PubMed, Scopus, LiVIVO and gray literature databases. Registration on the Open Science Framework (OSF) platform. Search strategies: “Child, Preschool”, “home literacy”, “Early Intervention Educational” and “Family”.

Selection criteria  The acronym PCC was used: Population (Studies with preschoolers); Concept (family literacy practices); Context (family environment).

Data analysis  Two authors carried out the identification and extraction of data: authors, year of publication, population, objective and the family literacy practices carried out with preschoolers.

Results  For the final synthesis of the scoping review, 29 studies were included. Informal practices appeared most frequently.

Conclusion

The informal practice of reading books was the most described, followed by shared reading and teaching writing.

Keywords:
Preschool; Parents; Language; Learning; Early Intervention Educational

INTRODUÇÃO

A literacia familiar é um conjunto de recursos e práticas que a criança vivencia com seus pais ou cuidadores, dentre elas, podemos citar atividades formais, referentes ao ensino da leitura e da escrita, que envolvem reconhecimento do alfabeto, leitura e escrita de palavras e identificação dos fonemas, e informais, que envolvem experiências vivenciadas com a família que promovem aprendizagem futura, a saber: interação, brincadeiras ao ar livre, jogos diversos e músicas(1,2).

Essas práticas são fundamentais para fortalecer o vínculo familiar e promover desde cedo o estímulo de atividades que contribuem para preparação aos anos iniciais da educação infantil(1-3).

O processo da educação infantil, compreende a entrada na creche ou na pré-escola, e em sua maioria, configura a primeira separação das crianças dos seus cuidadores para se incorporarem a uma situação de socialização estruturada(3,4).

Ao pensarmos nesse processo, a Educação Infantil é o período que antecede a alfabetização, e esta se divide em dois eixos: a creche que abrange a faixa etária de 0 a 3 anos e 11 meses, e a pré-escola, que compreende as crianças de 4 a 5 anos e 11 meses(4-6).

No Brasil, os direitos de aprendizagem presentes na Base Nacional Comum Curricular, que devem acontecer no Ensino Infantil para os pré-escolares, estão o conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Nesse período, vem se consolidando a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidador como um sujeito indissociável do processo educativo(4).

Considerando diferenças socioculturais e socioeconômicas, as crianças iniciam a fase pré-escolar com capacidades acadêmicas diferentes, e um dos fatores-chave que influenciam essas diferenças é o ambiente familiar. Dessa forma, é proposto que as creches e pré-escolas, ao conhecer as vivências experienciadas pelas crianças no ambiente familiar e no contexto de sua comunidade, façam uma articulação com as propostas pedagógicas(7). Isso porque, um ambiente familiar estimulador, pode favorecer o desenvolvimento de habilidades cognitivas e linguísticas a partir da plasticidade cerebral(6,7).

A participação dos cuidadores na aprendizagem precoce dos pré-escolares tem efeitos significativos e duradouros, não apenas nos resultados acadêmicos iniciais da pré-escola, mas também no desenvolvimento da leitura e da escrita quando a criança inicia o processo de alfabetização(8).

A qualidade do ambiente de literacia familiar pode estar associada a indicadores socioeconômicos e educacionais, mas algumas pesquisas indicaram que também existem diferenças de gênero, em que favorecem as crianças do gênero feminino nos ambientes de alfabetização doméstica, principalmente nas atividades que envolvem leitura de livros e atividades formais de alfabetização(9).

No Brasil, em 2020, foi publicado o Programa de Literacia Familiar, que reconhece a família como ator fundamental para o sucesso educacional dos filhos. Além disso, o programa inclui diretrizes para o “[...] fomento e a promoção de pesquisa científica sobre literacia familiar e seu impacto na aquisição de numeracia e literacia”(1). A preocupação, o incentivo e a promoção das práticas de literacia foram citadas também pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou recomendações para crianças menores de 5 anos, incentivando a leitura e a narração de histórias com os cuidadores como alternativas ao tempo de tela para promover a saúde e o desenvolvimento infantil(10).

O relatório do Programme for International Student Assessment (PISA) de 2022 destacou a importância de reconhecer a família como um ator essencial no desenvolvimento educacional e de fortalecer a parceria entre escola e família, visando envolver os pais no processo de aprendizagem dos filhos(11). No documento, foi observado que os alunos com melhor desempenho acadêmico relatam frequentemente a participação ativa de suas famílias em suas atividades de aprendizagem(11). Em relação aos resultados de leitura, houve uma diminuição de 10 pontos no desempenho dos estudantes, o que enfatiza ainda mais a necessidade de promover e incentivar práticas familiares que contribuam para a aprendizagem nas fases iniciais do desenvolvimento(11).

Dessa forma, embasado nos pressupostos acima citados e, levando em consideração estudos que indicam que melhorar a educação pode estar associado à redução das desigualdades socioeconômicas, bem como que a falta de investimentos na educação podem provocar consequências a curto e longo prazo para a criança e para a sociedade, desenvolver e implementar medidas que enfatizem a importância da educação, do conhecimento e da pesquisa é primordial(12).

Portanto, compreendendo a importância do ambiente familiar para aprendizagem, bem como os impactos positivos que a promoção da literacia familiar pode trazer para sociedade e para comunidade científica, uma vez que, se refere a um tema pouco discutido e pesquisado no Brasil, este estudo objetiva por meio de uma revisão de escopo, mapear os estudos que descrevem quais as práticas de literacia familiar realizadas com pré-escolares.

MÉTODO

Esta revisão de escopo foi registrada na Open Science Framework (OSF)(13) e desenvolvida conforme a metodologia do Joanna Briggs Institute Reviewers’ Manual (12), e relatada segundo o guia para relatório de revisão de escopo Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR)(14).

Critérios de elegibilidade

Como forma de determinar a elegibilidade dos artigos a serem incluídos no presente estudo, foi utilizado o acrônimo PCC:

  • População (P): Estudos com pré-escolar (0 a 5 anos e 11 meses);

  • Conceito (C): Práticas de literacia familiar;

  • Contexto (C): Ambiente familiar.

Critérios de inclusão e exclusão

Estudos observacionais e experimentais que descreveram as práticas de literacia familiar, ou seja, as atividades realizadas com as crianças no ambiente familiar para os pré-escolares (faixa etária de 0 a 5 anos e 11 meses de idade), foram incluídos. Os estudos secundários, livros, relatos de casos, séries de casos, cartas, artigos de opinião e artigos técnicos e diretrizes foram excluídos.

Fontes de pesquisa e estratégia de busca

Cinco bases de dados foram pesquisadas na busca eletrônica: EMBASE, LIVIVO, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), National Library of Medicine (PubMed) e Scopus. Também foram pesquisadas fontes de estudos na literatura adicional, como Biblioteca Digital de Tese e Dissertações. Foram utilizadas as palavras-chave do Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), em conjunto com os operadores booleanos AND e OR, para elaborar as estratégias de busca e realizar as pesquisas nas bases de dados. Todas as fontes foram pesquisadas em 02 de março de 2024 e atualizadas em março de 2025.

Seleção

Foi usado para gerenciar e documentar o processo de revisão, o aplicativo da web Rayyan(15). Em seguida, os artigos duplicados foram excluídos e deu-se início a análise cega e independente por dois autores (MDOF e BA). Os artigos foram selecionados primeiramente por meio da análise dos títulos e resumo e, em seguida, (MDOF e BA) fizeram a leitura dos artigos completos.

Em ambas as fases, quando os critérios de elegibilidade não foram contemplados, os artigos foram excluídos. As discordâncias durante as avaliações independentes foram discutidas entre os revisores e ao persistir, o terceiro autor (SCOFL) revisou os artigos e aplicou sua opinião majoritária.

Extração e armazenamento dos dados

Dois autores realizaram a identificação e extração dos dados. Os dados extraídos foram: autores, ano de publicação, população, objetivo e as práticas de literacia familiar realizadas com os pré-escolares.

Análise e apresentação dos resultados

Os dados foram apresentados no formato de figuras e tabelas.

RESULTADOS

Seleção dos estudos primários

A estratégia de busca nas bases de dados recuperou 1092 referências, totalizando 1075 após a remoção dos duplicados. Durante a fase de leitura dos títulos e resumos, 1032 foram excluídas por não estarem nos critérios de elegibilidade. Foram selecionados 43 estudos para leitura na íntegra. Após a leitura, 14 estudos foram excluídos, resultando em 29 estudos incluídos para a síntese final da revisão de escopo (Figura 1).

Figura 1
Identificação dos estudos

Características dos estudos

Os estudos incluídos foram publicados entre 2001 e 2023 em diversas revistas. Todos os artigos foram publicados em inglês e conduzidos em diferentes países, incluindo Estados Unidos (75,86%)(16-37) Eslovênia (3,44%)(38), Chile (3,44%)(39), Grécia (3,44%)(40), Austrália (10,34%)(41-43) e China (3,44%)(44) (Figura 1).

A idade dos participantes variou entre 9 meses e 5 anos e 11 meses de idade. Todos os estudos incluíram ambos os sexos. Os tamanhos das amostras variaram de 20 a 11.173 participantes. Em relação aos tipos de estudo, apenas foram selecionados estudos observacionais e experimentais.

Vinte e nove estudos citaram as práticas de literacia familiar; desses, 16 (55,17%) descreveram práticas formais e informais, 11 (37,96%) citaram práticas informais e 2 (6,8%) relataram apenas práticas formais.

Em relação às práticas de literacia familiar, as atividades informais apareceram com mais frequência. Entre os estudos, a prática informal de leitura de livros foi descrita em 20 (68,96%) estudos, seguida da leitura compartilhada citada em 10 (34,48%) estudos e o ensino da escrita mencionada em 10 (34,48%) pesquisas.

Quanto às práticas informais, 3 (10,34%) estudos citaram como atividades a contação de histórias, 4 (13,79%) artigos mencionaram cantar músicas, 2 (6,89%) estudos citaram brincar, 10 (34,48%) citaram a leitura compartilhada, 20 (68,96%) referiram ler para as crianças, 2 (6,88%) relataram utilizar jogos que contem letras e números e conversar com a criança sobre como foi o dia, 7 (24,13%) citaram colorir/desenhar, ler antes de dormir, ensinar cores e formas e ir à biblioteca(16,17,19-21,27,30,33,35,38,43) (Tabela 1).

Tabela 1
Resumo das características descritivas gerais dos estudos incluídos (n=29)

As práticas, a citar: conversar com a criança sobre as ilustrações do livro, responder as perguntas da criança, elogiar, conectar conteúdo da leitura às atividades de vida diária, fabricar brinquedos, assistir juntos, brincar com quebra-cabeças, ir ao cinema, ir ao zoológico, fazer piquenique, ler a bíblia revistas e jornais foram citadas em 1 (3,44%) estudo(16,17,19-21,27,30,33,35,38,43) (Tabela 1).

Se tratando das práticas formais, 10 (34,48%) estudos citaram escrita de palavras, 2 (6,88%) citaram ensinar a ler, ensinar o alfabeto, realizar atividades da escola, ensinar o nome das letras, 5 (17,20%) estudos citaram a produção de rimas, 1 (3,44%) estudo referiu ensinar escrever o próprio nome e identificação de grafema e fonema(16,18,21,23,42), (Tabela 1).

As práticas de literacia citadas nos estudos aqui descritos foram realizadas pelos pais, com predomínio da figura materna na realização das atividades formais e informais.

DISCUSSÃO

Esta revisão de escopo compilou os dados a respeito das práticas de literacia familiar realizadas com os pré-escolares, classificadas nos estudos aqui descritos enquanto formais e informais. As práticas formais estão relacionadas ao ensino do nome das letras, ensino dos sons das letras, leitura de palavras e escrita. Essas atividades se associam ao reconhecimento do alfabeto no período pré-escolar e promovem o desenvolvimento de habilidades preditoras para linguagem escrita(16,17).

As práticas informais se referem às atividades que estimulam o desenvolvimento das crianças e posteriormente, estarão associadas às habilidades necessárias para aprendizagem formal da leitura e escrita. Nos estudos revisados foram descritas as práticas de leitura compartilhada, contação de histórias, idas à biblioteca, cantar, fabricar os próprios brinquedos, desenhar e assistir juntos(16,20,21,23,38).

Há relação entre práticas informais e habilidades de linguagem oral, a exemplo dos estudos de Dulin et al.(27), Bingham et al.(20), Puranik et al.(18), Marjanovič-Umek et al.(38), Skwarchuk et al.(16), Hindman e Morrison(21) e Kim(24) que investigaram as práticas informais e seus impactos na linguagem(16,17,20,21,27). Os artigos apresentaram práticas como, leitura de livros, ofertar livros para as crianças, leitura compartilhada e atividades com músicas, e relacionou essas atividades a melhores desempenhos nas avaliações de cognição, bem como, impactos a nível de vocabulário, consciência fonológica e leitura de palavras(16,20,21,38).

No estudo de Riser et al.(17), realizado com 10.400 pré-escolares descendentes de tribos indígenas, a associação das práticas informais à resultados positivos para escala de cognição foi enfatizada, mas, sob a perspectiva de atividades relacionadas à própria cultura, por meio de contação de histórias e de canções. Além disso, havia uma associação entre as práticas de literacia, a renda e o nível de escolaridade materna.

As práticas informais também foram descritas no estudo de Roopnarine e Dede Yildirim(19) que objetivou comparar a participação materna e paterna no ambiente familiar. Dentre os cinco países pesquisados neste estudo, apenas um país teve participação dos pais mais ativa na realização de brincadeiras livres, contação de histórias e fabricação de brinquedos. Nos demais países, as mães eram muito mais propensas a se envolver nas práticas, ademais, as contações de histórias e brincadeiras com as mães foram significativamente e positivamente associadas à identificação de letras(19).

O envolvimento das mães nas práticas de literacia e suas repercussões no desenvolvimento das crianças foi explorado no estudo de Bingham et al.(20), que verificou a qualidade da leitura compartilhada entre mãe-filho, além disso, nos estudos de Hammer et al.(29), Tsirmpa et al.(40), Burgess(22) e Dulin et al.(27), observa-se maior envolvimento da figura materna na execução das atividades(27,29,40). Isso pode estar associado à cultura do cuidado dos filhos à mãe, visto que, ao verificarmos estudos que retratam o cuidador principal, a figura materna é evidenciada de forma mais ativa nesse cuidado(44,46,47).

A respeito das práticas formais, os estudos de Puranik et al.(18), Skwarchuk et al.(16), Hindman e Morrison(21), Hood et al.(42) e Kim(24) observaram correlações entre atividades envolvendo a escrita e suas repercussões para a aprendizagem emergente da escrita, bem como os impactos na linguagem oral e habilidades de leitura(23,42). Além disso, a pesquisa de Puranik et al.(18) enfatizou as correlações entre a escolaridade dos pais e as habilidades de escrita de cartas, ortografia e escrita espontânea das crianças.

No estudo de Kim(24) em que verificou práticas formais, práticas informais e as repercussões no aprendizado de leitura de palavras e pseudopalavras, observou que as crianças expostas à leitura apresentavam desempenho mais elevado na leitura quando comparado os pré-escolares que vivenciam atividades formais, como ensino do nome das letras.

Na pesquisa de Perry et al.(28) que objetivou verificar as preferências entre atividades formais ou informais, os pais relataram preferir as práticas informais voltadas para brincadeiras, envolvendo jogos de tabuleiro, desenhos e leitura de livros de forma lúdica com variações nas entonações vocais.

Apesar da preferência pelas atividades informais, os pais relataram apoiar o desenvolvimento de conhecimento numérico e de vocabulário de seus filhos por meio de atividades como contagem repetitiva e prática de associações de letras e sons(28). Ademais, os pais identificaram atividades de alfabetização como uma ferramenta para transmitir uma mensagem moral ou orientar as crianças para um bom comportamento(28).

Na pesquisa de Tsirmpa et al.(40) foi observado as crenças dos pais referentes aos tipos de práticas que deveriam ser realizadas com os pré-escolares. Observou-se que os pais mais convencionais acreditavam que as crianças devem estar familiarizadas com as letras e números e ser capazes de reconhecer e escrever alguns deles. Em contrapartida, os pais adeptos da educação facilitadora acreditavam que as habilidades motoras finas, percepção visual e coordenação olho-mão deveriam ser trabalhadas, bem como a linguagem oral, para promover a aprendizagem da linguagem escrita(40).

Com relação à escolaridade, foi observado nos estudos de Riser et al.(17), Puranik et al.(18) e Skwarchuk et al.(16) associação entre as práticas de literacia, melhores desempenho nas avaliações de linguagem e nível educacional dos pais(22,40). Ademais, foi verificado que os pais com nível educacional mais elevado consideravam a família como fator primordial no processo de ensino-aprendizagem dos pré-escolares, por outro lado, os pais com nível educacional menos elevado, acreditavam que a escola é a principal responsável por ensinar as crianças(40).

Em contrapartida aos estudos acima citados, nas pesquisas de Förster e Rojas-Barahona(39) e Burgess(22) não houve diferença entre os níveis de escolaridade e as atividades envolvendo leitura. Por outro lado, ao analisarmos a renda socioeconômica, esta estava associada à mais oferta de recursos como livros, jogos com letras e brinquedos(25,26).

No mais, todos os estudos incluídos na revisão citaram a prática informal de leitura de livros, e todos os estudos citaram os impactos das práticas de literacia familiar no desenvolvimento das crianças. Quando comparamos com achados presentes na literatura, a participação da família é enfatizado em diversos estudos como sendo primordial para o sucesso educacional, desenvolvimento linguístico e social, dessa forma, esses dados estão em concordância(48,49).

Nos artigos incluídos foi possível observar que dentre os 29 estudos, 27 foram realizados por países desenvolvidos(16-37). Esse dado pode ter relação com uma maior preocupação desses países acerca do desenvolvimento das crianças e da escolarização, visto que, crianças fora da escola ou que abandonam a escola estão entre os problemas sociais mais importantes do mundo, especialmente em países de baixa e média renda.

De acordo com o Artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os países precisam fornecer a todos o acesso à educação gratuita, além de investir recursos significativos em instalações educacionais, contudo, ao realizar esta revisão, e observar que apenas uma pesquisa foi realizada em um país em desenvolvimento, isso pode ter relação com a evasão escolar citada no estudo acima, bem como, ter associação com os índices educacionais nos países em desenvolvimento.

Dessa forma, a continuidade de pesquisas que visem explorar os aspectos da literacia familiar é primordial. Além disso, realizar estudos experimentais, que observem os resultados das atividades de literacia com famílias em vulnerabilidade social podem contribuir com a educação e por conseguinte, diminuir a evasão escolar, e melhorar os índices educacionais em países em desenvolvimento.

No que se refere às limitações do presente estudo é possível destacar aspectos metodológicos dos artigos encontrados, a citar: ausência de grupo controle nos estudos de intervenção e a distribuição aleatória dos participantes. Quanto aos estudos observacionais, o uso de entrevistas semi-estruturadas com perguntas abertas para investigar os tipos de práticas, pode ter comprometido os resultados se comparado aos que utilizaram protocolos validados.

CONCLUSÃO

A partir do mapeamento das práticas realizadas com os pré-escolares, foi possível observar o predomínio das práticas informais. Dentre as atividades realizadas, a mais citada foi a leitura de livros e, em seguida, a leitura compartilhada. No mais, brincar juntos, fabricar os próprios brinquedos, desenhar, colorir, cantar, ouvir músicas e realizar passeios, foram atividades relatadas pelos cuidadores. Se tratando das práticas formais, ensinar a escrever foi a prática mais descrita.Por fim, há um consenso sobre a importância do ambiente familiar na aprendizagem das crianças e a relação das práticas de literacia familiar com o desenvolvimento da linguagem oral e posteriormente linguagem escrita.

Material Suplementar

Este artigo acompanha material suplementar.

Legenda S1

Legenda S2

Este material está disponível como parte da versão online do artigo na página https://doi.org/ DOI: 10.1590/2317-1782/e20250148en

  • Trabalho realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN - Natal (RN), Brasil.
  • Fonte de financiamento:
    nada a declarar.
  • Disponibilidade de Dados:
    Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.
  • Utilização de tecnologia assistida por inteligência artificial
    Os autores declaram que nenhuma ferramenta de inteligência artificial foi usada na pesquisa aqui relatada ou na preparação deste artigo.

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Editado por

  • Editora:
    Aline Mansueto Mourão.

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    26 Maio 2025
  • Aceito
    04 Nov 2025
Creative Common - by 4.0
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
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