Objetivo Investigar a capacidade do “Auditory processing domains questionnaire (APDQ)”, em sua versão português brasileiro, de diferenciar crianças e adolescentes com diferentes condições de neurodesenvolvimento com base nas respostas de seus responsáveis.
Método Estudo do tipo analítico e multicêntrico. Constituído por responsáveis de indivíduos entre sete e 17 anos de idade, distribuídos em três grupos em função da condição do neurodesenvolvimento, a saber: Grupo Controle (GC); Grupo Distúrbios da Comunicação Humana (GDCH) e Grupo Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (GTDAH). Todos os responsáveis responderam o APDQ, que é uma escala composta por 50 questões reunidas em três domínios. O questionário gera um escore percentual para cada domínio, um total e a possibilidade de risco para alteração no desenvolvimento denominada como desfecho. Os dados foram analisados de forma descritiva e analítica, considerando um nível de significância de 5% (p<0,05).
Resultados Houve diferença significativa entre os grupos na pontuação total e nos domínios do APDQ, indicando que o instrumento consegue diferenciar crianças com e sem alterações do neurodesenvolvimento. No domínio de atenção, verificou-se diferença significativa entre GTDAH e GDCH, permitindo distinguir o desempenho desses grupos. Em relação aos desfechos, o APDQ conseguiu diferenciar os grupos entre si, classificando a maioria dos indivíduos do GC como “escuta normal” e os do GDCH e GTDAH como de risco para “dificuldade na linguagem, aprendizagem e escuta”.
Conclusão O uso do APDQ foi eficaz para distinguir as diferentes condições de neurodesenvolvimento. Destacou-se o domínio da atenção que permitiu diferenciar o GDCH e o GTDAH.
Descritores:
Percepção Auditiva; Inquéritos e Questionários; Audição; Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade; Criança; Adolescentes
Thumbnail
Legenda: Med = mediana; A = grupo controle; B = grupo distúrbio de comunicação humana; C = grupo TDAH. *Teste de Kruskal-Wallis