O presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa conduzida em uma instituição pública brasileira envolvendo docentes que atuam no ensino superior, no curso de Administração de Empresas. O objetivo é analisar a reorganização e a desorganização do trabalho decorrentes do teletrabalho compulsório. Para esse fim, o método aproxima-se da proposta da Ontologia e Epistemologia Crítica do Concreto, a partir de uma abordagem qualitativa, analítica, abrangendo o período de 2020 a 2022. Os dados foram coletados por meio de consulta a documentos institucionais e de entrevistas semiestruturadas. O estudo contou com a participação de nove docentes. A análise dos dados foi conduzida com base na análise de conteúdo. A pesquisa revela mudanças no trabalho docente durante a pandemia, incluindo adaptações tecnológicas; alterações nas rotinas; extensão da jornada e intensificação do trabalho; e falta de suporte institucional. Contradições surgem entre vantagens e desafios percebidos pelos docentes. Tais elementos resultaram em pressões acumuladas que levaram a um desgaste físico e emocional para esses profissionais. Conclui-se que o teletrabalho trouxe tanto a necessária reorganização para a continuidade do ensino quanto a desorganização, ao modificar profundamente as dinâmicas tradicionais de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave:
Teletrabalho compulsório; Organização do trabalho; Trabalho docente