RESUMO
Esse artigo apresenta os resultados experimentais da avaliação das características mineralógicas de um tipo de solo característico do estado do Acre – localmente conhecido como tabatinga – na confecção de agregados artificiais de argila calcinada visando seu emprego em camadas de bases de pavimentos rodoviários. A correta identificação dos argilominerais através da técnica de Difração de Raios X se mostra mais confiável e eficaz quando precedida de tratamentos preliminares da amostra envolvendo sedimentação, retirada de ferro e preparo de lâminas em condições saturadas e aquecidas. Os resultados indicam que o solo apresenta características mineralógicas compatíveis com a produção de agregados calcinados com características físicas e mecânicas adequadas para o uso proposto, além de indicar que os critérios de classificação preliminares envolvendo índices físicos nem sempre são suficientes.
Palavras-chave
argila calcinada; DRX; argilominerais; pavimentação; Acre
ABSTRACT
This paper presents the experimental results of the evaluation of the mineralogical features of a soil from the Southwest of the Brazilian Amazon used to produce calcined aggregates for road pavements. The identification of clay minerals by X-Ray Diffraction technique is more efficient when preceded by preliminary sample treatments involving sedimentation, iron removal and preparation of microscope slides under glycol-saturated and heated conditions. The results show that the soil presents mineralogical features suitable for the production of calcined aggregates with acceptable mechanical behavior for the proposed use; they also show that the preliminary classification involving physical indexes are not always sufficient to verify the suitability of the soils.
Keywords
calcined clay; X-ray diffraction; clay minerals; paving; Acre
1. INTRODUÇÃO
Desde o início das obras de implantação de estradas no estado do Acre, o meio técnico ligado à área rodoviária vem enfrentando diversas dificuldades de ordem geotécnica. A generalizada ocorrência de solos de elevada atividade (estrutura 2:1) inadequados para emprego direto em camadas de bases de pavimentos devido aos seus altos valores de plasticidade e expansão [1], aliada à ausência de jazidas de rochas disponíveis para exploração comercial em seu território [2], vêm contribuindo para rodovias com graves problemas estruturais e com elevados custos.
O Acre é o único estado do Brasil que não explora a chamada pedra britada, cuja utilização é recorrente em bases granulares de pavimentos, seja mediante brita graduada simples (BGS) ou em misturas solo-agregado. A alternativa utilizada é a importação de agregados pétreos de estados vizinhos, gerando elevados custos de transporte e dificultando a viabilização de diversas obras [2]. Como consequência, o Acre é o estado que possui a brita mais cara do Brasil, conforme os índices da Construção Civil - SINAPI [3].
Diante desse cenário geotécnico desfavorável, a produção de agregados alternativos a partir de recursos locais é uma alternativa com grande potencial para a região. Além disso, o aproveitamento de solos de larga ocorrência, não utilizáveis em pavimentos, pode ser útil como matéria-prima para a fabricação de agregados de argila calcinada. Os agregados produzidos, uma vez que atendam aos critérios de ensaios para uso em bases de pavimentos, conforme prescrito na Norma DNER-ES 227/89 [4], podem ser utilizados em substituição à pedra britada, reduzindo o custo da estabilização de solos com distribuição granulométrica deficiente. Tais alternativas tecnológicas já se mostraram tecnicamente adequadas a partir dos trabalhos desenvolvidos em [5], onde foram empregados solos provenientes da indústria cerâmica de tijolos, e também em [6], onde empregou-se um solo de elevada atividade conhecido localmente como tabatinga. Os agregados produzidos em ambos os trabalhos são apresentados na Figura 01.
A denominação tabatinga é associada a alguns solos com características mecânicas peculiares bem conhecidas na prática rodoviária regional do Acre, especialmente ao longo da rodovia BR-364, na porção central do estado. Trata-se de um solo silto-argiloso de origem sedimentar e coloração esbranquiçada, apresentando plasticidade superior a diversos solos argilosos locais e elevada expansão quando em contato com a água.
Não obstante, a sua extensa ocorrência territorial pode ser apontada como um dos fatores responsáveis por diversas falhas estruturais em pavimentos construídos no estado. Suas características físicas, químicas e mineralógicas são negligenciadas para fins geotécnicos, uma vez que as principais pesquisas sobre esse material no estado são voltadas para o setor primário da economia, tais como extrativismo vegetal, agricultura ou pecuária.
No tocante à utilização desse solo na indústria cerâmica acreana, seu uso muitas vezes é preterido por solos menos plásticos ou mediante misturas, tendo como consequência materiais cerâmicos de menor qualidade. Um dos motivos é que o produto final – tijolos em sua grande parte –, possui exigências técnicas diferenciadas e muitas vezes mais brandas do que agregados para uso em pavimentação. Dessa forma, não tendo que atender a características específicas para agregados calcinados, a seleção de solos nessa indústria acaba baseando-se nas características físicas de materiais que garantam o atendimento aos critérios mínimos exigidos e uma maior produtividade.
Apesar da importância de se avaliar as características físicas da matéria-prima mediante ensaios granulométricos, os resultados obtidos não podem, isoladamente, assegurar as características finais de um produto cerâmico. Isso porque as partículas responsáveis pela maior parte dos fenômenos físico-químicos possuem diâmetro inferior a 2µm [5]. Dessa forma, à medida que o diâmetro das partículas do solo diminui, o comportamento da massa passa a depender fundamentalmente de sua composição mineralógica e da presença e natureza da água. Ou seja, em solos muitos finos como a tabatinga estudada, as forças superficiais decorrentes da estrutura cristalina das partículas predominam sobre as forças gravitacionais.
De acordo com [7], as argilas são constituídas essencialmente por partículas cristalinas extremamente pequenas de um número restrito de minerais conhecidos como argilominerais. Quimicamente, os argilominerais são compostos por silicatos hidratados de alumínio e ferro com a presença predominante de elementos alcalinos e alcalinos terrosos. Além dos argilominerais, as argilas podem conter ainda outros materiais e minerais, tais como matéria orgânica, sais solúveis, quartzo, pirita, mica, calcita, dolomita e outros minerais residuais, ou ainda minerais não-cristalinos ou amorfos.
Dessa forma, em função da necessidade de correlacionar o desempenho obtido nos agregados aos tipos de argilominerais presentes na matéria-prima, este artigo apresenta os procedimentos e os resultados da caracterização mineralógica de um solo que resultou em agregados calcinados de características técnicas satisfatórias para emprego em camadas de bases de pavimentos [5], constituindo-se a primeira utilização desses procedimentos para essa finalidade.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 Caracterização preliminar da matéria-prima
O solo argiloso empregado neste trabalho foi coletado no entorno de Rio Branco, no estado do Acre. O aspecto tátil-visual do material demonstrou alta plasticidade, textura fina e aspecto mosqueado – tonalidades diferentes – com fundo cinza e manchas vermelhas, o que está relacionado à variação do lençol freático e redução de ferro, conforme a Figura 2. Solos com esse aspecto ou similares são identificados regionalmente como tabatinga, cuja escolha para essa investigação se baseou no fato de suas características se assemelharem a grande parte dos solos acreanos.
Local da ocorrência no entorno de Rio Branco e aspecto da matéria-prima (tabatinga) coletada.
A tabatinga não é exatamente uma terminologia que designa uma classe de solo prevista no Sistema brasileiro de classificação de solos (SiBCS), tampouco é objetivo desta pesquisa fazer uma correlação precisa a esse respeito, visto que demandaria uma extensa abordagem específica. Contudo, para fins de classificação preliminar de solos visando ao uso em agregados calcinados, conforme sugerido por [6], é recomendável identificar características comuns entre o solo estudado e uma ou mais classes pedológicas na região de estudo.
Dentre os principais solos do Acre, especialmente na porção central do estado, destacam-se os Vertissolos e os Cambissolos, os quais apresentam algumas características em comum que podem ser relacionadas ao comportamento do solo estudado nesta pesquisa, tais como: elevada atividade com presença de argilominerais expansíveis (estrutura 2:1), solos rasos, imperfeitamente drenados, consistência extremamente dura quando secos e muito plástica e pegajosa quando úmidos, alta capacidade de troca catiônica (CTC) e estrutura em blocos angulares e subangulares resultantes do processo de expansão e contração [1], conforme comparativo da figura 3 entre os prismas pedológicos desses solos e o material utilizado nesta pesquisa.
(a) Prisma pedológico do Cambissolos; (b) Prisma pedológico do Vertissolo [1]; (c) Tabatinga coletada.
Como etapa de caracterização preliminar do solo para emprego em agregados calcinados, conforme metodologia desenvolvida no Instituto Militar de Engenharia (IME) disponível em [8], foi realizada no laboratório de solos dessa mesma instituição a caracterização física do solo através dos ensaios de granulometria [9], Limites de Atterberg [10], [11] e Massa específica real dos grãos [12], obtendo-se os resultados apresentados na Tabela 1:
Os resultados dos ensaios de caracterização física da matéria-prima indicaram que o solo argiloso deste estudo é altamente plástico e com partículas muito finas passando totalmente na peneira nº 200 (0,075 mm). Isso se traduz em um solo com elevada superfície específica, o que pode também ser observado através do valor do Limite de Liquidez de 86% e Índice de Plasticidade (IP) de 43%.
Para a produção de produtos cerâmicos convencionais, os resultados apresentados pressupõem a confecção de uma massa com boa plasticidade e alta resistência mecânica (antes e após a queima), porém demandando uma grande quantidade de água. Infere-se também que, nessas condições físicas, o alto grau de compactação de uma massa cerâmica produzida com esse material dificulta a eliminação de água durante o processo de secagem, provocando fortes retrações diferenciais e deformações, o que geralmente é solucionado aumentando o processo de secagem ou adicionando materiais não-plásticos (partículas geralmente acima de 60 µm).
Uma importante ferramenta adotada na indústria cerâmica e também indicada na Metodologia de fabricação de agregados calcinados [8] é o Diagrama de Winkler. Trata-se de um diagrama triangular onde cada vértice é representado por diferentes faixas granulométricas, tendo por objetivo identificar o potencial de utilização de um solo para diferentes tipos de produtos cerâmicos. Trabalhos como os de [6] e [8] apontam as faixas A e B como as mais propícias a gerar agregados calcinados de boa qualidade, porém são feitas ressalvas de que essa análise isolada não necessariamente garantirá produtos com boas características técnicas, conforme é demonstrado nesta pesquisa. A Figura 4 apresenta a classificação da tabatinga no citado diagrama.
Observa-se que o solo desta pesquisa não se enquadrou no diagrama nas faixas consideradas ideais para fabricação de agregados de argila calcinada. Porém, tendo em vista privilegiar a investigação de solos que resultam em agregados com boas características técnicas do ponto de vista mecânico, aceitou-se a possibilidade de perdas na produtividade com retração ou secagem, mantendo o solo sem a introdução de outros materiais não plásticos, ou seja, fora das faixas mais recomendadas do Diagrama de Winkler. Nesta etapa do estudo, portanto, torna-se essencial uma maior compreensão das características químicas e mineralógicas do solo visando à fabricação de agregados calcinados.
2.2 Ensaios complementares: MEV e EDS
Objetivando produzir peças de melhor qualidade em menor temperatura, uma das técnicas amplamente utilizadas na indústria cerâmica é a inclusão de solos com a presença materiais fundentes na sua constituição. Os óxidos alcalinos (Na2O e K2O) e alcalino-terrosos (CaO e MgO) são os elementos fundentes mais eficientes utilizados, auxiliando a formação da fase líquida durante o processo de queima e permitindo o preenchimento dos poros da massa cerâmica, com consequente redução da absorção de água.
Segundo [13], os fundentes estão contidos nas estruturas das argilas ilíticas e esmectíticas presentes ou adsorvidos nos argilominerais, a exemplo dos complexos ferruginosos e sais solúveis, que podem reagir durante a etapa de queima. Os autores destacam que, para produtos da cerâmica vermelha com exigências técnicas mais rigorosas, como telhas e blocos estruturais, são recomendadas preferencialmente argilas mais ilíticas ou estas com a adição de outros fundentes como filitos.
Como etapa da caracterização química da tabatinga, uma amostra foi analisada no Laboratório de Microscopia do Departamento de Ciência dos Materiais do IME/RJ, sendo observada no microscópio eletrônico de varredura (MEV) e, simultaneamente, foi analisada segundo o método da espectrometria de energia dispersiva de raios X (EDS). Os resultados são apresentados na Figura 5 e na Tabela 2.
Conforme observado no MEV (Figura 5), verificou-se que a morfologia da tabatinga apresenta partículas unidas e com grãos levemente arredondados. Nos resultados do ensaio EDS mostrados na Tabela 2, a matéria-prima apresentou elementos fundentes dentro das faixas consideradas favoráveis à produção de agregados calcinados de boas características técnicas [8]. Isso pode ser visto na concentração de elementos como o óxido de potássio (K2O) e o óxido de magnésio (MgO). Além disso, pôde-se observar a presença de matéria orgânica, o que, segundo [7], pode conferir um caráter plástico muito desejável para produtos cerâmicos.
Os argilominerais possuem grande influência no produto cerâmico, uma vez que, dependendo de suas características e da forma como se combinam no solo, suas partículas absorvem quantidades variáveis de água e íons. Ademais, o tamanho reduzido dos argilominerais, aliado à sua constituição mineralógica, conferem às partículas de argila um comportamento diferenciado em relação às outras frações presentes no solo, como frações silte e areia [13].
No tocante às pesquisas destinadas à obtenção de agregados de argila calcinada tecnicamente adequados, as experiências práticas indicaram que os argilominerais do grupo das ilitas, caulinitas e esmectitas, bem como suas misturas, apresentaram os melhores resultados [8]. Dentre esses argilominerais, os trabalhos de [6], [15] e [16] apontam que a presença da ilita gera uma maior coesão das partículas quando submetidos a processos de sinterização, aumentando a resistência ao mesmo tempo em que reduz a absorção de água.
A identificação dos argilominerais presentes numa amostra de argila pode ser obtida por meio da Difração de Raios X (DRX), a qual é considerada uma das principais ferramentas para a identificação das fases presentes em materiais cristalinos. Nesse sentido, a próxima etapa do estudo busca apresentar um procedimento eficiente para a correta identificação dos argilominerais presentes na matéria-prima empregada nesta pesquisa.
2.3 Análise Mineralógica: Difração de raios X
A análise mineralógica foi realizada no Laboratório de Pedologia e Mineralogia das argilas, pertencente ao Departamento de Geologia da UFRJ. A correta identificação dos argilominerais através do ensaio de DRX foi possível após uma série de etapas segundo o método sugerido por [18], que consistiu basicamente em: obtenção da fração argila por sedimentação, retirada do ferro livre através do CBD e preparação das lâminas orientadas nas condições natural, glicolada e aquecida a 500 ºC.
As lâminas foram preparadas pelo método do esfregaço, que consistiu em utilizar uma espátula e esfregar a amostra em uma lâmina de vidro até ela ficar completamente orientada, evidenciando seus planos basais. A primeira amostra obtida é chamada de lâmina-guia, a qual deve-se secar por 24 horas antes de ser realizado o ensaio.
Como alguns grupos de argilominerais exibem propriedades expansivas, a adição de água ou outros líquidos polares como o glicol e a glicerina causam expansão por sua entrada nos espaços interplanares. Assim, uma das lâminas preparadas foi submetida à solvatação com etilenoglicol (glicolagem).
Outra característica dos argilominerais é o fato de serem hidratados, apresentando hidroxilas (OH) ou mesmo moléculas de água (H2O) nos espaçamentos interlamelares de sua estrutura. Como o aquecimento a temperaturas elevadas pode eliminar essas moléculas, provocando modificações estruturais passíveis de detecção no difratograma de raios X, seguiu-se então colocando uma das lâminas em um forno mufla e aquecendo-se a amostra a 500 ºC durante 2 horas.
Tendo em vista a grande quantidade de ferro encontrada em alguns solos brasileiros, foi realizada a retirada desse elemento das amostras desse estudo, evitando que quaisquer componentes mascarem os resultados da determinação dos argilominerais.
O ensaio de DRX foi aplicado nas lâminas guia, glicolada e aquecida, com e sem a retirada de ferro. O equipamento utilizado foi Bruker-D4 endeavor, nas seguintes condições de operação: radiação Co Kα (40 kV/40 mA); ensaio executado em ritmo lento, varrendo-se de 2º até 30º (escala 2θ) com velocidade de 1º / min. As interpretações qualitativas do espectro foram efetuadas por comparação com padrões contidos no banco de dados do padrão American Society for Testing and Materials (ASTM). O procedimento completo realizado tendo como base o método de [18] é mostrado no fluxograma da Figura 6 e detalhado nas Figuras 7, 8 e 9.
Fluxograma ilustrando toda a etapa de caracterização mineralógica realizada nesta pesquisa.
(1) Etapa de defloculação da amostra com a adição de hidróxido de sódio (NaOH 1M) após secagem e destorroamento; (2) Separação da fração argila por sifonamento com o auxílio de tubo plástico; (3) Argila concentrada após centrifugação a 10.000 rotações / min.
(4-a) Preparo da lâmina-guia pelo método do esfregaço; (4-b) solvatação com etilenoglicol (glicolagem); (4-c) aquecimento no forno mufla.
(5-a) Aquecimento da amostra; (5-b) Aspecto translúcido da amostra após retirada do ferro livre pelo CBD; (6) vista do difratômetro em operação durante o ensaio DRX.
3. RESULTADOS
Os resultados obtidos no ensaio DRX são apresentados na Figura 10 e na Tabela 3:
Argilominerais com seus respectivos planos basais obtidos nas corridas normal, glicolada e aquecida.
4. DISCUSSÃO
No difratograma da figura 10 observam-se picos correspondentes aos argilominerais com distância basal de d = 14,97 Å, típicos de argilominerais com estruturas 2:1. Quando glicola-se a amostra, o pico principal vai para 16,66 Å, indicando a expansão do argilomineral, o que remete a valores e características típicos da esmectita. Outro fator que reforça a presença da esmectita é que, quando este argilomineral é aquecido, a perda de água provoca o desmoronamento das estruturas intercamadas, ou seja, colapsam. Neste caso, o difratograma da Fig. 10 demonstra a mudança do pico principal para 9,98 Å.
A ilita apresenta picos bem definidos a 10Å, 5Å e 3,3Å, não sofrendo nenhuma alteração de posição ou de intensidade quando glicoladas ou aquecidas [7]. Comparando esses dados com os valores observados no difratograma da Fig. 10, constata-se a presença desse argilomineral, uma vez que não há deslocamento dos picos mesmo variando-se o procedimento de obtenção das lâminas.
A caulinita, por sua vez, apresenta picos a 7 Å e a 3,5Å nas corridas normal e glicolada. Sua presença se confirma na corrida aquecida, pois sua estrutura cristalina não resiste ao aquecimento, de forma que ospicos a 7Å e 3,5Å desaparecem totalmente, o que condiz com os valores encontrados no difratograma.
Nesta amostra há também a presença de uma pequena quantidade de quatzo (3,34Å e 4,26Å, principal e secundário, respectivamente). No caso do pico a 3,34 Å observado, além de ser característico do pico do argilomineral ilita, é também o pico principal do mineral quartzo, Assim, em função do aparecimento dopequeno pico a 4,26Å, secundário do quartzo, conclui-se que o mesmo se encontra presente na amostra e o pico a 3,34Å trata-se da contribuição dessas duas espécies.
Tendo em vista a composição mineralógica obtida (esmectita, ilita e caulinita) ter resultado em agregados calcinados que atendem aos critérios mínimos exigidos em norma para uso em bases de pavimentos [4], bem como não terem apresentado qualquer tipo de falha durante sua fase de produção [5], constata-se que a utilização da tabatinga é tecnicamente viável para essa finalidade, mesmo quando se tratar de solos que não possuem distribuição granulométrica adequada para produtos cerâmicos segundo o diagrama de Winkler.
5. CONCLUSÕES
O procedimento utilizado para a identificação dos argilominerais por difração de raios X permitiu identificar de forma eficiente e confiável os argilominerais presentes no solo argiloso estudado. A despeito da granulometria fina do material (100% passando na peneira nº 200 e 30,6% de fração argila) encontrar-se fora das faixas granulométricas consideradas adequadas para produtos cerâmicos segundo o diagrama de Winkler, a composição mineralógica obtida, com a presença de esmectita, ilita e caulinita, compõe um solo que resultou em agregados calcinados com perda de material dentro do admitido para os ensaios de Perda de massa após fervura e Desgaste por abrasão Los Angeles, previstos na Norma DNER-ES 227/89 e que atestam o uso de agregados de argila para bases de pavimentos rodoviários. Como consequência, o aproveitamento dessas argilas de elevada atividade – que são abundantes ao longo do principal segmento rodoviário do estado (BR-364) – pode proporcionar agregados para pavimentação a custos menores que as opções atualmente utilizadas. Dessa forma, os procedimentos descritos neste trabalho traduzem-se em uma identificação mais racional de jazidas de solos para emprego na produção de agregados calcinados no estado do Acre, viabilizando diversas obras de infraestrutura rodoviária e possibilitando uma maior inclusão social e econômica da região.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Professora Helena Polivanov, do Departamento de Geologia da UFRJ, que generosamente contribuiu para o desenvolvimento deste trabalh
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