Este artigo visa discutir os modos como concebemos a correlação entre linguagem, subjetivação e infraestruturas técnicas digitais a partir da noção de performativo de J. L. Austin. Para isso, nosso ponto de partida é a análise de Fanon sobre as transformações subjetivas provocadas pelo uso do rádio durante a Revolução Argelina comparadas ao processo contemporâneo de digitalização da vida analisado por Letícia Cesarino. Tais estudos evidenciam, à sua maneira, o caráter performativo da linguagem em criar realidades. Contudo, diferentes apropriações da obra de Austin trazem contribuições divergentes para os estudos da linguagem nas sociedades digitais: por um lado, a normatização do performativo e a oposição verdadeiro x falso, presentes em Benveniste, Searle e Cesarino; por outro lado, a crítica focada nos efeitos da linguagem no mundo presente em Derrida e Butler. Analisando as possibilidades de uso da “verdade” na compreensão da linguagem em ambientes virtuais, posicionamo-nos na vertente crítica, afinada à nossa leitura de Fanon, para a compreensão das tecnologias nos processos de subjetivação como atos de fala performativos, nos quais a capacidade de agir não é eliminada, mas reconfigurada como agência situada.
Palavras-chave:
Linguagem; Performatividade; Subjetivação; Infraestruturas digitais; Agência