Introdução: A residência médica em mastologia desempenha papel central na formação especializada para o cuidado integral às doenças mamárias, particularmente no contexto do câncer de mama, cuja prevalência crescente demanda profissionais altamente qualificados. Avaliar a trajetória dos egressos permite identificar a capacidade dos programas em promover competência técnica, continuidade formativa e contribuição ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Objetivo: Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil, a inserção profissional e a percepção formativa de egressos do Programa de Residência em Mastologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisando sua atuação e o acesso a recursos assistenciais.
Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, realizado por questionário eletrônico aplicado a 31 egressos formados entre 2005 e 2022. Analisaram-se variáveis sociodemográficas, trajetória formativa, inserção profissional e acesso a tecnologias diagnósticas e terapêuticas. Analisaram-se os dados por meio de estatística descritiva. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CAAE nº 63976822.0.0000.5404).
Resultado: Obtiveram-se 28 respostas (90%). A maioria dos participantes era do sexo feminino (68%), com formação prévia em ginecologia e obstetrícia (93%) e dedicação predominante à mastologia (57% dedicando ≥ 75% da carga horária). Houve elevada satisfação profissional (93% com notas 4-5) e alta percepção de preparo para atuação (96% com notas 4-5). Entretanto, o acesso a oncoplastia avançada e a tecnologias diagnósticas variou conforme o serviço, com maior disponibilidade na saúde suplementar.
Conclusão: Os resultados indicam excelência técnica e forte inserção profissional dos egressos, com impacto positivo no cuidado especializado. Contudo, persistem desigualdades estruturais no acesso a tecnologias terapêuticas e reconstrutivas no SUS, apontando oportunidades para fortalecer redes assistenciais, estágios complementares e políticas de fixação.
Palavras-chave:
Mastologia; Educação Médica; Residência Médica; Egressos; Mercado de trabalho