Open-access Construções de foco do PB: uma reflexão sobre o princípio da não sinonímia na Gramática de Construções Baseada no Uso

Focus Constructions in Brazilian Portuguese: A Reflection on the Principle of Non-Synonymy in Usage-Based Construction Grammar

Resumo

As relações entre construções alternantes são tratadas com muita cautela por pesquisadores ligados às variadas linhas da Gramática de Construções. Neste artigo, investigamos a não sinonímia entre três esquemas sintáticos de uma subfamília de construções de foco do português brasileiro: a Clivada Canônica (SER X QUE Y), a SerQue (X ÉQUE Y) e a QUE (X QUE Y). Adotando como referência autores como Langacker (1987, 2000), Barlow e Kemmer (2000), Lambrecht (1994, 2001), Bybee (2006, 2010), Hilpert (2014), Diessel (2015, 2019), dentre outros, analisamos como fatores linguísticos associados à estrutura da informação estão inter-relacionados com os padrões de alternância verificados no uso de tais construções, tomando por corpus para tanto uma amostra de fala carioca (Censo-1980 PEUL/UFRJ). Para testar o princípio investigado, as ocorrências do corpus foram processadas estatisticamente num modelo de regressão logística multinominal. Os resultados apontam quais fatores poderiam mais significativamente limitar a livre intercambialidade no uso das construções estudadas, bem como se haveria nessa subfamília construções semanticamente mais próximas.

Palavras-chave:
gramática de construções baseada no uso ; construções de foco ; variação ; não sinonímia

Abstract

The relationships between alternating constructions are treated with great caution by researchers linked to Construction Grammar in its various approaches. In this article, we investigate non-synonymy among three syntactic schemes of a subfamily of focus constructions in Brazilian Portuguese: the Canonical Cleft (SER X QUE Y), the SerQue (X É QUE Y), and the QUE (X QUE Y). Using authors such as Langacker (1987, 2000), Barlow and Kemmer (2000), Lambrecht (1994, 2001), Bybee (2006, 2010), Hilpert (2014), and Diessel (2015, 2019), among others, as references, we analyze how linguistic factors associated with the structure of information are interrelated with the alternation patterns observed in the use of these constructions, using as corpus a sample of Rio de Janeiro speech (Censo-1980, PEUL/UFRJ). To test the principle investigated, the occurrences in the corpus were statistically processed using a multinomial logistic regression model. The results indicate which factors most significantly limit the free interchangeability in the use of the studied constructions, as well as whether there are semantically closer constructions within this subfamily.

Keywords:
usage-based construction grammar ; focus constructions ; variation ; non-synonymy

1. Introdução

Na linguística, tornou-se quase axiomático que a completa sinonímia não existe, ou seja, que diferentes formas devem implicar significados diferentes (cf. Ullmann, 1964; Haiman, 1980). Como exemplo de declarações representativas desse axioma, Haiman menciona Bloomfield (1933), Nida (1958, p. 282) e Bolinger (1968, p. 127). Nas palavras de Bloomfield:

Cada forma linguística tem um significado constante e específico. Se as formas são foneticamente diferentes, supomos que os seus significados são também diferentes. […] Supomos, em resumo, que não há sinônimos reais1. (Bloomfield, 1933, p. 145, apudHaiman, 1980, p. 516)

Realmente, quando lidamos com formas diferentes, é natural supor que exista alguma diferença de significado entre elas e, na vasta maioria dos casos, há, de fato, uma distinção - muito embora isso possa, às vezes, ser difícil de formular. Adentrando na discussão do princípio em tela, neste artigo, analisamos a não sinonímia entre três esquemas que integram uma subfamília de construções de foco argumental do português brasileiro (PB), a saber: a Construção Clivada Canônica, a Construção SerQue2 e a Construção Que, referenciadas por nós como Construções de Foco com Palavra QU Invariável (daqui em diante QUInv). As construções estudadas são representadas pelas formas abaixo, onde X remete ao constituinte/elemento3 que codifica o referente focalizado e Y ao segmento oracional não focal que expressa a pressuposição - numa relação funcional do tipo “foco x pressuposição” (Prince, 1978; Lambrecht, 1994, 2001):

(i) Construção Clivada Canônica [SER X QUE Y]:

FOI Joana QUE escreveu uma carta para Pedro ontem.

FOI uma carta QUE Joana escreveu para Pedro ontem.

FOI para Pedro QUE Joana escreveu a carta ontem.

FOI ontem QUE Joana escreveu para Pedro.

(ii) Construção SERQUE [X ÉQUE Y]:

Joana É QUE escreveu uma carta para Pedro.

Uma carta É QUE Joana escreveu para Pedro.

Para Pedro É QUE Joana escreveu a carta.

Ontem É QUE Joana escreveu para Pedro.

(iii) Construção QUE [X QUE Y]:

Joana QUE escreveu uma carta para Pedro.

Uma carta QUE Joana escreveu para Pedro.

Para Pedro QUE Joana escreveu a carta.

Ontem QUE Joana escreveu para Pedro. 4

Apesar de essas construções serem formalmente distintas, os exemplos acima indicam que elas expressam o que aparentemente pode ser considerado o mesmo conteúdo, interpondo algumas questões concernentes à variação e não sinonímia. Observa-se que tais construções compartilham muitas semelhanças quanto aos padrões de preenchimento de seus slots construcionais e também quanto à possibilidade de combinarem com diferentes esquemas sintáticos da língua. Funcionalmente, elas servem à focalização de uma gama de elementos posicionados à esquerda da palavra "QUE", enquanto, à direita, o segmento oracional não focalizado (Y) veicula um conteúdo pressuposto, apresentado como “fato conhecido" (Prince, 1978) ou fato “não negociável” (Delin, 1992). Com essa configuração, as QUInv também podem desempenhar funções semelhantes na organização da estrutura (sub)tópica do discurso (Hasselgård, 2004; Brito, 2021).

Assumindo que as construções de foco QUInv são formalmente distintas, nossa hipótese é que a maneira como são codificados os constituintes (X e Y) que as instanciam está diretamente relacionada a como cada construção serve, particularmente, ao propósito de relacionar o que está sendo dito com aquilo que já foi dito (ativo), ou seja, ao modo como cada uma se comporta quanto ao “empacotamento” de informações e à organização do discurso (Prince, 1981; Hilpert, 2014).

No presente estudo das construções que tomamos como objeto, consideramos dados empíricos de enunciados extraídos da Amostra Censo-1980, coletada e organizada pelo Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL)5, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com registros de fala carioca colhidos no período de 1980 a 1982. O corpus constitui-se das amostras de 64 informantes, com as transcrições de cerca de 64 horas de gravações.

Para verificar a não sinonímia entre as construções QUInv, os grupos de fatores analisados foram submetidos a um tipo especial de regressão logística de modelos mistos. Esse teste é particularmente popular em modelos multifatoriais probabilísticos, que explicam a escolha do locutor entre dois ou mais sinônimos ou variantes com base em fatores de ordem linguística ou extralinguística (Levshina, 2015). Amplamente utilizado em pesquisas sociolinguísticas, o teste de regressão logística tem sido empregado em estudos construcionistas, a exemplo de Bresnan et al. (2007), Perek e Goldberg (2015), dentre outros.

O artigo se organiza, portanto, da seguinte forma: na próxima subseção, apresentamos o arcabouço teórico que norteia a discussão sobre o tratamento da não sinonímia na Gramática de Construções Baseada no Uso; na subseção 3, testamos alguns grupos de fatores linguísticos relacionados tanto à codificação de referentes na posição de foco quanto às propriedades argumentais e pressuposicionais das sentenças que as instanciam. Ainda na subseção 3, discutimos os grupos de fatores selecionados como mais significativos; por fim, a seção 4 encerra o artigo com algumas considerações.

2. Aspectos teóricos: não sinonímia x variação linguística

Na Gramática de Construções (doravante GC), questões envolvendo esquemas sintáticos são discutidas no âmbito das associações simbólicas. Diessel (2019, p. 14-15) sustenta que as associações simbólicas constituem o cerne da definição tradicional de signo linguístico. Se tradicionalmente a noção de signo como emparelhamento forma-função era restrita a lexemas, na linguística cognitiva, as construções (esquemas) também passaram a ser vistas como signos que unem uma estrutura particular (significante) a um significado. Em outros termos, podemos dizer que um dos preceitos mais característicos da GC (em qualquer uma de suas linhas) é o de que não há uma estrita divisão entre a sintaxe e o léxico.

Obviamente, não se ignora que os processos conceituais mobilizados pelas construções não são idênticos àqueles dos lexemas individuais, mas, ao assumir que as construções podem ser entendidas como signos que mantêm relações associativas com outros signos, trazemos à baila formulações que antes eram mais exploradas apenas no âmbito da semântica lexical, como é o caso da sinonímia.

Em Goldberg (1995), o axioma clássico é evocado na defesa muito extremada da não sinonímia entre construções sintáticas, numa das reações à maneira como “formas alternativas” eram interpretadas como “derivações” de uma estrutura profunda, na tradição transformacional gerativista (Uhrig, 2015, p. 324). Posicionamento que, seguido por outros pesquisadores construcionistas, acabou criando muitas restrições quanto ao tratamento de construções alternantes. Vale relembrar os corolários trazidos por Goldberg:

II. O Princípio da Não Sinonímia: Se duas construções são sintaticamente distintas, elas devem ser semanticamente ou pragmaticamente distintas (cf. Bolinger, 1968; Haiman, 1985a; Clark, 1987; MacWhinney, 1989). Aspectos pragmáticos das construções envolvem particularidades da estrutura da informação, incluindo tópico e foco, e além disso aspectos estilísticos [...].

Corolário A: Se duas construções são sintaticamente distintas e S(semanticamente)-sinônimas, então elas não devem ser P(pragmaticamente)-sinônimas.

Corolário B: Se duas construções são sintaticamente distintas e P-sinônimas, então elas não devem ser S-sinônimas6. (Goldberg, 1995, p. 67-68)

Todavia, apesar da não sinonímia ainda constituir um dos princípios mais observados nos trabalhos de campo da Gramática Cognitiva (GC), pesquisadores como Bybee (2010; 2013), Braga, Leite de Oliveira e Barbosa (2013), Hilpert (2014), Perek (2015), Perek e Goldberg (2015), e Leite de Oliveira (2019), entre outros, defendem que há espaço na GC para considerar a questão da gradiência e da variação entre construções que, em determinados contextos de uso, se mostram semanticamente equivalentes. Duas propostas têm sido importantes para a formulação de um tratamento construcionista de fenômenos de variação entre construções alternantes: i) a de “aloconstruções”, apresentada por Cappelle (2006; 2009); e ii) a de categorização por exemplares, de Pierrehumbert (2001), retomada por Bybee (2010; 2013).

Perek (2015, p. 148) acredita que a relutância de longa data dos gramáticos de construções em incluir alternantes sintáticas no conjunto de entidades armazenadas no conhecimento linguístico, muitas vezes excluindo-as do inventário de unidades gramaticais, decorre, provavelmente, do fato de que as alternantes sintáticas eram a marca registrada de anteriores análises transformacionais e derivacionais, e, consequentemente, passaram a ser vistas com alguma suspeita no início da Gramática Cognitiva (GC). Apesar disso, na última década, essa questão tem sido mais amadurecida no âmbito da Gramática de Construções Baseada no Uso (GCBU), em grande parte devido a uma aproximação com a Sociolinguística Variacionista.

Em paralelo, nas discussões no campo da semântica, um avanço em relação à noção tradicional de sinonímia é trazido por A. Cruse. Segundo Cruse, se considerarmos a sinonímia simplesmente como semelhança de significado, ela pode constituir uma relação bastante desinteressante. No entanto, se assumirmos que “os sinônimos são palavras cujas semelhanças semânticas são mais salientes do que suas diferenças, então, uma área potencial de interesse se abre”7 (Cruse, 2004, p. 156). A proposta de Cruse está incorporada à concepção de aloconstruções, segundo a qual, ao invés de captar pontos em que duas ou mais construções seriam semanticamente equivalentes, esse modelo especifica exatamente como as construções diferem entre si (Perek, 2015, p. 153).

Vários estudos recentes argumentam que a rede gramatical não envolve apenas relações taxonômicas entre construções em diferentes níveis de abstração, mas também relações horizontais entre construções semelhantes (por exemplo, Cappelle, 2006; Van de Velde, 2014; Perek, 2015). Duas ou mais formas podem diferir em estilo, estrutura da informação e conceituação, mas ainda serem próximas o suficiente para que os falantes possam, frequentemente, escolher entre elas. Para Diessel (2019), dado que sempre existem formas alternativas de expressar uma intenção ou significado semelhante, os falantes precisam tomar decisões sobre como se comunicar. No entanto, isso não implica que a escolha específica entre alternativas possíveis seja sempre totalmente consciente. As decisões dos falantes na conversa espontânea, especialmente online, frequentemente resultam de estratégias rotinizadas e inconscientes, e sabe-se que decisões recorrentes tendem a se tornar automatizadas.

Por fim, no que diz respeito às construções de foco abordadas neste artigo, observamos que alguns contextos favorecem o princípio da não sinonímia, enquanto muitos outros desafiam uma defesa categórica desse princípio, como demonstrado em Brito (2021). Em suma, a possibilidade de alternância no uso dessas construções raramente é completamente vetada, mas isso não significa que todas as variantes sejam igualmente utilizadas em qualquer contexto.

A seguir, apresentamos um teste sobre a não sinonímia entre as construções investigadas, utilizando um modelo de regressão logística multinomial (ou politômica), que reúne todos os preditores considerados na análise dos padrões de preenchimento. Em seguida, discutiremos os resultados, com ênfase nos grupos de fatores mais significativos.

3. Teste da não sinonímia

Para Hilpert (2014, p. 186), as ferramentas da Sociolinguística Quantitativa têm se mostrado imensamente úteis e indispensáveis para a pesquisa construcional. Em particular, o conceito de regra variável , termo cunhado por Labov, que refere-se a casos em que a variabilidade pode ser medida por regras gramaticais que dependem de uma série de fatores, cada um influenciando a probabilidade de a regra ser aplicada ou não.

A análise da variabilidade ajuda a identificar quais fatores mais influenciam a probabilidade de uma regra ser aplicável ou não. Isso significa que a aplicação da regra não é aleatória, mas probabilística, pois a presença ou ausência de certas características contextuais torna mais ou menos provável que uma regra se aplique de fato (Hilpert, 2014, p. 186). Acreditamos que a análise da variação entre construções semelhantes nos permite construir modelos detalhados e realistas de partes do constructicon.

Antes de prosseguirmos com a investigação dos grupos de fatores relacionados ao elemento focalizado (X) e ao seguimento não focal (Y), é importante observar que, no corpus de fala analisado, as construções da subfamília das QUInvs apresentam diferentes padrões de produtividade e frequência, como mostra a distribuição expressa na tabela 1, representada no gráfico 1:

Tabela 1:
Distribuição das construções de foco QUInv na Amostra Censo-80

Gráfico 1: Distribuição
das construções de foco QUInv na Amostra Censo-80

Os dados indicam que na fala informal a construção QUE apresenta uma alta frequência de uso em comparação com as demais estratégias investigadas. No entanto, é importante ressaltar que o contexto e a modalidade de uso podem influenciar o emprego dessas construções. Por exemplo, um estudo realizado por Simões (2020) mostrou que, na escrita formal, a construção Clivada Canônica é mais frequente do que as outras, parecendo constituir, nessa modalidade, a estratégia não marcada mais frequente. Também é importante destacar que o corpus se restringe ao português falado no Rio de Janeiro, o que naturalmente levanta questionamentos sobre a possibilidade de generalização dos resultados para outras variedades do português brasileiro.

Para compreender melhor as frequências encontradas, analisamos a significância de diversos grupos de fatores linguísticos8, considerando a alternância de uso dos esquemas [SER X QUE Y], [X QUE Y] e [X É QUE Y] ] propriedades formais correlacionadas à maneira como os referentes do discurso são codificados no slot de foco (X), incluindo: “status informacional”, marcação formal de definitude, categoria gramatical, ordem dos constituintes sintáticos e tamanho de X, além da marcação do traço de animacidade em X. Quanto ao segmento sentencial (Y)9, investigamos se há restrições formais e/ou pragmáticas associadas aos esquemas de estrutura monoargumental, biargumental e triargumental, bem como às propriedades pressuposicionais ligadas à sinalização de relevância pragmática. Essas restrições poderiam revelar contextos em que a intercambialidade das construções estudadas é menos provável.

O teste de regressão logística, ou de log, analisa as relações entre uma variável de resposta categórica, com dois ou mais valores possíveis, e uma ou mais variáveis ​​explicativas ou preditores. Estudos tradicionais de variação nos possíveis resultados de aplicação de uma regra utilizam um modelo logístico binomial ou dicotômico, geralmente executado com o auxílio do programa de análise estatística GoldVarb-X (Sankoff et al., 2005; Guy e Zilles, 2007). Mais recentemente, o ambiente R tem sido utilizado para testes de regressão logística binomial que consideram modelos de efeitos mistos com variáveis aleatórias, utilizando o pacote “Rbrul” (Levshina, 2015, Cap.12). Para variáveis com três ou mais resultados (sinônimos próximos), emprega-se um modelo de regressão multinomial ou politômica (Levshina, 2015, cap.13). Neste trabalho, a regressão multinomial foi realizada no R, utilizando o pacote “mlogit” (Croissant, 2020), e o Software IBM-SPSS Statistics.

No caso das construções estudadas, a construção QUE foi utilizada como nível de referência para a variável de resposta, com a qual todas as outras aloconstruções foram comparadas. Essa opção se justifica pelo fato de a construção QUE ser a menos marcada dentre as estruturas pesquisadas (Levshina, 2015, Cap. 13). O objetivo foi verificar se, em determinados contextos de uso, a escolha de uma das alternativas pelo falante é previsível, ou seja, identificar quais preditores restringem mais significativamente o intervalo de contextos em que cada construção pode ser utilizada com sucesso. O resumo dos resultados do teste é apresentado na tabela 2:

Tabela 2:
Teste de regressão logística considerando variáveis de efeito fixo

O processamento revelou que muitos dos preditores têm um efeito significativo sobre a escolha das alternantes QUInv, indicando que existem contextos nos quais uma construção pode soar significativamente mais marcada do ponto de vista pragmático em comparação com outra. Os grupos de fatores estatisticamente significativos10 para a não sinonímia foram: i) Estrutura Argumental (p-valor < 0,001); ii) Definitude (p-valor = 0,002); iii) Categoria Gramatical (p-valor = 0,007); e iv) Status Informacional (p-valor = 0,008)11. O detalhamento da distribuição probabilística de cada construção nos contextos selecionados é apresentado na tabela 3:

Tabela 3:
Efeitos fixos dos grupos de fatores selecionados no modelo

Na tabela acima, destacamos os contextos em que o uso de uma das alternantes pode ser favorecido ou desfavorecido de forma estatisticamente significativa. Nesses casos, uma estimativa de valor positivo (coluna “Estimate”) indica que o contexto favorece a chance de o falante escolher a construção; por outro lado, um coeficiente negativo sugere que é menos provável que a construção seja escolhida no contexto.

Com base nos dados apresentados, é possível sustentar, como argumenta Lyons (1968, p. 452), que a sinonímia é mais dependente do contexto do que de qualquer outra relação de sentido. A seguir, discutiremos os contextos mais significativos, conforme a ordem apresentada na tabela.

Status Informacional do referente do elemento focalizado

Pesquisas indicam que a focalização, enquanto fenômeno pragmático, está diretamente relacionada à forma como as informações são introduzidas e/ou organizadas na interação linguística. Nesse sentido, a seleção do material que preenche o slot de foco em uma construção QUInv pode ser motivada pelo status informacional do referente do elemento codificado nessa posição (cf. Prince, 1978; Lambrecht, 1994; 2001; Braga e Barbosa, 2009; entre outros).

O status informacional dos referentes de constituintes sintáticos não oracionais (daqui em diante denominado “status informacional”) é uma importante variável discursivo-pragmática, frequentemente associada na literatura a mecanismos linguísticos como foco, definitude e identificabilidade, contrastividade, topicalização, traços semânticos dos SNs, entre outros. No entanto, a distinção entre dado e novo ainda é considerada sob diferentes perspectivas nos estudos linguísticos, como demonstra Brito (2021, p. 52-71)

O presente estudo dos referentes dos elementos focalizados baseia-se na classificação dos tipos de status proposta por Prince (1981; 1992), que originalmente inclui os status evocado, inferível e novo, e adiciona um quarto status, o amploevocado (Brito, 2021); configuração que consideramos mais apropriada para o estudo das construções de foco. Seguem alguns exemplos:

(1) F- [(inint)]- Os médico disseram que foi meningite: a febre muito alta. Ela traspassou do termômetro, não tinha nem febre para (est) tirar mais. Passou de quarenta grau. O médico disse que ela já estava já cozida por dentro, (est) então FOI a meningite QUE atacou. Aí, não teve... deu... aplicou três injeção na espinha, para tirar o líquido, já estava em água. (Inf. 12) (Status Evocado)

(2) F- Eu não gosto muito de carnaval, porque sai bastante morte, (est.) pessoa doente, (hes) atropelada, não é? Por isso QUE eu não gosto do carnaval não. Eu acho que, se for para a pessoa botar em risco a vida dele e a dos outro, é melhor o cara não se ligar muito ao carnaval. Isso QUE eu acho do carnaval. (est) (Inf. 01) (Status Amploevocado)

(3) E- Por ela? Ou pela sociedade?

F- Pela sociedade também, porque aqui em Santa Cruz (inint) muito pequeno, (‘sei que’). Qualquer coisinha acontece corre logo.

E- Você acha isso bom?

F- Não. Não acho bom mesmo! Porque fofoqueira aqui É QUE não falta. Tipo essas mulheres que a gente passa assim a gente está com uma saia mais curta, uma calça mais apertada, gente passa, quando a gente passa de novo no outro dia: ‘Foi aquela ali, aquela ali’ (inint) de cochicho, (‘olhando’) assim para gente, apontando. (Inf. 54) (Status Inferível)

(4) F- Não saiu só meu retrato, não. Meu retrato saiu, foi o maior retrato que saiu na frente, assim, do jornal e tal, mas depois saiu aqueles três por quatro, aquela porção [de]- de retratos pequenininho de moradores aqui, não é? e outras pessoas falaram, não é? ‘Não, ele é antigo, ele não sai dessa praça.’ (tosse do falante) Desculpe. ‘Está todo dia aí na praça e tal.’ Naturalmente alguém contou uma estória, porque existiu uma estória assim. FOI um balão QUE caiu, numa casa, e na hora de apanhar o balão, o sujeito roubou o papagaio do garoto. E eu vi [quando o cara-] papagaio, esses periquito, papagaio mesmo, não é? Eu vi quando o cara passou com o papagaio, mas não sabia que era- o cara estava roubando o papagaio, nem nada (…) (Inf. 31) (Status Novo)

No exemplo (1), o constituinte “a meningite”, focalizado em uma construção Clivada Canônica, é um sintagma nominal (SN) sujeito definido e identificável. Nesse exemplo, o referente codificado pelo SN pode ser facilmente recuperado da porção textual imediatamente precedente, ou seja, é evocado textualmente. No exemplo (2), por sua vez, há duas construções QUE nas quais os pronomes “isso” encapsulam conteúdos proposicionais anteriormente referidos. Em termos cognitivos, de “esforço de processamento”, esse tipo de referente, codificado por formas anafóricas e pronomes demonstrativos neutros, distingue de outros de status evocado, pela capacidade de recuperar porções maiores de texto ou referências estendidas (Halliday e Hasan, 1976). Motivo pelo qual classificamos esse tipo de referente, que é muito produtivo nas construções investigadas, como de status amploevocado. No exemplo (3), o referente do SN focalizado (“fofoqueira aqui”) pode ser inferido pelo contexto (pessoas da sociedade de Santa Cruz, lugar pequeno, que fazem com que “qualquer coisinha” que aconteça no bairro vire notícia que “corre logo”). Embora o referente seja relativamente novo no discurso (Prince, 1992), o falante supõe que essa associação entre “fofoqueira aqui” e o comportamento das pessoas do bairro seja óbvia ou inferível, e não propriamente uma referência nova para o ouvinte. Por fim, no exemplo (4), a porção focalizada da construção Clivada Canônica é instanciada pela entidade referida pelo SN indefinido “um balão”, que corresponde a uma informação que seria nova para o ouvinte e nova no discurso (Prince, 1992). Nesse exemplo, o status informacional do referente em foco pode ser classificado como novo. Segue gráfico 2 que ilustra os resultados encontrados no teste dessa variável:

Gráfico 2:
Rede de relações da variável Status Informacional do Elemento Focalizado

O computo dos dados mostrou que, quanto a essa variável, as QUInv compartilham um padrão semelhante, preferindo a focalização de referentes evocados. Contudo, ao diferirmos os tipos de informação evocada, verificamos que a probabilidade de o falante utilizar a construção SerQue é significativamente menor quando aplicada à focalização de referentes de status amploevocado (p-valor > 0,031) e novo (p-valor > 0,037). A construção SerQue não apresentou dados confiáveis para referentes novos, sendo necessária uma ampliação da amostra para investigar se essa construção possui restrições significativas para a instanciação de referentes novos na posição de foco.

Concluímos que, em relação à variável status informacional, as construções QUE e Clivada Canônica apresentam padrões mais próximos e podem ser consideradas, portanto, ser consideradas mais sinônimas neste contexto.

Definitude

No estudo das construções pesquisadas, tratamos a categoria gramatical de definitude como uma marcação formal que indica se o referente de uma expressão nominal, codificada por um substantivo, pronome ou frase nominal, é conceitualmente assumido pelo falante como identificável pelo ouvinte (Lambrecht, 2001).

Chafe (1976) foi um dos primeiros a considerar uma correlação entre definitude e status informacional no “empacotamento” da informação. Contudo, é preciso tratar com a devida cautela a possível equivalência entre essas categorias. Como esclarece Prince (1992, p. 300), a sinalização de definitude, como propriedade formal, pode ou não estar relacionada ao status informacional, que é uma propriedade conceitual das entidades no discurso. Acreditamos que qualquer análise de propriedades conceituais baseada exclusivamente na forma linguística tende a ser imprecisa. A seguir, analisaremos alguns exemplos:

(5) F- Por causa disso. Eu tinha vontade de oferecer alguma coisa, não é? Ao meu semelhante e não tinha como. Eu não sou- não recebo santo para poder dar passe, não faço nada disso. Então, ali é que eu achei que eu podia, através do jorei, salvar as pessoa. Está doente, me chamou, eu vou lá, ministro o jorei, as pessoas se sente <mais>- melhor. Não- a matéria não. A matéria É o médico QUE vai cuidar. Mas através do jorei, a pessoa tem um esclarecimento de qual é [o]- o lugar que tem que ir, o que que tem que fazer. É assim. (Inf. 37)

(6) E- Teu pai e tua mãe trabalham muito, assim, tem umas (‘dias’) [muito]- muito ativas?

F- Não, meu pai trabalha à beça, não é? Pode não trabalhar, mas ele gosta mesmo, (‘ele’) trabalha. Agora, minha mãe não, é só, assim, [até]- até meio dia. Ela não trabalha muito não. É um trabalho meio de preguiçoso QUE ela faz. (Inf. 22)

(7) F- (…) Ela- eles mandam é <perg-> mandam eu falar assim para ela: (grito) ‘Por que que você está se metendo na minha vida, quem manda na minha vida sou eu, como a senhora diz. Cada um cuida da sua.’ Eles querem que eu [fale isso,] mas se eu falar, eu vou para diretoria, vou ficar lá em pé, ou então vou varrer o pátio, ou então vou fazer cópia, É um montão de castigo QUE ela dá. (est) (‘que’) o pior castigo é chamar o pai, [porque que ela (inint) tanta bagunça]. (inf. 52)

Em (5), o slot de foco da construção Clivada Canônica é preenchido pelo SN formalmente definido (“o médico”), que ativa um referente novo, em primeira menção no discurso, do tipo não-utilizado ancorado. Em (6) e (7) o foco recai sobre dois referentes, respectivamente evocado e inferível, indicando que, mesmo quando ativo no escopo de atenção, o referente do constituinte focalizado também pode ser codificado por uma forma gramaticalmente indefinida.

É importante destacar que nem toda forma linguística definida ou indefinida corresponde diretamente a informação definida ou indefinida (Prince, 1992). Portanto, como já mencionado, consideramos a marcação de definitude como uma categoria formal distinta do status informacional dos referentes dessas expressões nominais focalizadas. Segue gráfico 3 que ilustra como as construções relacionam-se com a variável em questão:

Gráfico 3:
Rede de relações da variável Marcação formal de definitude no elemento focalizado

O teste indicou que a construção Clivada Canônica apresenta a maior probabilidade de ocorrer na focalização de expressões nominais marcadas como indefinidas. Essa preferência é indicada pelo coeficiente positivo (p-valor > 0,002).

Podemos concluir que, diferentemente do resultado encontrado na análise da variável status informacional, nesse contexto específico, as construções QUE e SerQue são mais próximas, portanto, mais sinônimas.

Categoria gramatical

Considerando que as construções em questão podem focalizar variados tipos de constituintes, testamos se haveria uma correlação entre uma construção de foco QUInv específica e uma classe de constituintes que expressa um tipo de informação em nível morfossintático. Esse preditor apresenta um número maior de contextos restritivos, naturalmente devido ao fato de essa variável reunir um conjunto maior de fatores que podem ser alternáveis nas associações de preenchimento de slot (filler-slot) (Diessel, 2019, p. 20).

O modelo indicou que a construção SerQue é significativamente utilizada na focalização de um SAdv (p-valor > 0,036), mas seu uso é muito desfavorecido, como indicam os coeficientes negativos, sobretudo na focalização de SPrep (p-valor > 0,000) e, também, na focalização de SPro (p-valor > 0,030). A produtividade de SAdv na construção SerQue está diretamente relacionada à codificação das formas adverbiais 'agora' e 'depois'. O baixíssimo percentual de SPreps se explica por sua menor associação à focalização de material que codifica referentes de status amploevocado. A maior quantidade de SNs encontrados na posição de foco, em relação a SNs pronominalizados, talvez se explique pelo fato de a construção SerQue estar mais associada à marcação de contraste (Brito, 2021).

Segue o gráfico 4 de frequência em rede que ilustra as associações de preenchimento de slot por fatores do grupo categoria gramatical.

Gráfico 4:
Rede de relações da variável Categoria Gramatical do Elemento Focalizado

No gráfico, é possível verificar a maior associação da construção Clivada Canônica com a instanciação de pronomes demonstrativos (p-valor > 0,001), que codificam, em sua maioria, referência estendida. Isso se explica, em parte, pelo fato de essa construção ser a preferida para a focalização de demonstrativos que codificam ODs deslocados para a posição de foco à esquerda.

Destacou-se a alta frequência da construção QUE na focalização de SPreps. Cabe observar que a maior parte dos dados de SPreps focalizados corresponde às ocorrências do SPrep “por isso” (Ex.: “Por isso QUE eu gosto dele ”. Inf. 63), que expressa circunstância de causa e codifica referência estendida, atuando na organização de tópicos discursivos.

Enfim, quanto a esse grupo de fatores, conclui-se que as construções QUE e Clivada Canônica são, parcialmente, mais próximas e, portanto, mais intercambiáveis.

Estrutura Argumental

As construções de foco QUInv podem combinar-se, sem restrições aparentes, com as construções de estrutura argumental da língua. Por exemplo, uma construção triargumental como “alguém (Ag) rouba algo (Ob) de alguém (Or)”, sintaticamente [SNag VBitrans SNOb SNOrigem], pode ser combinada com uma construção de foco, formando um novo constructo, como “É alguém (Ag) QUE rouba algo (Ob) de alguém (Or)”, com forma [SER [SNAg] [QUE VBitrans SNObj SPrepOrigem]]. Não obstante, em relação às configurações das sentenças que instanciam as construções pesquisadas, verificamos se algum esquema argumental se correlacionava com menor frequência com uma determinada construção de foco. Afinal, como argumenta Goldberg (1998), cada esquema argumental possui um significado próprio e uma relativa independência dos itens lexicais envolvidos.

Essa variável mostrou-se altamente significativa. A seguir, apresentamos o gráfico 5 com os resultados:

Gráfico 5:
Rede de relações da variável Estrutura Argumental

As QUInv combinam-se mais frequentemente com construções de estrutura biargumental, o que é esperado, dado que esse esquema é o padrão mais produtivo da língua. As QUInv também não apresentaram distinção quanto à instanciação de estruturas triargumentais, que são menos frequentes, reproduzindo, de forma similar, os padrões da língua. No entanto, em relação às sentenças monoargumentais, o resultado do teste indicou que a construção Clivada Canônica parece impor mais restrições do que as demais quando combinada com sentenças de matiz intransitiva e sentenças com verbos copulares. Quanto a esse último grupo de fatores, verificamos que, nesse contexto, as construções Que e SerQue são mais próximas e, portanto, mais sinônimas.

Concluímos que os resultados analisados reforçam o entendimento de que a não sinonímia entre as três construções de foco investigadas não deve ser tratada de forma categórica. A análise evidencia que uma construção pode ser mais empregada do que outras em determinado contexto, mas em outros contextos haverá sempre alguma aproximação entre, no mínimo, duas dessas construções, o que nos permite presumir que, nesses casos, as QUInv podem ser consideradas, em alguns níveis de significação, como sinônimas.

4. Considerações finais

Neste artigo, investigamos a não sinonímia (Goldberg, 1995) numa subfamília de construções foco do PB, que denominamos construções QUInv. Para melhor compreendermos os padrões de alternância verificados no uso dessas, submetemos alguns grupos de fatores linguísticos a uma análise de regressão logística ou politômica. O teste reforçou a percepção de que, com relação aos esquemas de foco analisados, o princípio da não sinonímia pode ser realmente relativizado, levando-se em consideração diferentes fatores de uma variável.

Observamos que questões formais ou de ordem semântico-pragmática podem motivar, em muitos contextos, a escolha de uma das construções de foco em detrimento de outras. Também verificamos que as restrições a determinados preditores fazem parte do conhecimento dos falantes sobre a categorização desses exemplares de construções, assim como as sobreposições graduais de pontos ou contextos (Pierrehumbert, 2001).

Enquanto as QUInv, como aloconstruções, compartilham uma parte substancial de sua semântica de construção, elas parecem diferir em termos de uma série de variantes, como o tipo de elemento por elas focalizado, configurações de estrutura argumental preferidas e algumas funções desempenhadas na organização do discurso. No entanto, essas distinções não permitem a defesa de uma não sinonímia absoluta entre essas três construções pesquisadas, especialmente considerando que há uma equivalência parcial entre elas. O que nos leva a assumir que a intercambiabilidade entre elas pode ser licenciada em muitos contextos de uso.

Concluindo, ressaltamos que as construções analisadas constituem um campo fértil para investigações, ainda pouco explorado, e suscitam diversas questões que demandam aprofundamento. Enfatizamos, ainda, a importância de novas pesquisas que integrem o arcabouço teórico da Gramática de Construções (GC) e da Sociolinguística Variacionista, levando também em consideração fatores como modalidade, registro, gênero, variação regional, escolaridade, entre outros. Além de contribuir com pesquisas de viés construcionista, esperamos que este trabalho possa colaborar com outros estudos voltados às construções de foco do português.

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  • 1
    No original: “[…] each linguistic form has a constant and specific meaning. If the forms are phonemically different, we suppose that their meanings also are different. […] We suppose, in short, that there are no actual synonyms.”
  • 2
    A qual também poderíamos denominar construção 'ÉQUE'. Neste trabalho, manteremos a denominação adotada em Brito (2021).
  • 3
    Por razões estilísticas, empregamos os termos “elemento focalizado” e/ou “constituinte focalizado”, cientes, contudo, de que o foco é Brito (2021).
  • 4
    Para maior clareza, apresentamos num primeiro momento alguns exemplos inventados. No entanto, seguem alguns exemplos reais coletados de amostras de fala carioca analisadas: (i) FORAM os vizinhos QUE me acudiram (Amostra 80, fal. 04, mulher) É isso QUE eu penso. (Amostra 80, fal. 02, homem) Então É por isso QUE você gosta de ler revista de moda? (Amostra 80, fal. 24, mulher) FOI logo QUE comecei a trabalhar que eu fui assaltado (Amostra 80, fal. 21, homem) (ii) ‘Eles É QUE uma vez implicaram comigo (Amostra 80, fal. 26, homem) Isso É QUE eu quero passa também pra vocês jovens (Amostra 00, fal. 12, mulher) Por isso É QUE é difícil fazer isso (Amostra 00, fal. 03, mulher) Agora É QUE é melhor (Amostra 80, fal. 09, homem) (iii) A família da minha mãe QUE era italiana. (Amostra 80, fal. 26, homem) Isso QUE eu acho do carnaval (Amostra 80, fal. 02, homem) De mim QUE não roubaram nada (Amostra 80, fal. 22, mulher) Depois QUE vai pegar o outro (Amostra 80, fal. 16, mulher)
  • 5
    A organização desse corpus foi coordenada por Anthony Julius Naro, com a participação de pesquisadores como Giselle Machline de Oliveira e Silva, Maria Cecília Mollica, Maria Marta Pereira Scherre, Nelize Pires de Omena e Sebastião Josué Votre. O objetivo foi possibilitar o estudo de processos de variação e mudança na variedade do português não culto falado na cidade do Rio de Janeiro.
  • 6
    No original: “II. The Principle of No Synonymy: If two constructions are syntactically distinct, they must be semantically or pragmatically distinct (cf. Bolinger 1968; Haiman 1985a; Clark 1987; MacWhinney 1989). Pragmatic aspects of constructions involve particulars of information structure, including topic and focus, and additionally stylistic aspects [...]. Corrollary A: If two constructions are syntactically distinct and S(semantically)-synonymous, then they must not be P(ragmatically)-synonymous. Corollary B: If two constructions are syntactically distinct and P-synonymous, then they must not be S-synonymous.”
  • 7
    No original: “if, however, we say that synonyms are words whose semantic similarities are more salient than their differences, then a potential area of interest opens up”.
  • 8
    Devido à ampla quantidade de fatores linguísticos analisados, este estudo não aborda especificamente a influência de fatores sociais. No entanto, reconhecemos a relevância de outras variáveis extralinguísticas, que deverão ser devidamente consideradas em pesquisas futuras.
  • 9
    Por “sentença”, referimo-nos tanto a uma sentença que instancia a construção de foco, ou com ela se combina, quanto à estrutura sintática da construção como um todo.
  • 10
    A hipótese nula do teste é que o desvio (termo para variação inexplicada na regressão logística) do modelo atual não difere do desvio de um modelo sem preditores. A distribuição observada no modelo é estatisticamente significativa quando o p-valor é menor que 0,05, indicando que o preditor desvia significativamente de zero (Guy e Zilles, 2007, p. 32; Levshina, 2015, p. 258).
  • 11
    Não consideramos uma ordem de importância entre os grupos de fatores selecionados, por entender as evidentes sobreposições. Todos os grupos de fatores analisados estão, em maior ou menor grau, correlacionados à variável Status Informacional.
  • Disponibilidade de dados
    Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi disponibilizado pelo Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL-UFRJ), cujo link para a homepage é https://peul.letras.ufrj.br, e pode ser acessado em https://peul.letras.ufrj.br/amostras/censo-1980 .

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Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi disponibilizado pelo Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL-UFRJ), cujo link para a homepage é https://peul.letras.ufrj.br, e pode ser acessado em https://peul.letras.ufrj.br/amostras/censo-1980 .

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    Apr-Jun 2025

Histórico

  • Recebido
    03 Ago 2024
  • Aceito
    24 Mar 2025
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