Em 1971, num processo disruptivo com a cultura dominante, foi iniciada em Portugal a criação de uma rede comunitária de centros de saúde, com cobertura universal do território nacional. Em outubro de 2005, foi impulsionada uma ambiciosa reforma dos CSP. A experiência dessa reforma é agora revisitada, motivando algumas reflexões sobre as lições aprendidas e sobre desafios para o futuro. Os últimos 20 anos foram divididos em quatro períodos: o de 2005 a 2010, marcado pelo impulso reformista que transformou a organização hierárquica tradicional dos centros de saúde em redes de equipes multiprofissionais de saúde familiar; entre 2010 a 2015 decorreu a grave crise financeira que afetou a economia global; de 2015 a 2020, sobressaíram as consequências económicas e sociais e a recuperação pós-crise; finalmente, de 2020 aos dias atuais viveram-se: a pandemia de COVID-19; os efeitos do desgaste pandémico; e, nos últimos dois anos, a generalização da administração conjunta dos cuidados de saúde primários, continuados e hospitalares sob figura jurídica de unidades locais de saúde (ULS). Os autores propõem a integração dos aspetos analisados na perspetiva multidimensional do conceito de Saúde Local.
Palavras-chave:
Centro de Saúde; Reforma dos Cuidados de Saúde Primários; Serviço Nacional de Saúde; Unidades Locais de Saúde; Saúde Local
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Fonte: Autores.