Objetivo Analisar a influência do uso de máscara de proteção facial na produção vocal e na socialização de pessoas trans.
Método Estudo transversal, de amostra por conveniência, realizado com pessoas trans. Para a coleta de dados foi utilizado um breve questionário composto por três questões versando sobre identidade de gênero, conforto no uso da máscara e segurança social ao utilizar esta proteção. O instrumento validado utilizado foi o Índice de Desvantagem Vocal: 10 (IDV-10) e o Índice de Fadiga Vocal (IFV). A coleta foi realizada durante a pandemia de COVID-19 por ter sido o período com maior uso de máscara facial registrado. A análise estatística foi conduzida por meio de estatística descritiva (medidas de tendência central e de dispersão) e inferencial, por meio da regressão logística (nível de significância de 5%).
Resultados Participaram 85 pessoas trans, com idade média de 30,4 anos, sendo 44,7% homens trans e 55,3% mulheres trans. Embora apenas 43,5% dos participantes tenham relatado sentir conforto com o uso da máscara, 75,3% afirmaram sentir maior segurança social durante seu uso. Os escores do IDV-10 e do IFV apresentaram correlações significativas, e a regressão logística demonstrou que o conforto com o uso da máscara foi um preditor estatisticamente significativo para a sensação de segurança social (Z = -3,11; p = 0,002).
Conclusão O uso de máscara de proteção facial exerce um duplo papel na experiência de pessoas trans, causando desconforto vocal, mas promovendo uma sensação ampliada de segurança social.
Descritores:
Pessoas Transgênero; Qualidade de Vida; Qualidade da Voz; Fonoaudiologia; COVID-19; Pandemia