Introdução: A tuberculose é uma doença infectocontagiosa de elevada relevância para a saúde pública. Embora grande parte da literatura enfoque os profissionais de saúde, outros setores econômicos também podem apresentar condições favoráveis à transmissão e ao adoecimento.
Objetivos: Analisar a ocorrência de benefícios previdenciários por tuberculose relacionados ao trabalho no Brasil e revisar evidências científicas sobre atividades econômicas e ocupações com risco aumentado de infecção, excetuando os profissionais de saúde.
Métodos: Estudo ecológico baseado em dados públicos do Instituto Nacional do Seguro Social. Foram incluídos benefícios por incapacidade laborativa acidentária (B91) concedidos entre 2022 e 2024, associados aos códigos A15 a A19 da 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças. Os resultados foram descritos segundo o número de benefícios e os códigos correspondentes da Classificação Nacional de Atividades Econômicas. Paralelamente, conduziu-se uma revisão narrativa da literatura científica nas bases PubMed e SciELO, incluindo estudos primários em português e inglês com trabalhadores de diferentes setores produtivos.
Resultados: No período analisado, concederam-se 115 benefícios B91 por tuberculose em 2022, 123 em 2023 e 65 em 2024. A literatura identificou risco aumentado de tuberculose em trabalhadores da limpeza, lavanderia, panificação, construção civil, coleta de resíduos, esgotamento sanitário, confecção têxtil e mineração, associado a fatores como ventilação inadequada, exposição à sílica, condições sanitárias precárias e vulnerabilidade social.
Conclusões: A tuberculose relacionada ao trabalho extrapola o setor da saúde, atingindo múltiplos segmentos produtivos. O reconhecimento dessas exposições é essencial para orientar medidas de vigilância, inspeção e prevenção, visando à redução da tuberculose ocupacional.
Palavras-chave
tuberculose; exposição ocupacional; trabalho.