Open-access Qualidade do cuidado pré-natal e parto no Brasil: comparação entre a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 e 2019

Calidad de la atención prenatal y del parto en Brasil: comparación entre la Encuesta Nacional de Salud de 2013 y 2019

Resumo

O objetivo é estimar a prevalência e comparar indicadores de qualidade do pré-natal e parto das mulheres brasileiras. Estudo transversal com dados secundários, públicos e representativos da população brasileira. Foram consideradas mulheres de 18-49 anos respondentes da Pesquisa Nacional de Saúde. Foram estimadas as prevalências dos indicadores com os intervalos de 95% de confiança considerados para avaliar as diferenças entre 2013 e 2019. Em ambos os períodos foi observada alta cobertura do pré-natal (> 95%), predominantemente realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) (> 70%). Houve aumento na prevalência de informação sobre o serviço de referência para o parto (de 75,1% para 83,2%) e realização do exame de sífilis (de 66,4% para 79,8%), embora a prevalência ainda seja inferior ao ideal. A maioria das mulheres pariu pelo SUS (70%) e o principal profissional envolvido no parto foi o médico (87%). A presença de acompanhantes no parto triplicou nos anos avaliados, porém as taxas de cesárea permanecem elevadas. Houve avanços na assistência ao pré-natal e parto no Brasil nos dois períodos avaliados. No entanto, desafios permanecem, principalmente no diagnóstico e tratamento da sífilis, na inclusão de enfermeiras na assistência e na diminuição das taxas de cesáreas.

Palavras-chave:
Cuidado pré-natal; Trabalho de parto; Qualidade; acesso e avaliação da assistência à saúde

Abstract

The aim is to estimate the prevalence and compare quality indicators of prenatal and childbirth care for Brazilian women. A cross-sectional study with secondary, public, and representative data of the Brazilian population. Women aged 18-49 who responded to the National Health Survey were considered. The prevalence of indicators was estimated with 95% confidence intervals, considering differences between 2013 and 2019. In both periods, high prenatal coverage (> 95%) was observed, predominantly through the Unified Health System (SUS) (> 70%). There was an increase in the prevalence of information about the reference service for childbirth (75.1% to 83.2%) and the performance of the syphilis test (66.4% to 79.8%), although the prevalence is still below ideal. Most women gave birth through the SUS (70%), and the main professional involved in childbirth was the doctor (87%). The presence of companions during childbirth tripled in the evaluated years, but cesarean rates remain high. There have been advances in prenatal and childbirth care in Brazil in the two evaluated periods. However, challenges remain, particularly in the diagnosis and treatment of syphilis, the inclusion of nurses in care, and the reduction of cesarean rates.

Key words:
Prenatal care; Labor; Health care quality; access; and evaluation

Resumen

El objetivo es estimar la prevalencia y comparar indicadores de calidad de la atención prenatal y del parto entre mujeres brasileñas. Estudio transversal con datos secundarios, públicos y representativos de la población brasileña. Se consideraron mujeres de 18 a 49 años que respondieron a la Encuesta Nacional de Salud. La prevalencia de los indicadores se estimó con intervalos de confianza del 95%, que se utilizaron para evaluar las diferencias entre 2013 y 2019. En ambos períodos, se observó una alta cobertura prenatal (> 95%), proporcionada predominantemente por el Sistema Único de Salud (SUS) (> 70%). Hubo un aumento en la prevalencia de información sobre el servicio de referencia para el parto (75,1% a 83,2%) y la prueba de sífilis (66,4% a 79,8%), aunque la prevalencia aún está por debajo de la ideal. La mayoría de las mujeres dieron a luz por medio del SUS (70%) y el principal profesional involucrado en el parto fue un médico (87%). La presencia de acompañantes de parto se triplicó en los años evaluados, pero las tasas de cesáreas siguen siendo altas. Se observaron avances en la atención prenatal y del parto en Brasil en ambos períodos evaluados. Sin embargo, persisten desafíos, en particular en el diagnóstico y tratamiento de la sífilis, la inclusión del personal de enfermería en la atención y la reducción de las tasas de cesáreas.

Palabras clave:
Atención prenatal; Trabajo de parto; Calidad; acceso y evaluación de la atención de salud

Introdução

A qualidade do cuidado prestado no pré-natal e durante o parto e nascimento são componentes estruturantes da atenção à saúde das mulheres durante a gestação e o puerpério. No Brasil, desde a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), vários programas e políticas de saúde foram elaborados, visando a melhoria da saúde materno-infantil, como o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN 2000)1. A melhoria da qualidade das práticas adotadas nessa assistência está associada a melhores desfechos maternos e perinatais2,3.

A Rede Cegonha, em 2011, foi a última estratégia governamental lançada com o objetivo de aperfeiçoar as ações de saúde do binômio mãe-bebê. Para tanto, preconiza um conjunto de práticas voltadas à assistência ao pré-natal, parto e puerpério, como início precoce do cuidado pré-natal, número mínimo de consultas, vinculação da gestante à maternidade de referência e presença de acompanhante durante o parto4. Essa política se baseia nas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) de uma assistência continuada, com ações de prevenção, acesso, diagnóstico, tratamento, informação e apoio social5.

As avaliações sistemáticas de acesso e qualidade ao pré-natal têm considerado indicadores como a proporção de gestantes que se submetem a pelo menos uma consulta, o início precoce dos atendimentos, número mínimo de consultas e recebimento do cartão de pré-natal, a realização de medidas antropométricas, exame físico e solicitação de exames laboratoriais6-8. Contudo, apesar de uma cobertura de atenção ao pré-natal superior a 90%, com 73,1% das mulheres se submetendo a mais de seis consultas no Brasil8, a qualidade dos cuidados ofertados se encontra abaixo do ideal, haja vista que a acessibilidade não significa necessariamente qualidade na assistência prestada. Isso pode ser confirmado ao se observar a razão de mortalidade materna (RMM), que em 2021 foi em torno de 113 mortes ou mais para cada 100.000 nascidos vivos (NVs)9. Dessa forma, a RMM no país ultrapassa a meta prevista no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de 30 mortes por 100.000 NVs até 203010.

Soma-se a isso o aumento das taxas de cesariana, de 15% em 1970 para mais de 50% em 201511. A inadequação do cuidado pré-natal também foi observada no preenchimento incompleto das cadernetas da gestante12, com detecção e tratamento da sífilis gestacional ineficientes13 e orientações insuficientes para aleitamento materno, sinais de trabalho parto e serviço de referência para o parto14. Cita-se, ainda, iniquidades do cuidado pré-natal relacionadas à baixa renda e à menor escolaridade, apesar da alta cobertura15,16. No entanto, muitos desses estudos consistem em avaliações locais, não permitindo o monitoramento dos cuidados em âmbito nacional.

Mais recentemente, houve avaliação em âmbito nacional da estratégia da Rede Cegonha, incluindo maternidades nas quais ocorrem cerca de 50% dos partos no Brasil. O conjunto de estudos mostrou avanços, porém restritos ao componente do parto e nascimento, como maior implantação de boas práticas nos serviços do Sul e do Sudeste17; diminuição das inequidades regionais18; além do aumento da prevalência do contato pele a pele com o recém-nascido (RN) e da amamentação na sala de parto e nas primeiras 24h de vida18. Por outro lado, essa avaliação se restringiu aos hospitais públicos e mistos que aderiram à estratégia, limitando os seus resultados em relação ao cenário nacional. Adicionalmente, não incluiu avaliação do componente pré-natal, com a última avaliação nacional, a partir dos dados da pesquisa Nascer no Brasil, em 2011.

Outro aspecto são as medidas de desfinanciamento do SUS implantadas no país, como o congelamento dos gastos com políticas sociais, incluindo a saúde, por meio da Emenda Constitucional nº 95/201619, o que pode ter afetado a assistência ao pré-natal, entre outras políticas assistenciais de saúde. Reformas ministeriais, como a transferência da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres para o Ministério da Justiça20, e a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), publicada em 2017, que favoreceu a diminuição de agentes comunitários de saúde por equipes da Estratégia Saúde da Família, também podem levar a retrocessos no âmbito da atenção primária à saúde no país, aprofundando as desigualdades sociais e dificultando o acesso à saúde21.

Tendo em vista as mudanças político-programáticas na última década, principalmente durante o período de 2013 a 2019, o monitoramento contínuo da qualidade da assistência às gestantes e parturientes se torna imprescindível. Trata-se de um período crítico vivenciado pelo binômio cujo cuidado em saúde pode acarretar repercussões ao longo de toda a vida desses sujeitos22. Assim, tem-se por objetivo estimar a prevalência e comparar indicadores de qualidade do pré-natal e parto das mulheres brasileiras de 2013 e 2019.

Metodologia

Tipo de estudo, fonte dos dados e população

Trata-se de um estudo transversal, descritivo, com dados secundários e representativos da população de mulheres brasileiras em idade reprodutiva, provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde dos anos de 2013 e 2019, disponíveis no site da Fiocruz pelo link https://www.pns.icict.fiocruz.br/bases-de-dados/.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) consiste em um inquérito de base populacional, que apresenta um panorama geral do desempenho do sistema nacional de saúde, bem como das condições de saúde da população brasileira, de acordo com dados autodeclarados. Foram realizadas 60.202 e 90.846 entrevistas individuais, respectivamente, em 201323 e 201924; o plano amostral da PNS foi detalhado em estudos anteriores25. Para garantir a comparabilidade entre as duas edições da PNS, foram incluídas mulheres de 18-49 anos de idade. Quanto às perguntas, foram incluídas aquelas referentes ao atendimento de pré-natal (módulo S), respondido pelas mulheres que tiveram seus bebês até dois anos antes da coleta dos dados em ambas as edições da pesquisa, totalizando uma subamostra de 1.918 mulheres em 2013 e 2.806 em 2019 (Figura 1).

Figura 1
Fluxograma dos critérios de elegibilidade da população do estudo, PNS 2013 e 2019.

Indicadores e variáveis do estudo

As perguntas do questionário da PNS que se repetiram nas duas edições da pesquisa, permitindo a comparação e que se referem à assistência ao pré-natal e parto, foram classificadas em três dimensões: 1) acesso ao cuidado pré-natal, 2) qualidade do cuidado pré-natal e 3) acesso e assistência ao parto. Para avaliar as três dimensões foram usados indicadores de qualidade de assistência ao pré-natal e parto propostos pela Organização Mundial da Saúde5,26, pelos protocolos do Ministério da Saúde27 e pela Rede Cegonha4. Também foram acrescidas outras variáveis em caráter complementar, conforme a seguir.

Para avaliar o acesso ao cuidado pré-natal, utilizou-se os indicadores realização de pré-natal (sim, não), recebimento do cartão de pré-natal (sim, não), idade gestacional (IG) na primeira consulta de pré-natal (≤ 12 semanas, ≥ 13 semanas), atendente da maioria das consultas (médico, enfermeiro, outros) e número de consultas (≤ 5, ≥ 6)27. Também foram utilizadas as variáveis local das consultas (unidade básica de saúde, centro de especialidades médicas, hospital público ou clínica privada) e consultas pelo SUS (sim, não). A qualidade do cuidado pré-natal foi avaliada pelos seguintes indicadores: informação sobre o serviço de saúde de referência (sim, não, não sabe), em quantas consultas houve aferição de pressão arterial (PA), peso, altura uterina, ausculta do batimento cardiofetal (BCF) (todas, algumas, nenhuma), se examinaram as mamas (sim, não), realização do exame de urina e sangue (sim, não), teste ou exame para detecção de sífilis (sim, não), recebimento do resultado de detecção de sífilis antes do parto (sim, não), resultado do teste ou exame para detecção de sífilis (sim, não), recebimento do tratamento para sífilis (sim, não), solicitação do teste para HIV (sim, não), realização do teste de HIV (sim, não) e quanto tempo transcorreu entre a última consulta de PN e o parto (até uma semana, de uma a duas semanas, mais de duas semanas antes, não sabe)27.

O acesso e a assistência ao parto foram avaliados pelos seguintes indicadores: via de nascimento (vaginal, cesárea)5, atendente do parto (médico, enfermeira, parteira, outros) e presença do acompanhante (sim, não)26. Também foram investigadas as variáveis local do parto (hospital ou maternidade, casa de parto, domicílio, outros), realização do parto no estabelecimento indicado no pré-natal (sim, não, não houve indicação), quantidade de estabelecimentos que procurou até internar (um, dois, mais de dois), realização do parto pelo SUS (sim, não, não sabe), motivo da cesárea (cesárea anterior, ligadura de trompas, não queria sentir a dor, mais conveniente, escolha do médico durante o pré-natal, indicação médica por complicações na gravidez ou no trabalho de parto, indicação médica porque não entrou em trabalho de parto).

Covariáveis

Foram utilizadas as variáveis sociodemográficas a seguir: idade (18-29 anos, 30-39 anos e 40-49 anos), escolaridade (PNS 2013: 0-8, 9-11, 12 ou mais anos de estudo, PNS 2019: 0-9, 10-12, 13 ou mais anos de estudo), cor da pele/raça (branca, preta/parda, amarela/indígena) e região de moradia (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul, Centro-Oeste) para descrever a população de estudo.

Análise dos dados

Inicialmente, foi feita a análise descritiva das mulheres que compuseram a população do presente estudo considerando as características sociodemográficas idade, escolaridade, cor da pele/raça e região de moradia.

Posteriormente, foram estimadas as prevalências dos indicadores e das variáveis, por ano de realização da pesquisa, com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%), o mesmo foi considerado para avaliar as diferenças entre 2013 e 2019. Também foi calculado o percentual de diferença (PC%) entre as prevalências dos indicadores e variáveis, nos anos de 2013 e 2019, quando não houve sobreposição dos intervalos.

Os dados de 2013 foram analisados com peso reponderado, garantindo a comparabilidade com 2019, conforme recomendação28. Foi conduzida uma análise de subpopulação, considerado o método mais adequado para avaliar um subgrupo de inquéritos com amostra complexa29. Para obter a estimativa populacional, foi considerado o desenho amostral complexo (estrato, conglomerado e peso do indivíduo). As análises foram feitas com o auxílio do software estatístico Stata, versão 14, no módulo survey.

Aspectos éticos

Este estudo utiliza base de dados secundários da PNS, disponíveis publicamente, dispensado de apreciação em comitê de ética em pesquisa, em conformidade com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. A PNS teve aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) em julho de 2013 sob o número nº 328.159 e em agosto de 2019 sob o número nº 3.529.376.

Resultados

A maioria das mulheres tinham entre 18-29 anos (61,5% e 53,0% em 2013 e 2019, respectivamente), 47,4% das mulheres em 2013 e 49,3% em 2019 tinham escolaridade média, seguida de baixa escolaridade (36,7% e 26,3% em 2013 e 2019, respectivamente). A maioria das mulheres se autodeclararam pretas/pardas nas duas edições das pesquisas (2013 = 59,3% e 2019 = 62,6%). Em 2013, 38,1% viviam no Sudeste, 28,5% no Nordeste, 14,8% no Sul, 10,3% no Norte e 8,3% no Centro Oeste, distribuição semelhante à de 2019 (36,9%, 29,6%, 12,5%, 11,8% e 9,2%, respectivamente) (Tabela 1).

Tabela 1
Características sociodemográficas das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, PNS 2013 e 2019.

Nove em cada dez mulheres realizaram pré-na tal (PN) e receberam o cartão do pré-natal na consulta, e oito a cada dez tiveram mais de seis consultas de pré-natal nos dois anos avaliados (Tabela 2). Em 2013, 87,8% iniciaram as consultas com menos de 12 semanas de gestação, e em 2019, 91,0% informaram o início do PN precocemente. As consultas foram realizadas predominantemente pelo SUS (2013 = 73,0% e 2019 = 70,9%), e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram os principais locais de realização (2013 = 60,8% e 2019 = 58,3%), seguidas de consultórios e clínicas privadas (2013 = 27,4% e 2019 = 30,7%) (Tabela 2). O profissional que mais conduziu as consultas, tanto em 2013 quanto em 2019, foi o médico (71,5% e 73,5% respectivamente), seguido do enfermeiro (27,4% e 25,8%, respectivamente).

Tabela 2
Prevalência dos indicadores de acesso ao pré-natal de mulheres em idade reprodutiva no Brasil, PNS 2013 e 2019.

Observou-se aumento na prevalência de recebimento de informação sobre o serviço de referência para o parto (2013 = 75,1% e 2019 = 83,2%, PC = +10,8%) (Tabela 3). Quanto ao exame clínico feito nas consultas de pré-natal, pelo menos 90% das mulheres tiveram a pressão arterial aferida e a medição do peso em todas as consultas, e a medição da altura uterina e ausculta do BCF em alguma das consultas em 2013 e 2019 (Tabela 3). Em 2013, 37,1% das mulheres não tiveram as mamas examinadas em nenhuma das consultas, já em 2019 a prevalência da falta desse exame aumentou para 63,8% (PC = +12,85%). Ainda sobre a qualidade da atenção pré-natal, mais de 90% das mulheres fizeram exames de sangue e de urina, com discreta redução (PC = -5,1%) em 2019.

Tabela 3
Prevalência dos indicadores de qualidade do pré-natal de mulheres em idade reprodutiva no Brasil, PNS 2013 e 2019.

Sobre os exames para infecções sexualmente transmissíveis (IST), em 2013 a prevalência de mulheres que realizaram o teste/exame de sífilis alcançou 66,4%. Nesse ano, 98,2% das mulheres receberam o resultado do exame antes do parto e 1,2% testou positivo. Entre as que testaram positivo, 85,4% receberam tratamento. Em 2019, 79,8% fizeram o teste/exame para sífilis, 96,7% receberam o resultado antes do parto, 1,0% testou positivo, e dessas, 74% declararam ter recebido tratamento antes do parto (Tabela 3).

Tabela 4
Prevalência dos indicadores de acesso e qualidade do parto de mulheres em idade reprodutiva no Brasil, PNS 2013 e 2019.

Quanto ao exame de HIV, em 2013 foi solicitado a 89,1% das mulheres, nesse grupo, 95,5% realizaram. Em 2019 houve aumento, pois o exame foi solicitado a 90,0% das mulheres e 99,3% o realizou (PC = +4,0%). Sobre o tempo antes do parto em que se submeteu à última consulta, em 2013, 48,3% das mulheres a realizaram até uma semana antes, e em 2019 a prevalência para o mesmo intervalo de tempo aumentou para 62,6% (PC = +29,2%).

Em relação ao parto, a cesárea foi a via de nascimento mais prevalente (2013 = 54,7% e 2019 = 55,7%), observando-se discreto aumento. Em 2013 e 2019, 87,6% e 87,4% das mulheres, respectivamente, relataram que foram atendidas por médicos. Os enfermeiros aparecem em segundo lugar como profissionais que prestaram assistência ao parto (9,1% e 9,6%, respectivamente). Quanto à presença de acompanhantes durante o parto, no ano de 2013, 59,9% das mulheres relataram que tiveram, com aumento para 85,1% em 2019 (PC = +41,7%). Os principais locais de realização do parto foram os hospitais/maternidades (2013 = 97,9% e 2019 = 71,5%, PC = -14,0%), sendo que em 2019 aumentou a prevalência em outros estabelecimentos. O atendimento ao parto no estabelecimento indicado no pré-natal aumentou de 2013 (62,5%) para 2019 (72,3%), PC = +15,7%. A quantidade de estabelecimentos que procurou até se internar foi majoritariamente dois em 2013 (62,8%) e um em 2019 (67,3%) para a maioria das mulheres.

Os resultados também mostraram que a maioria das mulheres fizeram o parto pelo SUS (2013 = 70,7% e 2019 = 69,2%). Os principais motivos da cesárea em 2013 foram complicações na gravidez ou no trabalho de parto (30,7%), não ter entrado em trabalho de parto (19,6%) e cesárea anterior (13,9%), padrão com pouca variação em 2019 (36,9%, 15,2% e 11,7%, respectivamente).

Discussão

O presente estudo permitiu comparar o panorama geral da qualidade da assistência ao pré-natal e ao parto no Brasil nos anos de 2013 e 2019, período pós-implantação da Rede Cegonha, que por sua vez foi marcado por mudanças políticas e socioeconômicas que podem ter afetado a qualidade desse cuidado.

A comparação das estimativas das duas edições da PNS demonstrou manutenção da elevada cobertura do cuidado pré-natal no Brasil e alguns avanços na assistência prestada, com aumento da informação do serviço de referência para o parto, maior realização dos exames de sífilis e de HIV e diminuição da alta de pré-natal no termo da gestação. Quanto à assistência ao parto, observou-se aumento da presença do acompanhante e maior realização do parto no local referenciado, com diminuição da peregrinação das gestantes. No entanto, o estudo também mostrou a persistência de alguns desafios, como a realização do exame ou teste de sífilis e tratamento das mulheres infectadas ainda abaixo do preconizado, mesmo com o aumento observado no período, e ainda a manutenção de altas taxas de cesárea e a atuação limitada da enfermeira na assistência ao pré-natal e parto.

No que tange especificamente ao acesso ao pré-natal, de cada dez gestantes brasileiras, sete relataram fazer acompanhamento no SUS. Soma-se a isso a realização de mais de seis consultas, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde5. Esses resultados corroboram dados demonstrados pela Pesquisa Nascer no Brasil em 20128, última pesquisa nacional específica sobre o tema no país.

Desde 1988, com a institucionalização do SUS, o acesso ao cuidado pré-natal no Brasil tem se ampliado. O percentual de início do pré-natal precoce aumentou de 59,1% em 1986 para 89,8% em 2013, bem como o percentual de gestantes com mais de qutro consultas, que cresceu de 86,3% em 1996 para 94,0% em 2013, corroborando nossos achados30. A mesma pesquisa também demonstrou diferenças de cobertura entre áreas urbanas e rurais, além de diferenças de acesso por renda, que foram atenuadas ao longo dos anos, evidenciando a importância de políticas como o Programa Saúde da Família e o Programa Bolsa Família para a redução de desigualdades sociais30. A diminuição das inequidades regionais também foi evidenciada em relação às boas práticas da assistência ao parto e nascimento, com aumento do seu uso em regiões mais desenvolvidas e no cuidado às mulheres de maior faixa etária, pardas e pretas e menos escolarizadas, sugerindo efetividade da estratégia Rede Cegonha nesse sentido31. Ressalta-se que os resultados do presente estudo apontam para uma manutenção da cobertura já alcançada na última década.

A Rede Cegonha também tem como um dos indicadores o percentual de gestantes que fizeram todos os exames preconizados, entre os quais é possível destacar os exames de urina, hematócrito e hemoglobina e os testes rápidos para detectar IST4. Ressalta-se que a prevalência de mulheres que testaram positivo para sífilis e receberam tratamento antes do parto foi insuficiente em ambos os períodos estudados, com redução em 2019, evidenciando a dificuldade dos serviços de saúde na oferta de tratamento adequado e acompanhamento das mulheres infectadas. Alguns fatores associados ao tratamento inadequado da sífilis na gestação atual foram descritos em estudos prévios13,32,33. Somase a demora para recebimento dos resultados, falhas na dispensação do medicamento e acompanhamento do tratamento, além de falhas na assistência pré-natal, incluindo atraso ou até ausência33. Além disso, questões estruturais insuficientes da atenção básica no país também foram descritas, como a insuficiência de testes e medicamento para tratamento da doença34.

Esses achados se agravam frente ao crescimento da sífilis gestacional e congênita observado no país nos últimos anos32,35. Tendo em vista os desfechos negativos e irreversíveis, sua crescente prevalência no país configura um grave problema de saúde pública13. Por outro lado, é preciso considerar que a PNS é uma pesquisa autorreferida e respostas sobre testagem, resultado e tratamento da sífilis podem ter sido omitidas em razão do estigma sobre a doença, e aliado a isso o viés de desejabilidade social.

Dessa forma, fica evidente a perda de princípios básicos da APS, como a longitudinalidade, garantida principalmente pelo acompanhamento dos usuários pelos ACS. A PNAB de 201721 e o novo modelo de financiamento do SUS desde 201936, que privilegia a quantidade de procedimentos realizados em detrimento da qualidade, configuram medidas de desmonte do sistema de saúde e tendem a piorar os indicadores de saúde no país.

Em relação à assistência ao parto, houve aumento da prevalência da presença do acompanhante. Trata-se de um direito da gestante, com evidências de benefício para o binômio mãe-be bê37,38. Em 2011, apenas 42,1% dos partos tinham presença do acompanhante, e em 2017 foi constatado que nos mesmos hospitais a prevalência dessa boa prática aumentou significativamente, para 82,1%31, resultados semelhantes aos do presente estudo. Isso demonstra o sucesso da Lei nº 11.108/2005, que garante a presença do acompanhante junto à parturiente, medida reafirmada pela Rede Cegonha, e reforça o papel das políticas públicas para na melhoria da assistência à saúde.

Em 2019, as mulheres estavam mais informadas sobre o local de referência para o parto e o realizaram no local indicado, além da diminuição da peregrinação das parturientes para internação ao longo dos anos, demonstrando êxito no modelo “Vaga Sempre”, instituído pela Rede Cegonha4. No entanto, apesar dessa diminuição, em 2019, aproximadamente 30% das mulheres ainda tiveram que buscar dois ou mais serviços até se internar. Estudo realizado em Belo Horizonte demonstrou que mulheres autorreferidas com cor de pele/raça diferente da branca, com menor escolaridade e menor renda tinham mais risco de vivenciar uma trajetória desfavorável para o parto39. Essa peregrinação caracteriza uma situação que traz riscos à vida das mulheres e de seus conceptos caso o atendimento não ocorra em tempo hábil40. Assim, apesar da melhoria observada no presente estudo, investimentos nesse sentido precisam ser mantidos e reforçados.

Para melhorar os indicadores de saúde materna e infantil, experiências internacionais demonstram que foi preciso fortalecer as equipes multiprofissionais na assistência ao binômio mãe-bebê e expandir os quadros de parteiras e enfermeiras obstétricas41. O modelo de cuidados liderados por essas profissionais apresenta evidências de aumento do parto vaginal, da satisfação materna e da redução da mortalidade perinatal, sendo recomendado pela OMS26,42. No entanto, no Brasil a assistência prestada por essas profissionais ainda é baixa, não atingindo 30% dos atendimentos de pré-natal e 10% das assistências ao parto, como demonstram os achados do presente estudo, apesar de políticas indutoras de formação e inserção dessas profissionais nesse cuidado43. Mesmo assim, estudo que avaliou as práticas de assistência ao parto dos hospitais públicos e mistos que aderiram à estratégia Rede Cegonha demonstrou que a inserção da enfermeira obstétrica tem sido bemsucedida, com maiores chances de parto mais fisiológico e respeitoso44.

Estudo recente mostrou crescimento no percentual de partos assistidos por enfermeiras obstétricas de 16,2% em 2011 para 32,1% em 2017 em 136 hospitais do SUS31. Esse resultado pode advir do estímulo à inclusão dessas profissionais na assistência ao parto4. Esse quantitativo foi maior que o encontrado em nosso estudo, pois incluiu um grupo específico de hospitais30, com maior adesão às diretrizes da Rede Cegonha, talvez por isso tenha apresentado um percentual três vezes maior do que o observado com os dados da PNS. Esse cenário pode ter piorado mais recentemente, com o desmonte na Rede Cegonha e instituição da Rede de Atenção Materno Infantil em 2022, com foco médico-centrado, desarticulada das demais esferas de governo45. Assim, estudos futuros devem continuar com o monitoramento da qualidade dessa assistência, permitindo avaliar as consequências da ruptura com políticas notadamente benéficas e positivas para a saúde da população brasileira.

Nas duas edições da pesquisa, a taxa de cesárea ultrapassou 50%, apresentando crescimento em 2019. No entanto, desde 1985 é conhecida a recomendação da OMS sobre a taxa de cesárea ideal, que varia entre 10% e 15%46. Somado a isso, os principais motivos de realização de cesárea no país, segundo ambas as edições da pesquisa, são: indicação médica por complicações, a mulher não ter entrado em trabalho de parto, o medo da dor e cesárea anterior, indo na contramão das evidências científicas47,48.

Portanto, mesmo com todos esses avanços, permanecem desafios para garantir qualidade na assistência ao pré-natal e ao parto das mulheres brasileiras. O país ainda se encontra distante das metas dos ODS. Para o alcance desses objetivos, torna-se prioritário o investimento na assistência na atenção primária à saúde, bem como maior estímulo para inserção e atuação de enfermeiros e agentes comunitários de saúde. A APS é o nível de atenção que garante vinculação dos usuários, coordenação e longitunalidade do cuidado, sendo um ponto da rede de atenção fundamental para a melhoria dos indicadores de saúde materna e infantil e para a redução de iniquidades.

Limitações

Por se tratar de pesquisa com dados autorreferidos, o presente estudo está sujeito ao viés de desejabilidade social, uma vez que os sujeitos podem omitir informações, subestimando os resultados. Além do viés de memória, tendo em vista que as mulheres respondem sobre a gestação que ocorreu nos dois anos anteriores à pesquisa, apesar de ser um evento marcante na vida da mulher.

Outro limite foram as abstenções para a pergunta sobre idade gestacional em que iniciou o pré-natal na edição de 2019 (n = 1.320), que podem estar relacionadas ao viés de memória, pois os dados sobre pré-natal e nascimento se referem às gestações nos dois anos anteriores à pesquisa, assim as mulheres podem não ter respondido a essa questão por não recordarem quando iniciaram o pré-natal. Assim, não é possível afirmar com segurança que o início precoce do pré-natal no país tenha sofrido variações.

Por fim, no indicador de “realização de exame de sangue” não é possível conhecer exatamente quais exames foram realizados pelas mulheres, diminuindo a precisão da análise. A informação sobre a execução dos testes rápidos também traria mais informações acerca da qualidade da assistência pré-natal, mas essa informação não consta na PNS 2013 no que concerne à sífilis, uma vez que esse exame foi implantado de forma integral na APS após aquele ano.

Conclusão

O presente estudo avança ao monitorar indicadores de qualidade da assistência ao pré-natal e ao parto no Brasil, com melhorias observadas em 2019, o que pode ser resultado de políticas públicas, com destaque para a Rede Cegonha. Destacam-se a manutenção de altas coberturas e número de consultas; o aumento do início precoce do pré-natal, da informação do serviço de referência para o parto, da realização dos exames de sífilis e de HIV; a diminuição da alta de pré-natal no termo da gestação e da peregrinação. Apesar dos avanços, alguns desafios permanecem, como o diagnóstico e o tratamento das IST, a inserção de enfermeiras na assistência materno-infantil e as altas taxas de cesárea. Esses achados evidenciam a necessidade de manter o monitoramento desses indicadores no âmbito nacional e de retomar e fortalecer as políticas públicas, com destaque para a APS e a Rede Cegonha.

Agradecimentos

BNS Santos agradece ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pela bolsa de mestrado (CAPES/PROEX).

Referências

  • 1 Mario DN, Rigo L, Boclin KLS, Malvestio LMM, Anziliero D, Horta BL, Wehrmeister FC, Martínez-Mesa J. Qualidade do Pré-Natal no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Cien Saude Colet 2019; 24(3):1223-1232.
  • 2 Toolan M, Barnard K, Lynch M, Maharjan N, Thapa M, Rai N, Lavender T, Larkin M, Caldwell DM, Burden C, Manandhar DS, Merriel A. A systematic review and narrative synthesis of antenatal interventions to improve maternal and neonatal health in Nepal. AJOG Glob Rep 2022; 2(1):100019.
  • 3 Adongo EA, Ganle JK. Predictors of neonatal mortality in Ghana: evidence from 2017 Ghana maternal health survey. BMC Pregnancy Childbirth 2023; 23(1):556.
  • 4 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Portaria no 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS - a Rede Cegonha. Diário Oficial da União 2011; 25 jun.
  • 5 World health organization (WHO). WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience [Internet]. 2016 [cited 2024 jul 18]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549912
    » https://www.who.int/publications/i/item/9789241549912
  • 6 Nunes JT, Gomes KRO, Rodrigues MTP, Mascarenhas MDM. Qualidade da assistência pré-natal no Brasil: revisão de artigos publicados de 2005 a 2015. Cad Saude Colet 2016; 24(2):252-261.
  • 7 Guimarães WSG, Parente RCP, Guimarães TLF, Garnelo L. Acesso e qualidade da atenção pré-natal na Estratégia Saúde da Família: infraestrutura, cuidado e gestão. Cad Saude Publica 2018; 34(5):e00110417.
  • 8 Viellas EF, Domingues RMSM, Dias MAB, Gama SGN, Theme Filha MM, Costa JV, Bastos MH, Leal MC. Prenatal care in Brazil. Cad Saude Publica 2014; 30(Suppl.1):S85-S100.
  • 9 Organização Mundial de Saúde (OMS). Declaração Conjunta sobre a Redução da Morbilidade e Mortalidade Materna. Genebra: OMS; 2023.
  • 10 Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Assistência ao parto e nascimento: uma agenda para o século 21. Brasília: UNICEF; 2019.
  • 11 Barros FC, Matijasevich A, Maranhão AG, Escalante JJ, Rabello Neto DL, Fernandes RM, Vilella ME, Matos AC, Albuquerque C, Léon RG, Victora CG. Cesarean sections in Brazil: will they ever stop increasing? Rev Panam Salud Publica 2015; 38(3):217-225.
  • 12 Camargos LF, Lemos PL, Martins EF, Felisbino-Mendes MS. Avaliação da qualidade dos registros de cartões de pré-natal de mulheres urbanas. Esc Anna Nery 2020; 25(1):e20200166.
  • 13 Macêdo VC, Romaguera LMD, Ramalho MOA, Vanderlei LCM, Frias PG, Lira PIC. Sífilis na gestação: barreiras na assistência pré-natal para o controle da transmissão vertical. Cad Saude Colet 2020; 28(4):518-528.
  • 14 Domingues RMSM, Hartz ZMA, Dias ABM, Leal MC. Avaliação da adequação da assistência pré-natal na rede SUS do Município do Rio de Janeiro, Brasil. Cad Saude Publica 2012; 28(3):425-437.
  • 15 Cesar JA, Black RE, Buffarini R. Antenatal care in Southern Brazil: coverage, trends and inequalities. Prev Med 2021; 145:106432.
  • 16 Morón-Duarte LS, Varela AR, Bertoldi AD, Domingues MR, Wehrmeister FC, Silveira MF. Quality of antenatal care and its sociodemographic determinants: results of the 2015 Pelotas birth cohort, Brazil. BMC Health Serv Res 2021; 21(1):1070.
  • 17 Bittencourt SDA, Vilela MEA, Marques MCO, Santos AM, Silva CKRT, Domingues RMSM, Reis AC, Santos GLD. Atenção ao parto e nascimento em Maternidades da Rede Cegonha/Brasil: avaliação do grau de implantação das ações. Cien Saude Colet 2021; 26(3):801-821.
  • 18 Gomes MEM, Mendes MAS, Esteves-Pereira AP, Bittencourt SDA, Augusto LCR, Lamy-Filho F, Lamy ZC, Magluta C, Moreira ME. Atenção hospitalar ao recém-nascido saudável no Brasil: estamos avançando na garantia das boas práticas? Cien Saude Colet 2021; 26(3):859-874.
  • 19 Rossi P, Dweck E. Impactos do novo regime fiscal na saúde e educação. Cad Saude Publica 2016; 32(12):e00194316.
  • 20 Gonçalves R, Abreu S. Do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres ao "machistério" de Temer. Rev Pol Publ 2018; 22(2):753-771.
  • 21 Freire DEWG, Freire AR, de Lucena EHG, Cavalcanti YW. PNAB 2017 and the number of community health agents in primary care in Brazil. Rev Saude Publica 2021; 55:85.
  • 22 Trevilato GC, Riquinho DL, Mesquita MO, Rosset I, Silva LGA, Nunes LN. Congenital anomalies from the perspective of social determinants of health. Cad Saude Publica 2022; 38(1):e00037021.
  • 23 Souza-Júnior PRB, Freitas MPS, Antonaci GA, Szwarcwald CL. Desenho da amostra da Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Epidemiol Serv Saude 2015; 24(2):207-216.
  • 24 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: ciclos de vida. Rio de Janeiro: IBGE; 2021.
  • 25 Stopa SR, Szwarcwald CL, Oliveira MM, Gouvea ECDP, Vieira MLFP, Freitas MPS, Sardinha LMV, Macário EM. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: histórico, métodos e perspectivas. Epidemiol Serv Saúde 2020; 29(5):e2020315.
  • 26 World Health Organization (WHO). WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: WHO; 2018.
  • 27 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres. Brasília: MS; 2016.
  • 28 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Pesquisa Nacional de Saúde. Informações referentes às tabelas da PNS 2013 e 2019. Nota técnica 01/2020 [Internet]. 2022 [acessado 2024 abr 1]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/29540-2013-pesquisa-nacional-de-saude.html
    » https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/29540-2013-pesquisa-nacional-de-saude.html
  • 29 West BT, Berglund P, Heeringa SG. A closer examination of subpopulation analysis of complex-sample survey data. Stata J 2008; 8(4):520-531.
  • 30 França GVA, Restrepo-Méndez MC, Maia MFS, Victora CG, Barros AJD. Coverage and equity in reproductive and maternal health interventions in Brazil: impressive progress following the implementation of the Unified Health System. Int J Equity Health 2016; 15(1):149.
  • 31 Leal MC, Esteves-Pereira AP, Vilela MEA, Alves MTSSB, Neri MA, Queiroz RCS, Santos YRP, Silva AAM. Redução das iniquidades sociais no acesso às tecnologias apropriadas ao parto na Rede Cegonha. Cien Saude Colet 2021; 26(3):823-835.
  • 32 Soares MAS, Aquino R. Associação entre as taxas de incidência de sífilis gestacional e sífilis congênita e a cobertura de pré-natal no Estado da Bahia, Brasil. Cad Saude Publica 2021; 37(7):e00209520.
  • 33 Torres PMA, Reis ARP, Santos AST, Negrinho NBS, Menegueti MG, Gir E. Factors associated with inadequate treatment of syphilis during pregnancy: an integrative review. Rev Bras Enferm 2022; 75(6):e20210965.
  • 34 Paula MA, Simões LA, Mendes JC, Vieira EW, Matozinhos FP, Silva TMR. Diagnóstico e tratamento da sífilis em gestantes nos serviços de Atenção Básica. Cien Saude Colet 2022; 27(8):3331-3340.
  • 35 Amorim EKR, Matozinhos FP, Araújo LA, da Silva TPR. Trend in cases of gestational and congenital syphilis in Minas Gerais, Brazil, 2009-2019: an ecological study. Epidemiol Serv Saude 2021; 30(4):e2021128.
  • 36 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Portaria nº 2.979, de 12 de novembro, de 2019. Institui o Programa Previne Brasil, que estabelece novo modelo de financiamento de custeio da Atenção Primária à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde, por meio da alteração da Portaria de Consolidação nº 6/GM/MS, de 28 de setembro de 2017. Diário Oficial da União 2019; 13 nov.
  • 37 Lunda P, Minnie CS, Benadé P. Women's experiences of continuous support during childbirth: a meta-synthesis. BMC Pregnancy Childbirth 2018; 18(1):167.
  • 38 Bohren MA, Hofmeyr GJ, Sakala C, Fukuzawa RK, Cuthbert A. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database Syst Rev 2017; 7(7):CD003766.
  • 39 Amorim T, Felisbino-Mendes MS, Schreck RSC, Ribeiro SP, Rezende EM, Martins EF. Born in Belo Horizonte: the trajectory of parturient women and their reproductive outcomes. Rev Esc Enferm USP 2019; 53:e03441.
  • 40 Moraes LMV, Simões VMF, Carvalho CA, Batista RFL, Alves MTSSBE, Thomaz ÉBAF, Barbieri MA, Alves CMC. Fatores associados à peregrinação para o parto em São Luís (Maranhão) e Ribeirão Preto (São Paulo), Brasil: uma contribuição da coorte BRISA. Cad Saude Publica 2018; 34(11):e00151217.
  • 41 Van Lerberghe W, Matthews Z, Achadi E, Ancona C, Campbell J, Channon A, de Bernis L, De Brouwere V, Fauveau V, Fogstad H, Koblinsky M, Liljestrand J, Mechbal A, Murray SF, Rathavay T, Rehr H, Richard F, ten Hoope-Bender P, Turkmani S. Country experience with strengthening of health systems and deployment of midwives in countries with high maternal mortality. Lancet 2014; 384(9949):1215-1225.
  • 42 Sandall J, Soltani H, Gates S, Shennan A, Devane D. Midwife-led continuity models versus other models of care for childbearing women. Cochrane Database Syst Rev 2016; 4(4):CD004667.
  • 43 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Portaria nº 11, de 7 de janeiro de 2015. Redefine as diretrizes para implantação e habilitação de Centro de Parto Normal (CPN), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União 2015; 7 jan.
  • 44 Gama SGN, Viellas EF, Medina ET, Angulo-Tuesta A, Silva CKRT, Silva SD, Santos YRP, Esteves-Pereira AP. Atenção ao parto por enfermeira obstétrica em maternidades vinculadas à Rede Cegonha, Brasil - 2017. Cien Saude Colet 2021; 26(3):919-929.
  • 45 Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Nota conjunta Conass/Conasems: Rede de Atenção Materna e Infantil (Rami) [Internet] 2022 [acessado 2024 abr 2]. Disponível em: https://www.conass.org.br/conjunta-conass-conasems-rede-de-atencao-materna-e-infantil-rami
    » https://www.conass.org.br/conjunta-conass-conasems-rede-de-atencao-materna-e-infantil-rami
  • 46 Organização Mundial da Saúde (OMS). Declaração da OMS sobre Taxas de Cesáreas [Internet]. 2015 [acessado 2024 abr 2]. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/161442/3/WHO_RHR_15.02_por.pdf
    » http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/161442/3/WHO_RHR_15.02_por.pdf
  • 47 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Manual de gestação de alto risco. Brasília: MS; 2022.
  • 48 American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Practice Bulletin Nº 184: Vaginal Birth After Cesarean Delivery. Obstet Gynecol 2017; 130(5):e217-e233.
  • Editores-chefes:
    Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva, Vânia de Matos Fonseca

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Out 2025
  • Data do Fascículo
    Set 2025

Histórico

  • Recebido
    24 Jul 2024
  • Aceito
    29 Ago 2024
  • Publicado
    31 Ago 2024
location_on
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Av. Brasil, 4036 - sala 700 Manguinhos, 21040-361 Rio de Janeiro RJ - Brazil, Tel.: +55 21 3882-9153 / 3882-9151 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: cienciasaudecoletiva@fiocruz.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro