Open-access Deus, o cosmos e o ser humano: um estudo sobre o Salmo 8

God, the Cosmos, and the Human Being: A Study on Psalm 8

RESUMO

Este artigo oferece uma análise exegético-teológica do Salmo 8, explorando suas características literárias e a interconexão entre Deus, o cosmos e o ser humano. O poema convida à reflexão, conduzindo o leitor ao entendimento de sua própria identidade, seu lugar no universo e sua relação com o Criador. Além de destacar a majestade divina, o salmo sublinha a dignidade conferida aos humanos, a qual envolve responsabilidade moral e ecológica como mordomos da criação. Com base nos elementos articulados no texto bíblico, conclui-se que a plena harmonia entre Deus, o mundo e a humanidade é um fato escatológico, que se realiza em Cristo, por meio de quem o projeto original da criação será plenamente consumado.

PALAVRAS-CHAVE
Salmo 8; Deus; Cosmos; Ser humano; Ecologia

ABSTRACT

This article offers an exegetical-theological analysis of Psalm 8, exploring its literary features and the interconnection between God, the cosmos, and humanity. The poem invites reflection, guiding the reader to understand their own identity, place in the universe, and relationship with the Creator. In addition to highlighting divine majesty, the psalm underscores the dignity conferred upon humanity, which entails moral and ecological responsibility as stewards of creation. Based on the elements articulated in the biblical text, it is concluded that the full harmony between God, the world, and humanity is an eschatological reality, realized in Christ, through whom the original creation project will be fully accomplished.

KEY WORDS
Psalm 8; God; Cosmos; Humanity; Ecology

Introdução

Por sua beleza poética e profundidade teológica e filosófica, o Salmo 8 tem ocupado lugar de destaque na tradição judaica e cristã1. Trata-se do primeiro hino de louvor do Saltério, sendo, segundo Terrien (2003, p. 132), uma das composições mais grandiosas do hinário hebraico, com estilo conciso e prosódia compacta. Composto inteiramente como um discurso direto a Deus, o poema apresenta notável equilíbrio entre forma e conteúdo. Conforme Silva (2022, p. 24), cada palavra e expressão ocupa um lugar preciso no conjunto, o que o qualifica como uma obra-prima da composição hínica.

Kidner (2006, p. 81-82) considera o salmo um modelo insuperável de hino: celebra a glória e a graça divinas, descreve as obras de Deus e põe o ser humano e o mundo em relação com ele — tudo isso com notável economia de palavras e jubilosa reverência. Silva (2022, p. 24-29), por sua vez, destaca diversos recursos literários e estruturais que enriquecem o poema, como o inclusio dos versículos 1 e 92, o uso de diferentes títulos divinos (yhwh, ʾāḏôn, ʾĕlōhîm), o merisma “terra e céu”, a partícula interrogativa/exclamativa , os pares de atributos (magnificência e majestade; glória e honra), e a descrição da criação em sua totalidade.

Embora o ser humano ocupe o centro da estrutura literária do salmo, ele não é seu tema principal. Como observa Grzybek (2020, p. 203), o salmo trata antes da relação entre a criação e seu Criador, cuja majestade se manifesta no universo e inclui, mas não se limita ao homem. A glória do ser humano só pode ser compreendida à luz da glória de Deus (Maré, 2006, p. 929). Simián-Yofre (2009, p. 189) reforça que o poema não é um elogio à humanidade, mas uma meditação sobre a complexa relação entre Deus, o ser humano e a criação, com base nas narrativas de Gênesis 1–2.

De forma complementar, Eaton (2003, p. 80) analisa que o salmo possui um tom paradisíaco, pois retrata a criação e o papel do ser humano de forma idealizada, sem referências à queda ou à corrupção. A natureza, descrita em termos poéticos, torna-se o palco no qual o homem é introduzido como representante do Criador (Simián-Yofre, 2009, p. 182-183).

Com base nesse horizonte temático, este artigo propõe uma análise exegético-teológica do Salmo 8, com enfoque em seus aspectos literários — a partir de uma leitura sincrônica — e na interdependência entre os temas Deus, cosmos e ser humano, articulados no poema. Este estudo também levará em conta a leitura neotestamentária do Salmo 8, tendo em vista uma compreensão canônica das Escrituras.3

1 Tradução

A tradução apresentada a seguir baseia-se na leitura crítica do Texto Massorético disponível na Biblia Hebraica Stuttgartensia (Elliger et al., 1997, p. 1091), com transliteração conforme o padrão acadêmico da Society of Biblical Literature. De forma adicional, são indicadas as duas numerações de versículos comumente utilizadas nas diferentes versões bíblicas.

Quadro 1
Tradução do Salmo 8

2 Aspectos literários

No que se refere à estrutura do Salmo 8, diferentes comentaristas propõem distintos esboços. Boa parte desses esboços dividem o salmo em duas seções, a primeira (v. 1-2) com foco na majestade de Deus e a segunda (v. 3-8) com foco na identidade e dignidade humanas, encerrando com a retomada do refrão (v. 9). Não há como fugir dessa divisão, que respeita as duas ênfases do salmo (Deus/homem). Entretanto, este artigo propõe uma organização baseada em um termo-chave do poema: a partícula hebraica (pronome interrogativo/exclamativo traduzido como “quem”, “quê?”, “quão”, etc.). Esse pronome introduz as duas questões mais importantes do salmo: quem é Deus (ou quão grande é o seu nome) e o que é o homem. Ela ocorre três vezes: uma em cada instância do refrão (inclusio; v. 1.9) e uma no coração da reflexão do eu-lírico — o questionamento sobre o que é o ser humano diante do cosmos e da grandeza divina (v. 4).

Essa ocorrência tripla da partícula permite notar o movimento do salmo, que transita entre a meditação sobre Deus e o pensamento acerca da humanidade. Segundo Maré (2006, p. 929), por meio da tripla ocorrência da partícula , os olhos e os ouvidos do leitor são imediatamente atraídos para o centro e as bordas do salmo. “Assim, a majestade de Yhwh forma os limites dentro dos quais a humanidade encontra seu lugar de glória através de sua posição como governante designada por Deus” (Maré, 2006, p. 929)4. Da mesma forma que a partícula , o uso do substantivo kōl (“todo”, “toda”, “tudo”) (v. 1.6.7.9) atrai o olhar do leitor para as bordas e o centro do salmo. “A majestade de Deus pode ser vista em toda a criação, e ele colocou todas as obras de suas mãos sob os pés da humanidade. Desse modo, o salmista novamente chama a atenção para o fato de que a identidade da humanidade está em Deus” (Maré, 2006, p. 929). Maré (2006, p. 935) reflete sobre o perigo de nos concentrarmos no centro do Salmo 8 e ignorarmos a mensagem de suas bordas, pois “o domínio humano deve sempre ser colocado no contexto da soberania de Deus”.

Tendo em vista essas considerações, a macroestrutura do Salmo 8 pode ser organizada como um quiasmo5:

Quadro 2
Estrutura do Salmo 8

Vale destacar que a evidência mais patente a favor de uma estrutura quiástica é o inclusio dos versículos 1 e 9, o qual, naturalmente, induz ou favorece uma disposição concêntrica, uma vez que suas extremidades são espelhadas. Ademais, mesmo uma leitura superficial permite perceber a ascensão temática que leva à questão crucial encontrada no centro do salmo, isto é, a questão do que é o ser humano. Assim, ainda que a métrica do Salmo 8 seja irregular e a divisão em estrofes não esteja clara (Baigent, 1979, p. 562), parece plausível qualquer divisão que evidencie o refrão repetido no começo e no final e um centro articulador. O papel-chave da partícula , já explicado aqui, reforça essa conclusão.

Ainda sobre o inclusio, este tem sido considerado muitas vezes a chave para entender o poema, uma vez que ele sugere que “o poder soberano de Yhwh abrange toda a criação e todas as esferas da vida” (Maré, 2006, p. 931). Segundo Maré (2006, p. 931), isso indica que “tudo no salmo deve ser lido a serviço da glória do nome de Yhwh”.

Quando se analisa a estrutura quiástica do Salmo 8 no nível das palavras em si (e não somente em termos temáticos)6, nota-se outro inclusio, desta vez um inclusio interno, formado pelo paralelismo entre “obras dos teus dedos… estabeleceste” (maʿăśê ʾeṣbəʿōṯêḵākônānəttâ; v. 3) e “obra das tuas mãos… colocaste” (maʿăśê yāḏêḵāšattâ; v. 6). É entre as obras dos dedos e das mãos do Criador que se encaixa o agir divino em favor da humanidade (Silva, 2022, p. 27). É interessante observar que, segundo a narrativa do Gênesis (1–2), a única coisa que Deus cria com as próprias mãos é o homem. Numa licença poética, porém, o salmista ignora a literalidade do ato divino de criação (executado, em geral, pelo falar de Deus; cf. Sl 33,6.9) e o metaforiza como produto das mãos de um habilidoso Artesão. E entre as duas partes da metáfora é colocado o ben-ʾāḏām, filho da terra literalmente moldada pelas mãos de Deus, conforme o relato genesiano (Gn 2,7). Esse, sobre o qual o Criador se debruçou no princípio ao soprar-lhe o fôlego de vida, continua sendo alvo do cuidado e desvelo divinos.

Entre os recursos da poesia, além de paralelismos e repetições, o Salmo 8 apresenta “efeitos sonoros refinados” (Schökel, 1981, p. 70) — muito embora a rima, bem como a aliteração e a assonância, não seja uma característica dominante da poesia hebraica. Maré (2006, p. 929) nota, por exemplo, uma aliteração com a letra mem no versículo 5, em məʿaṭ mēʾĕlōhîm (“um pouco menor do que Deus”), que, segundo o autor, enfatiza a posição da humanidade em relação a Deus ou aos seres celestiais. Também pode ser identificada uma rima entre os verbos ṯizkərennû (“dele te lembres”) e ṯip̄qəḏennû (“com ele te importes”), bem como entre təḥassərēhû (“tu o fizeste menor”) e təʿaṭṭərēhû (“o coroaste”). “Estes padrões de rima enfocam a atenção nas ações de Deus em favor da humanidade” (Maré, 2006, p. 929).

A antítese e o paradoxo são, também, figuras de linguagem bastante exploradas no Salmo 87. Há, por exemplo, uma refinada oposição entre mâ-ʾaddîr (v. 1.9) e mâ-ʾĕnôš (v. 4). O contraste é entre a magnificência de Deus e a fragilidade do ser humano, entre a infinitude divina, que preenche o cosmos, e a finitude humana. A primeira expressão exclama ante a extraordinária glória de Yhwh; a segunda se admira com o fato de um ente tão diminuto ser objeto da atenção e do amor de Deus. A relação entre mâ-ʾaddîr e mâ-ʾĕnôš também pode ser definida conforme a observação de Maré, segundo quem a pergunta “Que é o homem?” não pode ser separada da pergunta “Quem é Deus?” (Maré, 2006, p. 929). De fato, a pergunta acerca do que é o ser humano, no Salmo 8, não é respondida filosoficamente, mas de forma relacional (Kraftchick, 2015, p. 123). O poeta localiza o ente humano no cosmos criado artisticamente por Deus e descreve sua relação com o Criador e com a natureza. É nessa relação e em seu valor atribuído pelo Divino que o homem deve buscar a razão e o propósito de sua existência.

3 Análise exegético-teológica

O refrão que emoldura o Salmo 8 (v. 1.9) começa com o nome sagrado de Deus, Yhwh, com o qual ele se apresenta no contexto da aliança com seu povo (cf. Ex 3,13-15). “A palavra nome refere-se à pessoa Divina, como aquele que está acima de todo indivíduo que existe na Terra” (Oliveira, 2023, p. 43). A relação de Yhwh com Israel é acentuada em seguida com a expressão ʾăḏōnênû (Senhor nosso). O vocativo yhwh ʾăḏōnênû — que ecoa a forma yhwh ʾĕlōhênû do Shemá (Dt 6,4) — coloca o eu-lírico em conexão direta com o divino, indicando que o que se segue é uma prece. O pronome possessivo plural (“nosso”) coloca o poeta como representante do povo que tem Yhwh como Deus e Senhor. O salmista começa com uma linguagem relacional antes de expandir seu horizonte para o âmbito transcendental.

Ao dizer “quão magnífico é o teu nome” (mâ-ʾaddîr šimḵā), o autor emprega pela primeira vez a partícula — pronome interrogativo que também pode exercer função exclamativa. Como visto anteriormente, esse pronome desempenha um papel estruturante no texto. Ele marca poeticamente os arroubos contemplativos do salmista, seus momentos de epifania, em que a observação do cosmos seguida de reflexão o leva a constatar realidades tanto metafísicas quanto existenciais. A primeira dessas realidades é a magnificência do nome divino em toda a criação. Esse nome é ʾaddîr, adjetivo que “denota alguém ou algo que impõe respeito através da excelência do poder” (Waltke; Houston; Moore, 2015, p. 276). O nome de Deus representa sua natureza e seu caráter (Bullock, 2023, p. 60), cuja glória se manifesta em todo o mundo (cf. Is 6,3). A expressão “em toda a terra” (bǝḵol-hāʾāreṣ) parece abarcar — talvez por metonímia — todo o conjunto da criação, que, conforme se verá mais adiante, envolve terra, céu e mar. Essa abrangência universal é reforçada no salmo pelas quatro ocorrências do substantivo kōl (“todo”, “toda”, “tudo”) (v. 1.6.7.9). A visão do esplendor divino em toda a criação se amplia e se justifica quando o salmista faz sua primeira menção aos céus (šāmayim), substantivo que ocorre três vezes no salmo (v. 1.3.8).8 Esse vocábulo, representando o outro extremo do cosmos, forma um merisma com o termo “terra” para reforçar o quadro de totalidade (Silva, 2022, p. 25). É sobre os céus (ʿal-haššāmāyim) que Deus pôs a sua majestade (hôḏ), tornando-a visível em todos os recantos da terra. O paralelismo se dá com os pares “teu nome”/“tua majestade” e “em toda a terra”/“sobre os céus”. No Salmo 8, os céus são uma obra de arte trabalhada com esmero pelo Artesão universal, o que ficará mais evidente no versículo 3.

A cena introduzida no versículo 2 contrasta com o quadro apresentado previamente. O autor passa da transcendência de Deus para sua imanência (Wiersbe, 2004, p. 41). É dito que da boca dos bebês (ʿôləlîm), dos pequeninos que ainda mamam (yōnəqîm), Deus constitui força, poder. Desses seres tão pequenos e delicados, representantes da fragilidade humana perante o universo, Yhwh suscita ʿōz (“poder”, “força”) — a antítese da fraqueza. O contexto de louvor do salmo, a tradução da Septuaginta (Rahlfs, 2006) e a aplicação feita por Jesus (Mt 21,16) permitem entender que essa força que brota de lábios infantes é o louvor das crianças. Nos tempos bíblicos, “os bebês mamavam pelo menos até cumpridos dois anos” (Schökel; Carniti, 1996, p. 201), uma idade suficiente para poder falar ou ao menos balbuciar algumas frases.

O mesmo Deus que é exaltado pela grandeza do céu é celebrado pelos pequeninos na terra. Esse louvor universal é ostensivo contra os inimigos de Yhwh e neutraliza a ação dos que queiram causar mal ao povo do Senhor. O verbo utilizado para “fazer cessar” os opositores (representados pela hendíadis “inimigo” e “vingador” — ʾôyēḇ ûmiṯnaqqēm) é šāḇaṯ e indica a interrupção da atividade hostil. A majestade de Deus, manifestada de uma a outra ponta da escala de grandezas, assegura (ou assegurará afinal) a paz em todo o cosmos (cf. Sl 46,9).

Nos versículos 3-4, a cena muda outra vez. O leitor pode agora imaginar o poeta contemplando o céu estrelado de uma noite escura em qualquer colina de Israel. Pela primeira e única vez no poema, utiliza-se a primeira pessoa do singular. Pela primeira e única vez no poema, também, o ser humano é o sujeito do verbo. “Quando vejo” — contemplar é a única ação diretamente atribuída ao homem neste contexto. E o que ele vê? Os céus, obras dos dedos de Deus. Como já mencionado, há aqui, como licença poética, um antropomorfismo, já que, segundo a tradição do Gênesis, Yhwh criou o mundo com sua palavra, e não com suas mãos (Gn 1; Sl 33,6.9). Deus é retratado como um cuidadoso artesão que executa, em detalhes e com extrema delicadeza — com a ponta dos dedos —, uma de suas obras mais magníficas: o céu pontilhado de estrelas e à luz do luar. Essa imagem denota envolvimento pessoal na criação (Baigent, 1979, p. 563).

A prótase “Quando vejo os teus céus…” não recebe nenhum complemento correspondente (apódose), mas é sucedida imediatamente pela pergunta “que é o ser humano…?” Algumas traduções suprem essa falta com a palavra “pergunto” ou algo equivalente (e.g. NVI; NVT). De fato, o verbo fica implícito, mas é provável que a razão seja estilística. Seria um anacoluto, indicativo da hesitação reflexiva do salmista? Possivelmente. O estarrecimento do poeta em sua epifania estética o deixa sem palavras adequadas para continuar sua descrição do cosmos. Só lhe restam indagações admiradas, entrelaçadas com certa medida de desespero. No Salmo 8, a antropologia nasce da cosmologia, que, por sua vez, deriva da teologia (ou teontologia, reflexão sobre a natureza e os atributos de Deus). O questionamento quanto ao que é o ser humano brota no coração do salmista ao ele contemplar a imensidão e beleza da criação divina. A surpresa do questionamento levantado reside no contraste entre a incompreensibilidade do Criador e a limitação da criatura. O dilema implícito na pergunta é: Como pode um Ser tão absoluto e supremo se preocupar com outro tão ínfimo como o ser humano (“para que dele te lembres […], para que com ele te importes”)? Subentendida na indagação está também uma referência à bondade imensurável de Deus. Mesmo sendo tão magnífico e sublime, ele se digna de atentar para a humanidade, muito embora, por sua pequenez, esta não mereça atenção.

Grogan (2008, p. 53) observa que (“que”), em mâ-ʾĕnôš (“que é o ser humano mortal…?”), em vez de (“quem”), implica depreciação — não se pergunta quem é o homem, mas o que (ou seja, que coisa) ele é. Isso, associado à carga de fragilidade e efemeridade transmitida pelos termos ʾĕnôš (“ser humano mortal”) e ben-ʾāḏām (“filho do homem”, “filho de Adão” — de ʾăḏāmâ, “terra”, “solo”, “pó”), acentua a condição insignificante do ser humano e torna ainda mais surpreendente a resposta implícita que se segue, a saber, que Deus, sim, se lembra da humanidade e se importa com ela, a ponto de torná-la governante do mundo (v. 5-8) e o personagem principal do salmo, posto entre o céu e a terra. Nisto reside a ironia e o paradoxo do salmo: meros mortais como o centro no universo (Futato, 2009, p. 53). Mas não por mérito próprio, e sim pela benevolência divina.

Cabe ainda ressaltar que a pergunta retórica do versículo 4 começa com a mesma partícula interrogativa/exclamativa () utilizada no refrão que inicia e encerra o salmo. As duas principais questões deste salmo, que arrancam do poeta suspiros de admiração e reflexão e em torno das quais tudo mais no salmo se organiza, são: “Quem Deus é?” e “O que é o ser humano?” (ou seja, “Quem [ou o que] eu sou?”). A questão (ou exclamação) sobre o nome de Deus aparece duas vezes, ao começo e ao final, emoldurando o salmo. A questão antropológica sobre o que é o homem, por sua vez, está no centro do poema e constitui o seu clímax. Coincidentemente, dessas duas mesmas questões dependem as respostas mais importantes da vida, pois, sem o entendimento (ainda que limitado) de quem Deus é e de quem somos nós afinal, nada faz sentido.

A bondade e misericórdia de Yhwh para com a humanidade é ilustrada de forma mais concreta nos versículos 5-8, os quais lembram ao leitor que Deus não somente se importa com o ser humano, mas também o dignifica com honra especial. Nesse trecho do poema, há referências claras ao relato da criação (Gn 1–2). No versículo 5 é dito que Deus fez o homem um pouco menor do que ʾĕlōhîm. Diversas possibilidades de tradução já foram apresentadas para esse texto, as quais podem ser resumidas em três: (1) ʾĕlōhîm se referiria a Deus, como ocorre inúmeras vezes em todo o Antigo Testamento. Nesse caso, a alusão seria a Gênesis 1,27-28, passagem em que o ser humano é feito “à imagem e semelhança” do Criador. Dessa perspectiva, o homem seria “pouco menor” (mǝʿaṭ) do que Deus no sentido de ser uma “cópia” do Original. (2) O termo ʾĕlōhîm, que está no plural, poderia ser traduzido como “deuses” ou “seres divinos”. Essa alternativa entende que a palavra possa ser uma referência aos poderosos seres celestiais (e/ou de outros mundos?) que compõem o concílio divino (cf. Sl 82,1ss; Jó 1,6ss; 1Rs 22,19ss; etc.). Tal interpretação se baseia, principalmente, no fato de que o vocábulo ʾĕlōhîm às vezes se refere a juízes ou autoridades (cf. Ex 21,6; 22,8; etc.). A ocorrência em questão encontra paralelo de forma especial no Salmo 82, em que príncipes e juízes são chamados de ʾĕlōhîm e “filhos do Altíssimo” (v. 6). Jesus faz menção a esse salmo e chama de “deuses” (theoi) aqueles “a quem foi dirigida a palavra de Deus” (Jo 10,34-35). (3) O termo ʾĕlōhîm, no Salmo 8, tem sido muito frequentemente traduzido como “anjos”. Assim traduzem a Septuaginta, a Peshitta e os Targumim, e o autor de Hebreus emprega essa tradução ao falar sobre os anjos em sua exposição a respeito de Jesus (Hb 2,5-9). A lógica subjacente a tal tradução pode ter sido a de distanciar um pouco mais o ser humano de Deus na escala dos seres, além de possivelmente considerar que os anjos sejam os já mencionados membros do concílio celestial.

Independentemente de qual seja a tradução do versículo 5, é evidente que o propósito da declaração nele contida é demonstrar o alto privilégio dado ao ser humano na criação. O homem foi posto um pouco, não muito, abaixo do nível celestial, de modo que estivesse acima de todo o restante dos entes criados (Sl 8,6-8).

No versículo 6, o verbo traduzido como “dominar” é māšal (governar, ter domínio, reinar). Curiosamente, māšal não aparece no relato da criação (embora ocorra oito vezes no Gênesis). Entretanto, seu sinônimo rāḏâ (ter domínio, governar) é empregado em Gênesis 1,26 e 28, assim como o verbo kāḇaš (subjugar, dominar) no versículo 28 do mesmo capítulo; ambos os verbos estabelecem a conexão com Salmos 8,6. O relato do Gênesis diz que o ente criado à imagem e semelhança de Deus deveria dominar “sobre os peixes do mar” (ḇiḏḡaṯ hayyām), “e sobre as aves do céu” (ûḇǝʿôp̄ haššāmayim), “e sobre os animais domésticos” (ûḇabbǝhēmâ), “e sobre toda a terra” (ûḇǝḵol-hāʾāreṣ), “e sobre toda criatura [viva] que se rasteja sobre a terra” (ûḇǝḵol-hāremeś hārōmēś ʿal-hāʾāreṣ / ûḇǝḵol-ḥayyâ hārōmeśeṯ ʿal-hāʾāreṣ). O Salmo 8 apresenta praticamente as mesmas classes de animais, embora não com idêntico vocabulário. Segundo o salmista, Deus deu ao homem domínio “sobre as obras das tuas mãos” (bǝmaʿăśê yāḏêḵā) (v. 6), a saber: “os caprinos e bovinos” (ṣōnê waʾălāp̄îm), “os animais selvagens do campo” (bahămôṯ śāḏāy), “os pássaros dos céus” (ṣippôr šāmayim) e “os peixes do mar” (ûḏǝḡê hayyām), “o que atravessa as sendas dos mares” (ʿōḇēr ʾorḥôṯ yammîm) (v. 7-8)9. O Salmo 8 divide a fauna em criaturas terrestres (domesticadas e selvagens), aéreas e aquáticas. Trata-se de uma progressão que vai desde os animais com maior afinidade com os seres humanos, e, portanto, mais fáceis de serem controlados (terrestres), passando pelos que apresentam uma relação intermediária (aéreos), até aqueles com menor afinidade (aquáticos), geralmente mais difíceis de domesticar (Whitekettle, 2006, p. 759). Waltner (2006, p. 63) observou também que, no Salmo 8, a lista de seres criados (animais terrestres, pássaros, criaturas marinhas) está na sequência inversa à da ordem de criação encontrada em Gênesis 1 (criaturas marinhas, pássaros, animais terrestres). Como é de esperar, a linguagem do salmo soa mais poética do que a do Gênesis, mas a alusão é clara, de modo que o Salmo 8 pode ser considerado um comentário lírico da narrativa genesiana. Curiosamente, o Salmo 8 não menciona a flora, assim como o relato genesiano não apresenta o homem dominando as plantas, mas apenas se alimentando delas (Gn 1,29). Isso ocorre pelo fato de que, “em lugar algum do Antigo Testamento, as plantas são objetos governáveis, uma vez que elas não exercem vontade própria” (Gerstenberger, 1988, p. 70). Grogan (2008, p. 54) bem observa que, no Salmo 8, “os três reinos das criaturas sencientes, a terra, o ar e o mar, estão todos incluídos no âmbito da soberania humana”.

Yhwh deu ao ser humano o governo do céu, da terra e do mar — tríade que representa toda a ordem cósmica, a mesma totalidade sobre a qual o nome de Deus se mostra majestoso (v. 1.9). Ao coroá-lo (verbo ʿāṭar, no Piel) de glória (kāḇôḏ) e de honra (hāḏār) (v. 5), Deus reveste o homem de seus próprios atributos reais (v. 1; cf. Sl 29,1; 104,1; 145,5.12) e compartilha com ele a regência de toda a criação. Essa imagem poética remete à figura de um príncipe corregente ou um rei-vassalo, que governa sob os auspícios de seu suserano. Para Terrien (2003, p. 130), no Salmo 8, o homem é coroado como um dos membros da assembleia celestial. Esse quadro evoca também o conceito de mordomia (ou mordomado), segundo o qual o ser humano foi constituído despenseiro, ou administrador, dos “bens” de Deus. Conforme o relato da criação (Gn 1–2), o Criador entregou ao homem a terra como seu lar e deu-lhe permissão para usufruir de tudo o que esse lar contém, exceto a “árvore proibida”. Essa restrição, assim como o fato de que Deus colocou o ser humano em seu Jardim “para o cultivar e guardar” (lǝʿāḇǝḏāh ûlǝšāmǝrāh) (Gn 2,15), indicam que tal usufruto implicava responsabilidades. O “domínio” sobre céu, terra e mar não deveria ser de natureza destrutiva e assoladora, mas produtiva e protetora, conforme expressam os verbos ʿāḇaḏ (trabalhar, servir) e šāmar (guardar, preservar) em Gênesis 2,15. Desse modo, quando Deus colocou a criação “sob os pés” do homem (Sl 8,6), não o fez para que este sobre ela tripudiasse, mas para que sob sua autoridade seguisse refletindo a glória do Criador. Portanto, não seria exagero afirmar que a consciência teológica (de quem Deus é) e antropológica (do que é o homem, ou do que eu sou), esboçada nos versículos anteriores do Salmo 8, tem como um de seus múltiplos resultados uma consciência ecológica.

De acordo com Waltner (2006, p. 63), os quatro verbos que ocorrem nos versículos 5-6 — təḥassərēhû (“tu o fizeste menor”), təʿaṭṭərēhû (“tu o coroaste”), tamšîlēhû (“tu o fazes dominar”) e šattâ (“tu colocaste”) — falam de uma autoridade delegada. Conforme esse autor, “o papel soberano da humanidade não é alcançado por gloriosas realizações próprias. Deus concede o domínio. O domínio envolve um padrão de responsabilidade, com os seres humanos recebendo a tarefa de cuidadores”. Realmente, “o maior prestígio do homem reside no fato de ter sido designado como substituto de Deus aqui na terra, para governar em nome de Deus sobre sua criação” (Zyl, 1993). Como já referido, tal domínio em nome de Deus implica cuidado com a criação, não a exploração egoísta dela. De acordo com Mays (1994, p. 69), “na visão do salmo, a civilização está destinada a ser um vasto projeto de administração responsável” (grifo nosso). De fato, como ressalta Adeyemo (2006, p. 617), a “licença para governar não deve ser interpretada como uma licença para abusar. Devemos cuidar da criação de Deus, não destruí-la”. Entretanto o cuidado envolve não apenas deixar de danificar; implica ações intencionais. Nas palavras de Pagán (2007, p. 143), “o salmo claramente destaca que os seres humanos não são um apêndice sem importância e superficial no cosmos, mas sim agentes divinos para manter o equilíbrio ecológico” (grifo nosso). Em síntese, o Salmo 8 deixa claro que o ser humano foi colocado sobre a terra não somente para habitá-la, mas para governá-la/administrá-la, o que implica não apenas o privilégio de desfrutar da criação, mas também a responsabilidade de zelar por ela.

Por fim, no versículo 9, o salmo se encerra como começou: com o refrão que exalta a magnificência do nome de Yhwh em toda a terra. A mudança de foco, do homem de volta para Deus, implica que, por mais honrado que o ser humano tenha sido e a despeito de seu papel de destaque na hierarquia da criação, o verdadeiro Rei do universo é Aquele que originou o cosmos (cf. Sl 24,1).

4 O Salmo 8 à luz do Novo Testamento

De modo geral, o Novo Testamento aplica o Salmo 8 de forma tipológica, com enfoque cristológico.10 Em Mateus 21,16, Jesus cita o versículo 2 do salmo para defender o louvor infantil dirigido a ele como “Filho de Davi”, evocando sua identidade messiânica. Paulo, em 1Coríntios 15,27 e Efésios 1,22, retoma a linguagem da Septuaginta do versículo 6[7, LXX] (panta hypetaxas hypokatō tōn podōn autou, “todas as coisas sujeitaste sob seus pés”) para afirmar a autoridade cósmica conferida a Cristo por Deus. Segundo Ciampa e Rosner (2014, p. 927), o apóstolo combina os Salmos 8 e 110 para argumentar que o último Adão (Cristo) restaurou o que o primeiro perdeu.

Semelhantemente, Hebreus 2,6-8 cita os versículos centrais do Salmo 8 para mostrar que, embora o domínio humano sobre a criação ainda não seja pleno, tal domínio se torna possível pela encarnação e exaltação de Cristo. Conforme Guthrie (2014, p. 1163), a comissão divina de Adão é cumprida escatologicamente por Cristo, embora sua consumação ainda esteja por vir.

À luz do Novo Testamento, portanto, o Salmo 8 adquire uma dimensão messiânica e escatológica. Para Breneman et al. (2022, p. 653), embora o salmista fale dos seres humanos em geral, sua linguagem se cumpre completamente em Jesus Cristo. Ele é o “último Adão” (cf. 1Cor 15,45ss), o “Filho do Homem” escatológico, que, como no salmo, reina sobre toda a criação por delegação divina.

Sob a revelação neotestamentária, pode-se dizer que a plenitude do Salmo 8 ainda é futura. Como já mencionado, Hebreus 2,8 reconhece que ainda não vemos todas as coisas sujeitas ao ser humano, mas em Cristo a restauração está garantida. O salmo aponta, assim, para o fechamento escatológico da história, em que a criação será reconciliada com Deus e sua glória resplandecerá por toda a terra (Sl 8,1.9).

Considerações finais

Ao articular os temas Deus, cosmos e ser humano, o Salmo 8 se apresenta como um exercício de contemplação teológica: olhando para o céu, o poeta não apenas admira a beleza da criação, mas percebe nela vestígios do Criador e indicativos de sua própria identidade enquanto criatura humana. A contemplação aqui não se limita à experiência estética, mas envolve uma busca profunda de sentido, uma leitura espiritual da realidade visível que conduz à revelação do invisível. Tal contemplação tem como resultado a confissão da majestade de Deus e, paradoxalmente, da insignificância e importância da humanidade no cosmos.

A pergunta “Que é o ser humano?” (v. 4) não é retórica vazia, mas expressão do espanto reverente de quem reconhece a própria pequenez diante do universo — e, ao mesmo tempo, descobre que essa criatura frágil foi coroada de glória e honra por Deus. O salmista afirma, de forma poética e teologicamente profunda, que a dignidade humana é um dom divino, não uma conquista. O ser humano é grande não por seus méritos, mas porque Deus assim o fez. Por isso, a verdadeira antropologia bíblica nasce da teologia e se orienta para a responsabilidade.

O domínio concedido à humanidade sobre a criação (v. 6-8), longe de legitimar exploração ou prepotência, aponta para a vocação do ser humano como administrador responsável da terra, nossa “casa comum”11 (cf. Gn 2,15). A autoridade delegada implica serviço, zelo, preservação. A mordomia da criação é, assim, expressão concreta da imagem de Deus no homem. E, nesse ponto, a mensagem do Salmo 8 revela-se particularmente relevante: em um mundo marcado pela degradação ambiental, a espiritualidade bíblica propõe um modelo de relação com a natureza que equilibra reverência, cuidado e protagonismo responsável.12

Ao fechar com o mesmo louvor com que começa, o salmo reafirma que tudo — inclusive o governo humano sobre a terra — deve refluir para Deus. A estrutura quiástica e a repetição do refrão (v. 1.9) não são apenas artifícios poéticos, mas expressão de uma teologia do retorno: tudo provém de Deus, e tudo deve voltar para ele. Essa perspectiva é intensificada no Novo Testamento, em que Cristo é apresentado como o novo Adão, aquele em quem o projeto original da criação será plenamente concretizado (cf. 1Cor 15,24.27-28). Em Cristo, a contemplação se transforma em esperança, e a mordomia, em missão escatológica.

  • 1
  • 2
    Algumas versões bíblicas incluem os cabeçalhos dos salmos na numeração dos versículos; outras, não. Como este estudo não analisa os cabeçalhos, adotou-se a numeração que considera apenas o corpo do poema, inclusive para outros salmos citados.
  • 3
    O presente artigo é resultado de uma pesquisa de pós-doutorado em Teologia realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
  • 4
    Nesta pesquisa, todas as traduções de textos em outros idiomas foram feitas pelos autores.
  • 5
    Ver Witthoff et al. (2014) e Maré (2006). Esses autores, entre outros, propõem uma estrutura quiástica semelhante à adotada aqui.
  • 6
    Para uma análise aprofundada da estrutura quiástica do Salmo 8, conferir Kraut (2010).
  • 7
    ConferirPrinsloo (1995).
  • 8
    Silva (2022, p. 26) vê uma gradação descendente no uso do termo “céus”. Segundo ele, na primeira menção (v. 1), a referência indica a extrema altura dos céus; a segunda ocorrência (v. 4) se refere ao céu intermediário, onde se localizam os corpos celestes; a terceira e última incidência se refere ao céu mais próximo, onde voam os pássaros (v. 8).
  • 9
    Para um estudo sobre a taxonomia do Salmo 8, conferir Whitekettle (2006).
  • 10
    Para um estudo sobre a leitura cristológica do Salmo 8 em Hebreus, conferir Maston (2021).
  • 11
  • 12

Disponibilidade de Dados:

Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no artigo.

Referências

  • ADEYEMO, Tokunboh. Africa Bible Commentary Nairobi; Grand Rapids, MI: WordAlive Publishers; Zondervan, 2006.
  • BAIGENT, John W. The Psalms (1–72). In: BRUCE, Frederick F. (Ed.). New International Bible Commentary Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1979. p. 552-605.
  • BRENEMAN, Mervin et al. Salmos. In: PADILLA, C. René et al. (Org.). Comentário Bíblico Latino-Americano Tradução de Cleiton Oliveira et al. São Paulo: Mundo Cristão, 2022.
  • BULLOCK, C. Hassell. Salmos, Volume 1:1–72 Série Comentário Expositivo. São Paulo: Vida Nova, 2023.
  • CIAMPA, Roy E.; ROSNER, Brian S. 1Coríntios. In : BEALE Gregory K.; CARSON Donald A. (Ed.). Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento São Paulo: Vida Nova, 2014. p. 865-973.
  • DUNBAR, Stephen; GIBSON, L. James; RASI, Humberto M. (Ed.). Entrusted: Christians and Environmental Care. Argentina: Adventus, International University Publishers, 2013.
  • EATON, John H. The Psalms: A Historical and Spiritual Commentary with an Introduction and New Translation. London; New York: T&T Clark, 2003.
  • ELLIGER, Karl et al. (ed.). Biblia Hebraica Stuttgartensia Revisão de Hans Peter Rüger. 5. ed. rev. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1997.
  • FRANCISCO, Papa. Laudato Si’: Sobre o Cuidado da Casa Comum. Roma: Vaticano, 24 de maio de 2015. Disponível em: https://bit.ly/46s6KQ5 Acesso em: 25 jul. 2025.
    » https://bit.ly/46s6KQ5
  • FUTATO, Mark D. The Book of Psalms. In : COMFORT, Philip W. (Ed.). The Book of Psalms, The Book of Proverbs Cornerstone Biblical Commentary. Carol Stream, IL: Tyndale House Publishers, 2009. p. 3-450.
  • GEOSCIENCE RESEARCH INSTITUTE. Pesquisa pelo termo “environment”. Disponível em: https://bit.ly/4o1JUoZ Acesso em: 25 jul. 2025.
    » https://bit.ly/4o1JUoZ
  • GERSTENBERGER, Erhard. Psalms Part 1: With an Introduction to Cultic Poetry. The Forms of the Old Testament Literature. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 1988.
  • GROGAN, Geoffrey. W. Psalms: The Two Horizons Old Testament Commentary . Grand Rapids, MI; Cambridge, UK: William B. Eerdmans Publishing Company, 2008.
  • GRZYBEK, Stanisław. Anthropology of Psalm 8. Studia Theologica Varsaviensia, [s.v.], [s.n.], p. 203-210, 2019.
  • GUTHRIE, George H. Hebreus. In : BEALE Gregory K.; CARSON Donald A. (Ed.). Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento São Paulo: Vida Nova, 2014. p. 1131-1222.
  • KIDNER, Derek. Salmos 1–72: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2006. Série Cultura Bíblica.
  • KINZER, Mark S. “All Things Under His Feet”: Psalm 8 in the New Testament and in Other Jewish Literature of Late Antiquity. Tese de doutorado (PhD), University of Michigan, 1995.
  • KRAFTCHICK, Steven J. Plac’d on this isthmus of a middle state: Reflection on Psalm 8 and human becoming. Word & World, v. 35, n. 2, p. 115-125, 2015.
  • KRAUT, Judah. The birds and the babes: The structure and meaning of Psalm 8. Jewish Quarterly Review, v. 100, n. 1, p. 10-24, 2010.
  • MARÉ, Leonard P. Psalm 8: God’s glory and humanity’s reflected glory. Old Testament Essays, v. 19, n. 3, p. 926-938, 2006.
  • MASTON, Jason. “What is man?” An argument for the christological reading of Psalm 8 in Hebrews 2. Zeitschrift für die Neutestamentliche Wissenschaft, v. 112, n. 1, p. 89-104, 2021.
  • MAYS, James L. Psalms Interpretation, a Bible Commentary for Teaching and Preaching. Louisville: John Knox Press, 1994.
  • OLIVEIRA, Gabrielly S. O texto sagrado como objeto de análise semiótica: Salmos 08 em questão. In : AZEVEDO, Renan R.; SILVA, Sueli M. R. (Org.). Semiótica em Estágio, Docência na Graduação: Produções e Práticas de Análise. Belém: RFB, 2023. p. 37-47.
  • PAGÁN, Samuel. De lo Profundo, Señor, a Ti Clamo: Introducción y Comentario al Libro de los Salmos. Miami: Editorial Patmos, 2007.
  • PETERSON, Margaret K. Psalm 8: A Theological and Historical Analysis of Its Interpretation. Tese de doutorado (PhD), Duke University, 1998.
  • PRINSLOO, Gert T. M. Polarity as dominant textual strategy in Psalm 8. Old Testament Essays, v. 8, p. 370-387, 1995.
  • RAHLFS, Alfred (Ed.). Septuaginta: Id est Vetus Testamentum Graece Iuxta LXX Interpretes. Revisão de Robert Hanhart. 2.ed. rev. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2006.
  • ROSZAK, Piotr. El hombre ante Dios: Comentario de Tomás de Aquino al Salmo 8, a la luz de sus fuentes. Scripta Theologica, v. 43, n. 1, p. 143-162, 2011.
  • SCHÖKEL, Luis A. Treinta Salmos: Poesia y Oración. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1981.
  • SCHÖKEL, Luis A.; CARNITI, Cecilia. Salmos I (Salmos 1–72) São Paulo: Paulus, 1996.
  • SILVA, Valmor. Louvor no Salmo 8. Estudos Bíblicos, v. 28, n. 105, p. 21-31, 2022.
  • SIMIÁN-YOFRE, Horacio. ¿Qué es el hombre? El Salmo 8, una meditación de Génesis 1–2. Revista Bíblica, v. 71, n. 3-4, p. 181-191, 2009.
  • TERRIEN, Samuel. The Psalms: Strophic Structure and Theological Commentary. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 2003.
  • VAN ZYL, A. H. Psalms. In : VAN ZYL, A. H. et al. (Ed.). Die Bybel Verklaar. Kaapstad: Lux Verbi, 1993. (1983-Vertaling. Biblioteca Digital Libronix)
  • VASCONCELOS, André; RUEDA NETO, Eduardo. Environmental education in light of the Bible. The Journal of Adventist Education, v. 86, n. 1, p. 30-35, 2024.
  • WALTKE, Bruce K.; HOUSTON, James M.; MOORE, Erika. Os Salmos Como Adoração Cristã: Um Comentário Histórico. São Paulo: Shedd Publicações, 2015.
  • WALTNER, James H. Psalms Believers Church Bible Commentary. Scottdale, PA; Waterloo, ON: Herald Press, 2006.
  • WHITEKETTLE, Richard. Taming the shrew, shrike, and shrimp: The form and function of zoological classification in Psalm 8. Journal of Biblical Literature, v. 125, n. 4, p. 749-765, 2006.
  • WIERSBE, Warren W. Be Worshipful Colorado Springs, CO: Cook Communications Ministries, 2004.
  • WITTHOFF, David et al. Psalms: Form and Structure. Psalms Explorer. Organizado por Eli Evans. Recurso interativo. Logos Bible Software, Bellingham, WA: Faithlife, 2014.

Editado por

  • Editores:
    Franklin Alves Pereira e Márcia Eloi Rodrigues

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    25 Jul 2025
  • Aceito
    27 Ago 2025
location_on
Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) Avenida Doutor Cristiano Guimarães, 2127 - Bairro Planalto, Minas Gerais - Belo Horizonte, Cep: 31720-300, Tel: 55 (31) 3115.7000 - Belo Horizonte - MG - Brazil
E-mail: editor.pt@faje.asav.org.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro