Este trabalho identifica os motivos de perseverança de jovens moradores de M’Boi Mirim – zona sul de São Paulo – na preparação para os processos de seleção para o ensino superior. Por meio de pesquisa e ação em parceria com a Rede Ubuntu de Educação Popular, percebemos que, a despeito da falta de identificação com o sistema de ensino formal, jovens encontram ali uma experiência de pertencimento e cumplicidade entre pares capaz de ressignificar a própria experiência de estudo e aprendizagem, ampliando suas expectativas de futuro. Embora seus percursos possam se mostrar oscilantes conforme a situação financeira, familiar e relacional, uma eventual interrupção não representa “evasão” de seu processo de formação, tal sugeriria o contexto do ensino formal. Propomos que a experiência da Rede Ubuntu seja lida enquanto ação pública, capaz de produzir saberes relevantes sobre práticas de ensino-aprendizagem com jovens, contribuindo com políticas públicas em situações de vulnerabilidades.
Palavras-chave:
juventude; educação; vulnerabilidade; cursinho popular; ação pública