Este estudo investigou as repercussões da violência emocional intrafamiliar ao longo da vida de indivíduos que passaram por essa experiência. Trata-se de um estudo qualitativo que entrevistou 12 pessoas entre 19 e 38 anos. Optou-se pela entrevista narrativa com roteiro semiestruturado e pelo método fenomenológico de sistematização de dados. A análise foi realizada com base na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano (TBDH). Foram identificados processos proximais inversos (PPI) como relacionamentos familiares negligentes, abusivos e violentos, marcados por estereótipos, humilhações e conflitos, frequentemente perpetrados pelos genitores. Os PPI afetaram negativamente os desenvolvimentos intelectual, físico e socioemocional dos participantes, incluindo autoestima, desempenho profissional e escolar e revitimização ou perpetuação da violência contra parceiros ou descendentes. Fatores pessoais (estereótipos, autoritarismo, baixa autoestima etc.), contextuais (ambiente conflituoso, ausência paterna, sobrecarga materna etc.) e temporais (transgeracionalidade) influenciaram os PPI e o desenvolvimento. Destaca-se a necessidade de mais pesquisas sobre os PPI e seus impactos a longo prazo.
Palavras-chave:
violência na família; violência emocional; processos proximais inversos; teoria bioecológica