| Atendimento focado na demanda espontânea |
[...] a gente custa conseguir que eles façam o tratamento, muitas vezes eles vêm, resolvem a emergência, aquilo que está incomodando, e não retornam para dar essa continuidade (E2). |
| A dificuldade do paciente dependente químico é que ele só procura quando tem dor, ele, geralmente por problemas familiares, não se sente motivado a procurar para fazer um controle, ele abandona muito o tratamento, só procura quando tem dor, a gente tenta captar, tenta colocar no sistema para ele fazer um tratamento ambulatorial, mas quase sempre ele rejeita (E4). |
| Infelizmente nós não temos um programa voltado para abuso de álcool e drogas, a maioria dos pacientes que vão lá nessa condição são pacientes para a emergência mesmo (E1) |
| “A gente não tem esse treinamento” |
O atendimento é feito como um paciente normal, respeitando os cuidados de não deixar nada muito à vista. Eu não sei se tem alguma outra coisa, porque a gente não tem esse treinamento. (E1) |
| Durante a minha graduação eu tive muito pouco contato, estudo sobre isso, e eu acho que ainda há dificuldades, eu acho que está melhorando um pouco, mas ainda acho que todo mundo ainda tem um bloqueio, limitações, que eu acho que é do ser humano |
| Eu sinto que não tem muito lugar para direcionar essas pessoas caso eu não consiga realizar o atendimento (E3) |
| Em relação aos dentistas, acho que falta um pouco de treinamento dos profissionais para lidarem com isso [...] também nunca tive um treinamento específico, o aprendizado foi mais na minha busca autodidata, no meu interesse de procurar dar a esse paciente um tratamento mais humanizado. (E2) |
| Mas acho que mesmo assim ele tem direito de ser atendido na Unidade referência. Nunca aconteceu de receber encaminhamento do CAPS, não sei se existe esse protocolo. (E5) |
| Complexidade do atendimento |
Infelizmente por conta do tempo, a gente não consegue dar atenção para um grupo específico, por conta dos outros grupos também, acaba que infelizmente eles se perdem, a gente insiste, insiste no paciente, mas acaba que a gente desiste também, não insistindo ou desistindo porque também tem outros pacientes. (E2) |
| são pacientes que não tem como prever a reação, às vezes está tranquilo, às vezes ele se assusta com movimentos ou com a visão de algum instrumental, então eu busco sempre colocar fora da visão dele, não deixar nada ao alcance, e tem que ser com calma e tranquilidade (E1) |
| Já tive um paciente com bipolaridade, que quando ele estava bem, ele ia tudo certinho, quando ele estava medicado ele estava tranquilo, mas aí quando ele não estava, já era essa mesma coisa, de não conseguir cuidar de si, aí ele ficava totalmente dependente, nesse caso, do marido nele, o marido que tinha que levá-lo, ficava totalmente dependente, então acho que é isso, de não conseguir dar uma continuidade. (E6) |
| Um paciente “normal” |
Eu acho que a primeira coisa é a gente se despir desse julgamento e apontamento sobre a situação do outro, porque muitas vezes a maioria dessas pessoas têm uma história de vida muito complicada e que aos poucos vai fazendo ela chegar nessa situação. (E2) |
| [...] ele estando alterado a gente não costuma fazer o atendimento interventivo, porque pode dar interação com alguma substância que ele tenha usado, normalmente a gente pede para ele retornar numa condição melhor para ser atendimento, e esse atendimento é feito como um paciente normal, respeitando os cuidados de não deixar nada muito à vista (E1) |
| [...] a partir do momento que ele não permite, que ele tem alguma resistência, a gente não insiste para não levar a um acidente, a um transtorno pior [...] Ele estando fora do efeito do álcool e da droga, ele é um paciente tranquilo, normal de ser atendido. (E1) |
| Quando o paciente está normal, ele é atendido como qualquer outro paciente, pacientes assim às vezes são encaminhados de clínicas que eles querem ser internados, geralmente eu fico sabendo por algum encaminhamento. Agora quando ele usa álcool não tem como eu saber, às vezes pelo cheiro, mas eu não consigo denominar se ele é um alcoólatra, se ele é usuário por estar com cheiro de álcool, é quando ele me diz na anamnese “eu sou usuário” ou “eu bebo com frequência”, e ele é atendido normalmente. (E4) |
| Um paciente especial |
O paciente com transtornos eu acho que entra na parte de Pacientes Especiais, então eles já têm a prioridade, mas o paciente com dependência química não tem não, por enquanto. (E5) |
| Todos possíveis, a nossa grande dificuldade é o acesso deles na média complexidade, eles são pacientes que precisam de média complexidade, e às vezes eles demoram muito a ter esse acesso (E7) |
| Aqueles que não cooperam, que realmente não tem como fazer o tratamento no ambulatório convencional, aí nós temos que fazer um encaminhamento pro atendimento especializado a pacientes especiais, que é o setor que temos aqui pra encaminhar esses pacientes, pra atendimento com os especialistas e às vezes até sedação (E1) |
| Necessidade de suporte da família |
O paciente de transtorno mental precisa muito do apoio da família, então a intervenção é mais voltada para a família, para os cuidados dessa família perante esse paciente. (E8) |
| Tem que envolver a família, porque ele não tem a consciência de estar mantendo esse tratamento, tem muitos pacientes que não tem a compreensão do que está sendo proposto para ele, então tem que envolver a família e como eu falei, com um acompanhamento profissional mais de perto (E1) |
| Mas eu creio que existe um programa do transtorno mental sim, eu não sei como ele funciona, mas a responsabilidade inicial é da família. (E1) |