O presente artigo tem como objetivo analisar as marcas de resistência no discurso do Serviço de Educação Musical (SEMA), perante a criação da disciplina Educação Artística no contexto da lei nº 5.692/71, no estado da Guanabara. A pesquisa, de cunho documental e bibliográfico, se insere no âmbito da nova história cultural, com o referencial teórico apoiado no campo da história das disciplinas escolares, no conceito de tática da teoria do cotidiano e nos estudos dos processos reformistas no contexto escolar. As principais fontes de pesquisa foram publicações do SEMA, dentre as quais se destacam quatro números da revista TEMA (lançadas entre 1969 e 1974); reportagens de jornais da época; e documentos oficiais do governo da Guanabara sobre a reforma do ensino. Os procedimentos de análise das fontes consideraram o contexto, o autor ou autores (pessoais ou institucionais), a autenticidade e a confiabilidade do documento, sua natureza e os conceitos-chave presentes no texto, bem como sua lógica interna. Os resultados apontam que a principal tática de resistência do SEMA foi declarar apoio à reforma, ao mesmo tempo que tentava inserir sua concepção de educação musical nas regulamentações produzidas para a sua implementação. Dessa forma, mesmo perdendo espaço, a música continuou sendo praticada nas escolas da Guanabara mesmo depois da criação da disciplina Educação Artística.
Palavras-chave:
reforma educacional; ditadura militar; educação artística; educação musical; história das disciplinas escolares
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Nota. Arquivo Setorial do CLA - UNIRIO.
Nota. Biblioteca Nacional. Catálogo de Publicações Seriadas (acervo físico).
Nota. Reproduzido de Kelly lembra Villa-Lobos abrindo Semana da Música, Diário de Notícias, 26 de outubro de 1972, p. 5.
Nota. Adaptado de Subsídios para a elaboração dos currículos plenos dos estabelecimentos oficiais de ensino de 1º grau (n.d., p. 284). Bloch Educação.
Nota. Biblioteca Nacional. Catálogo de Publicações Seriadas (acervo físico).