IMAGENS EM DIP
Linfadenomegalia torácica como manifestação predominante de paracoccidioidomicose
Cláudia Yrlanda SimonI; Cleudson Nery de CastroI,II; Gustavo Adolfo Sierra RomeroI,II
IServiço de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Área de Clínica Médica do Hospital Universitário de Brasília, Brasília, DF
IINúcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília, Brasília, DF
A paciente de 23 anos, procedente de Araxá, MG, informava aumento de linfonodos cervicais axilares e inguinais de dois meses de evolução. Associou-se ao quadro tosse com expectoração esbranquiçada e no último mês febre noturna e perda ponderal. Negava dispnéia, queixas urinárias ou gastrointestinais. Ao exame, apresentava-se em regular estado geral, hipocorada, febril e com murmúrio vesicular rude bilateral. Constataram-se linfonodos cervicais, supraclaviculares, poplíteos, axilares e inguinais móveis, endurecidos e dolorosos (1 a 4cm). Um linfonodo cervical tinha sido submetido à biópsia e diagnosticado como criptococose ganglionar no serviço que realizou o encaminhamento. O abdome era normal. À internação apresentava leucocitose, hemoglobina de 9,6g/dl, BAAR do escarro e PPD negativos, ecografia abdominal normal e radiografia do tórax com imagens hilares densas (Figura 1). A suspeita de paracoccidioidomicose conduziu à revisão da biópsia, cujo resultado definitivo demonstrou a infecção por Paracoccidiodes brasiliensis. A reação sorológica por imunodifusão dupla em gel (ID) revelou positividade para paracoccidiodomicose com reação negativa para histoplasmose. Recebeu alta hospitalar com prescrição de itraconazol, continuando o acompanhamento ambulatorial mensal. Teve evolução satisfatória, tornando-se assintomática um mês após a introdução do itraconazol, permanecendo com evidência de adenomegalia hilar até o terceiro mês de tratamento (Figura 2). A ausculta respiratória foi normal após seis meses e as adenomegalias desapareceram oito meses depois. Um ano após, finalizou o tratamento com desaparecimento completo dos sinais e sintomas, queda dos títulos de anticorpos na ID e melhora radiológica notável (Figura 3). Apresentou a primeira ID não reagente 33 meses após interrupção do tratamento, recebendo alta do acompanhamento ambulatorial um ano depois.
A peculiaridade da apresentação refere-se ao acometimento linfonodal mais importante e notável na região intratorácica quando comparado com o acometimento das outras cadeias, sem sinais de gravidade e de infiltrados pulmonares relevantes, em uma mulher pós-púbere cuja resposta ao tratamento foi excelente o que difere da apresentação da forma juvenil clássica.
REFERENCES
1. Blotta MHSL, Mamoni RL, Oliveira SJ, Nouer AS, Papaiordanou PMO, Goveia A, Camargo ZP. Endemic regions of paracoccidioidomycosis in Brazil: a clinical and epidemiological study of 584 cases in the Southeast region. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene 61: 390-394, 1999.
2. Paniago AMM, Aguiar JIA, Aguiar ES, Cunha RV, Pereira GROL, Londero AT, Wanke B. Paracoccidiodomicose: estudo clínico e epidemiológico de 422 casos observados no Estado do Mato Grosso do Sul. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 36: 455-459, 2003.
3. Pereira RM, Bucaretchi F, Barison EM, Hessel G, Tresoldi AT. Paracoccidioidomycosis in children: clinical presentation, follow-up and outcome. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo 46: 127-131, 2004.
Recebido para publicação em 9/5/2005
Aceito em 15/6/2005
Tel: 55 61 3273-5008



