O reconhecimento de emoções é um componente fundamental da cognição social. Sintomas de depressão e ansiedade podem modular essa habilidade.
Objetivo: Investigar o efeito de sintomas depressivos e ansiosos subclínicos no desempenho em um teste de reconhecimento de emoções faciais.
Métodos: Um total de 203 participantes (109 do sexo feminino e 94 do sexo masculino; idade média de 48,8±19 anos; escolaridade média de 9,3±5,1 anos) sem histórico atual ou prévio de transtornos psiquiátricos ou neurológicos foram incluídos. Nenhum apresentou escores anormais nas subescalas de ansiedade ou depressão da Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (Hospital Anxiety and Depression Scale – HAD). Todos os participantes (N=203) realizaram o Mini Exame do Estado Mental (Mini-Mental State Examination – MMSE) e o Teste de Reconhecimento de Emoções Faciais (Facial Emotion Recognition Test – FERT), que avalia o reconhecimento das expressões de: raiva, nojo, medo, alegria, tristeza, surpresa e neutra. As análises multivariadas incluíram como covariáveis: HAD-Ansiedade, HAD-Depressão, MMSE, idade e escolaridade.
Resultados: Idade, escolaridade e MMSE apresentaram correlação significativa com os escores do FERT. Foi observada uma correlação negativa significativa entre o FERT-Total e a HAD-Depressão (r=-0,22; p<0,002), bem como entre o FERT-Medo e a HAD-Depressão (r=-0,31; p<0,0001). Nenhuma outra correlação significativa foi observada entre os escores do FERT e as medidas psiquiátricas. As pontuações de ansiedade e depressão não foram confirmadas nos modelos multivariados finais, com exceção de uma correlação negativa entre HAD-Ansiedade e FERT-Medo.
Conclusão: Sintomas ansiosos e depressivos subclínicos têm um efeito modesto no FERT.
Palavras-chave:
Reconhecimento Facial; Ansiedade; Depressão; Testes Neuropsicológicos; Cognição Social