Neste ensaio, é analisado A Resistência, livro de Julián Fuks publicado em 2015, tomando-o como laboratório estético do exílio herdado. A forma literária atua como dispositivo técnico na transmissão transgeracional traumática, moldando identidades individuais e coletivas. Estabelece-se distinção metodológica entre trauma estrutural, social e coletivo, localizando o sofrimento em sua gênese sociopolítica, evitando reduções psicopatologizantes. O reconhecimento configura-se como operador técnico fundamental do luto ante danos estatais. A pós-ficção delimita-se como pacto ético-formal distinto da autoficção, caracterizado pela publicização não-confessional do íntimo. Propõe-se a categoria “literatura de refúgio” para formas estéticas derivadas de migrações compulsórias, funcionando como “operadores de memória” em cenários de dano profundo. A análise demonstra que a ética pós-ficcional convoca cenas públicas de reconhecimento, operando como terceiros institucionais do luto, facilitando a transição da repetição compulsiva traumática para elaboração psíquica integrativa.
Palavras-chave:
Pós-ficção; Psicanálise; Trauma social; Transmissão transgeracional; Elaboração psíquica