Este artigo investiga o legado teológico do Papa Francisco a partir da articulação de três eixos: (1) o conceito de legado proposto por Marlon Reikdal, entendido como processo de autodescobrimento, compromisso e entrega ao coletivo; (2) a dialética entre preservação da tradição e urgência de reforma, analisada por João Décio Passos; e (3) o núcleo cristológico do pontificado, expresso nos temas da encarnação, kénosis, misericórdia e esperança, a partir da autobiografia Esperança e da Bula A esperança não decepciona. A pesquisa sustenta que o pontificado de Francisco constitui uma práxis teológica humanizadora, na qual a tradição é tratada como fonte viva, a realidade como lugar teológico e a misericórdia como forma concreta do amor divino. Conclui-se que o legado de Francisco é uma teologia encarnada, marcada pela proximidade, pela reforma legítima e pela centralidade do humano como lugar da revelação.
PALAVRAS-CHAVE
Papa Francisco; Legado;
Kénosis
; Encarnação; Esperança