Resumo
A violência escolar pode afetar todos os que estão inseridos na instituição e gerar medo nos estudantes que sofrem agressões. O bullying verbal tem um impacto sobre quem o vivencia e pode ser umas das portas para se chegar à violência física. A amostra contou com 23.977 adolescentes de sete estados da Amazônia no Brasil. Realizou-se a regressão multinomial para verificar a associação das variáveis com as categorias de bullying verbal. Adotou-se o nível de significância estatística de 5%. A prevalência entre os adolescentes da Amazônia no Brasil vitimados pelo bullying verbal na escola foi de 4,3% (IC95% 3,86-4,72); entre aqueles que praticaram o bullying, denominados como perpetradores, de 15,9% (IC95% 15,02-16,87); e entre aqueles que foram vítimas e perpetradores do bullying, 2,0% (IC95% 1,70-2,23). O contexto escolar dos adolescentes na Amazônia brasileira continua sendo um espaço de reprodução da violência e a escola não é a única responsável pela produção da violência. Trata-se de um fenômeno complexo, dinâmico, multifacetado e multicausal, com raízes também em questões macrossociais, econômicas e socioculturais.
Palavras-chave:
Adolescente; Violência; Instituições acadêmicas; Comportamento de risco à saúde; Bullying
Abstract
School violence can affect all people present in the institution environment and generate fear in students who suffer aggression. Verbal bullying has an impact on who experiences it and can be one of the doors to reach physical violence. The sample consisted of 23,977 adolescents from seven Amazônia states in Brazil. Multinomial regression was performed to verify the association of variables with categories of verbal bullying. The level of statistical significance of 5% was adopted. The prevalence among adolescents in the Amazon in Brazil who were victims of verbal bullying at school was 4.3% (95%CI 3.86-4.72); among those who practiced bullying, denominated as perpetrators, 15.9% (95%CI 15.02-16.87); and among those who were victims and perpetrators of bullying, 2.0% (95%CI 1.70-2.23). The school context of adolescents in the Brazilian Amazon continues to be a space for the reproduction of violence and that the school is not solely responsible for the production of violence, because it is a complex, dynamic, multifaceted and multicausal phenomenon, with roots also in macrosocial, economic and sociocultural issues.
Key words:
Adolescent; Violence; Academic institutions; Health risk behavior; Bullying
Resumen
La violencia escolar puede afectar a todos en la institución y generar miedo en los alumnos que sufren agresiones. El acoso escolar verbal tiene impacto en quien lo sufre y puede ser una de las puertas de entrada a la violencia física. La muestra incluyó 23.977 adolescentes de siete estados amazónicos de Brasil. Se realizó una regresión multinomial para comprobar la asociación entre las variables y las categorías de acoso verbal. Se adoptó un nivel de significación estadística del 5%. La prevalencia entre los adolescentes de la Amazonia brasileña que fueron víctimas de acoso verbal en la escuela fue del 4,3% (IC95% 3,86-4,72); entre los que practicaron el acoso, denominados agresores, del 15,9% (IC95% 15,02-16,87); y entre los que fueron tanto víctimas como agresores de acoso del 2,0% (IC95% 1,70-2,23). El contexto escolar de los adolescentes de la Amazonía brasileña continúa siendo un espacio de reproducción de la violencia y la escuela no es la única responsable por la producción de violencia, ya que se trata de un fenómeno complejo, dinámico, multifacético y multicausal, enraizado también en cuestiones macrosociales, económicas y socioculturales.
Palabras clave:
Adolescente; Violencia; Instituciones académicas; Comportamientos de riesgo para la salud; Acoso escolar
Introdução
A violência entre adolescentes é um problema de saúde pública que se manifesta em vários espaços sociais, principalmente na escola. A relação escola-violência engloba tanto a agressão explícita quanto as formas simbólicas, enraizadas nas normas culturais e na desigualdade social1.
No ambiente escolar, os adolescentes formam laços afetivos fora do contexto familiar, e as relações interpessoais - entre professores e alunos e entre colegas - são fundamentais para o aprendizado e o desenvolvimento de valores2,3. Essas dinâmicas podem promover experiências positivas ou levar a conflitos, inclusive o bullying 3. O bullying diz respeito à agressão intencional repetida com base no desequilíbrio de poder, manifestando-se verbalmente, fisicamente, relacionalmente ou online 4,5. Suas consequências abrangem impactos de curto a longo prazo e podem desencadear comportamentos de risco à saúde4,6.
A escola espelha as relações sociais mais amplas e desempenha papel crucial na formação das experiências, da cidadania e da integração social dos adolescentes5,7,8. No Brasil, a violência escolar ganhou atenção a partir da década de 1980, inicialmente ligada a vandalismo e furto. A partir da década de 1990, o foco passou a ser os conflitos interpessoais e as questões comportamentais, incluindo o bullying 9,10. Essa violência pode afetar toda a comunidade escolar, comprometendo o bem-estar e o desempenho acadêmico dos alunos11-15.
A violência verbal, embora frequente, continua sendo subestimada, apesar de seu potencial para se transformar em agressão física12. As brigas entre alunos são comuns, conforme demonstrado em estudos internacionais, com prevalência significativa entre os adolescentes11,16,17. Pesquisas brasileiras corroboram esses achados, destacando disparidades ligadas à raça, ao status socioeconômico e ao tipo de escola18-20.
Compreender as especificidades da violência escolar é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes. A conscientização dos fatores de risco contribui para a criação de ambientes educacionais mais saudáveis7,21,22.
Este estudo analisa os fatores associados ao bullying verbal entre adolescentes na Amazônia, com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015.
Métodos
Trata-se de um estudo transversal que utiliza dados da edição de 2015 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação. Foram analisados apenas dados de alunos do 9º ano do ensino fundamental da região Norte do Brasil (estados da Amazônia).
A PeNSE utiliza um projeto de amostragem estratificado, complexo e de múltiplos estágios para representar os alunos brasileiros matriculados em escolas públicas e privadas. Para o presente estudo, foram incluídos 23.977 adolescentes de 714 escolas da região Norte. Foram excluídos os alunos que frequentavam aulas noturnas e os de outras regiões do Brasil.
Instrumentos
Os dados foram coletados por meio de questionários estruturados autoadministrados em smartphones. O instrumento abrangeu módulos temáticos, incluindo fatores socioeconômicos, contexto familiar, bullying, hábitos alimentares, atividade física, violência e segurança. O banco de dados de 2015 está disponível para acesso público²³.
Variáveis do estudo
A variável de resultado foi o bullying verbal, categorizado da seguinte forma:
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- Nem sofre, nem pratica: alunos que responderam “não” às perguntas sobre vítima e agressor.
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- Vítimas: aqueles que relataram ter sido verbalmente ofendidos ou humilhados por colegas de classe.
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- Agressores: aqueles que relataram ter ofendido ou humilhado colegas de classe.
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- Vítimas/agressores: aqueles que relataram ter sofrido e praticado bullying verbal.
As variáveis independentes incluíram dados sociodemográficos (sexo, idade, cor da pele/raça, tipo de escola, escolaridade da mãe), indicadores de saúde mental (solidão, insônia, presença de amigos), imagem corporal (percepção e satisfação) e contexto familiar (supervisão, compreensão emocional, intrusão).
Processamento e análise de dados
Os dados foram limpos e processados no programa Stata, versão 14.0, usando o comando svyset para levar em conta os pesos da amostra e o projeto complexo. O teste qui-quadrado de Pearson foi aplicado para avaliar as associações (nível de significância: 5%). A regressão logística multinomial foi usada para examinar as associações entre as categorias de bullying e as variáveis independentes, com “nem sofre, nem pratica” como referência. Os modelos foram ajustados para fatores sociodemográficos, incluindo sexo, idade, cor da pele/raça e tipo de escola.
Resultados
A amostra final incluiu 23.977 adolescentes de sete estados da região amazônica brasileira, selecionados por meio de um processo de amostragem complexo, conforme descrito na seção Métodos. O processo de seleção da amostra está detalhado na Figura 1.
Entre os participantes, 51,4% eram do sexo feminino e 64,7% tinham entre 11 e 14 anos de idade. A maioria dos adolescentes (89,2%) frequentava escolas públicas e se identificou como de cor/raça parda (56,4%). A Tabela 1 apresenta a distribuição dos adolescentes por características sociodemográficas e de saúde mental. Todas as variáveis sociodemográficas mostraram associação estatisticamente significativa com a saúde mental e com as categorias de bullying. Observou-se maior prevalência de agressores entre os homens (19,2%), em comparação com as mulheres (12,9%). A vitimização foi mais prevalente entre os adolescentes que se identificaram como de cor/raça amarela (7,4%), enquanto os alunos pardos, brancos e indígenas tiveram taxas próximas a 4%.
Com relação ao bullying verbal, a prevalência de vítimas foi de 4,3% (IC95%: 3,86-4,72), de agressores, 15,9% (IC95%: 15,02-16,87), e de vítimas/agressores, 2,0% (IC95%: 1,70-2,23). Aspectos de saúde mental, como sentimento de solidão, insônia e falta de amizades, foram relatados com mais frequência entre os agressores (Tabela 1).
A Tabela 2 evidencia que os adolescentes que consideravam sua imagem corporal sem importância, ou que se sentiam indiferentes ou insatisfeitos com seu corpo, tiveram maior prevalência de vitimização. Aqueles que se consideravam “muito gordos” também apresentaram taxas mais altas entre vítimas e vítimas/agressores. Entre os agressores, a distribuição permaneceu mais estável entre as categorias.
Com relação ao contexto familiar, 21,4% dos adolescentes relataram ter faltado à escola sem o conhecimento dos pais, e apenas 32,9% afirmaram que os pais supervisionavam a lição de casa. Em contrapartida, 60,7% tinham supervisão durante o tempo livre. Enquanto 41,1% se sentiam compreendidos por suas famílias, 11,8% relataram que seus pais se mexiam em seus pertences pessoais.
As vítimas de bullying foram as que mais relataram ter sofrido intrusão dos pais e violência sexual. Entre os agressores e vítimas/agressores, a prevalência de violência sexual também foi notavelmente alta. Os adolescentes que faltaram à escola três ou mais vezes por semana apresentaram maior prevalência de comportamento de bullying do que aqueles que nunca faltaram à escola (26,0% vs. 14,3% entre os agressores; 5,2% vs. 1,6% entre as vítimas/agressores).
Entre as 12 variáveis analisadas, apenas “ter familiares que entendem seus problemas” atuou como fator de proteção para todas as categorias de bullying. Outras variáveis, como “faltar à escola”, “intrusão dos pais” e “sentimentos corporais negativos”, foram consistentemente associadas a todas as categorias (Tabela 3).
Sentir-se sozinho foi mais fortemente associado à vitimização (OR: 4,37; IC95%: 3,30-5,80) e a ambos os papéis (OR: 2,72; IC95%: 1,92-3,85), em comparação com a perpetração (OR: 1,44; IC95%: 1,17-1,77). A insônia apresentou padrão semelhante, com associações mais fortes para vítimas (OR: 4,03; IC95%: 3,00-5,45) e vítimas/perpetradores (OR: 2,81; IC95%: 1,96-4,03) do que para perpetradores (OR: 1,70; IC95%: 1,43-2,03). Ter amigos foi inversamente associado apenas à vitimização.
Com relação à percepção corporal, categorias como “muito magro” e “gordo” foram associadas a todos os grupos de bullying, enquanto “muito gordo” não foi associado à perpetração, mas mostrou fortes associações com a vitimização (OR: 6,08; IC95%: 3,79-9,77) e vítima/perpetração (OR: 6,26; IC95%: 3,05-12,85).
Considerar a imagem corporal como “sem importância” foi associada à vitimização (OR: 2,87; IC95%: 2,00-4,11) e a ambas as funções (OR: 2,58; IC95%: 1,49-4,49), mas não à perpetração.
A supervisão dos pais sobre a lição de casa apareceu como fator de proteção entre os agressores e foi positivamente associada à vitimização. A supervisão durante o tempo livre foi associada apenas à perpetração. A experiência de violência sexual foi mais fortemente associada ao grupo vítima/perpetrador (OR: 6,18; IC95%: 3,66-10,44), em comparação com a vitimização (OR: 2,22; IC95%: 1,43-3,42) e a perpetração (OR: 2,34; IC95%: 1,79-3,06).
Discussão
O estudo revelou que, entre os adolescentes estudantes da Amazônia brasileira, o bullying verbal é um problema relevante, com maior prevalência de perpetração entre os adolescentes do sexo masculino. Além disso, fatores relacionados à saúde mental (como solidão e insônia), insatisfação com a imagem corporal, contexto familiar (falta de compreensão, supervisão fraca e intrusão) e experiências de violência sexual foram significativamente associados ao bullying - como vítima, agressor ou ambos.
De acordo com a literatura, os adolescentes do sexo masculino apresentam maior prevalência de perpetração de bullying 24-27. Os meninos geralmente apresentam comportamentos fisicamente mais agressivos ou explosivos, o que pode explicar a diferença de gênero. Entre os indicadores de saúde mental, sentir-se sozinho e ter insônia foram fortemente associados à vitimização, ao passo que ter amigos protegeu contra ser vítima de bullying 28-31. Esses resultados reforçam as vulnerabilidades psicossociais vivenciadas por adolescentes vítimas de bullying, muitas vezes levando a sofrimento emocional, aprendizado prejudicado e possíveis consequências de longo prazo, como comportamento antissocial29,30.
Outros estudos corroboram a associação entre bullying e distúrbios do sono, sintomas depressivos e ideação suicida16,32-36. Com relação à imagem corporal, a autopercepção de ser “muito gordo” foi fortemente associada à vitimização e ao bullying de duplo papel. A insatisfação e o desvio percebido dos ideais corporais - muitas vezes influenciados pela mídia - contribuem para o estigma e a exclusão social entre os adolescentes37-40.
O absenteísmo escolar sem a conscientização dos pais também foi associado ao bullying, principalmente entre aqueles que são vítimas ou ocupam papéis duplos como agressores e alvos41-45. Para os agressores, a ausência escolar pode refletir o envolvimento em comportamentos de risco, como o uso de álcool24,46-49. Embora essa variável tenha sido estatisticamente significativa, sua direcionalidade permanece incerta.
A supervisão dos pais demonstrou efeito protetor, especialmente com relação à perpetração do bullying. Os adolescentes que receberam apoio, orientação e se sentem compreendidos pelos membros da família têm menos probabilidade de se envolver em comportamentos de bullying 16,24,50-52. Por outro lado, o envolvimento limitado dos pais e a instabilidade familiar são reconhecidos como fatores de risco significativos para o bullying 32,53,54.
A experiência de violência sexual foi mais fortemente associada a adolescentes com dupla função. A literatura apoia a ligação entre o trauma sexual precoce e o envolvimento em bullying - tanto como vítima quanto como agressor32,47,55-63. Os resultados reforçam a noção de que os adolescentes que sofreram violência sexual podem internalizar ou reproduzir esse trauma por meio do bullying, às vezes alimentado pelo uso de substâncias ou por sofrimento emocional64,65.
Este estudo tem limitações, como a dependência de dados autorrelatados, que podem estar sujeitos a vieses de memória e desejabilidade social. Além disso, a cor da pele/raça foi autodeclarada, uma variável influenciada pelo contexto sociocultural e pela percepção, o que pode afetar a classificação e a interpretação dos resultados. E a natureza transversal do estudo impede a inferência causal entre as variáveis associadas.
Por outro lado, os pontos fortes incluem o uso de uma amostra grande e representativa de adolescentes da região amazônica e a análise de uma ampla gama de variáveis - sociodemográficas, de saúde mental, imagem corporal e contexto familiar. Além disso, a distinção entre vítimas, perpetradores e adolescentes de duplo papel permitiu uma compreensão mais sutil da complexidade do bullying.
Limitações
Este estudo tem limitações inerentes ao seu projeto transversal, que impede o estabelecimento de relações causais entre as variáveis analisadas. Embora tenham sido observadas associações, não é possível determinar a temporalidade ou a direção dos efeitos. Além disso, como os dados foram coletados por meio de questionários autoadministrados, pode ter havido viés de memória ou viés de desejabilidade social, especialmente em tópicos sensíveis como violência e contexto familiar.
Outra limitação importante diz respeito ao uso da cor da pele/raça autorrelatada, que é uma classificação subjetiva e dependente do contexto. No Brasil, a percepção e a declaração de raça ou cor da pele podem ser influenciadas por fatores regionais, socioeconômicos e culturais, o que pode introduzir um viés de classificação e afetar a interpretação das diferenças entre os subgrupos da população.
Conclusão
O contexto escolar dos adolescentes na Amazônia brasileira continua sendo um espaço de reprodução da violência, porém a escola não é a única responsável pela produção da violência, pois se trata de um fenômeno complexo, dinâmico, multifacetado e multicausal, com raízes também em questões macrossociais, econômicas e socioculturais.
Implicações para a saúde escolar
Os indicadores de violência evidenciados no presente estudo podem orientar e sustentar a necessidade de projetos de intervenção e políticas públicas na escola, com vistas a fortalecer o respeito às diferenças. Estima-se que a violência seja uma das principais causas de morte de adolescentes em todo o mundo, e esse é um dos fatores que a sustenta como um problema de saúde pública.
No Brasil, a violência e seus efeitos não têm sido alvo de políticas públicas efetivas no âmbito escolar. Nos últimos dez anos, a educação escolar tem sido uma arena entre instituições mais conservadoras versus instituições progressistas, e nos últimos cinco anos houve políticas com perspectivas mais polêmicas. Essas disputas e perspectivas inviabilizam uma educação que promova a cidadania, a inclusão e a prevenção da violência.
Na Amazônia brasileira, aspectos culturais entrelaçados com práticas indígenas e colonialistas podem favorecer ainda mais as disputas entre vítimas e agressores. A adolescência é uma etapa do ciclo de vida em que as experiências de violência estão presentes, as relações sociais extrapolam o eixo familiar e inicia-se a formação para a autonomia de suas escolhas. Diante desses aspectos, várias contribuições são propostas:
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Formação inicial e continuada de professores sobre a adolescência como um projeto de vida, e não como uma etapa problemática. Essa formação pode ser conduzida sob a perspectiva socioconstrutivista do desenvolvimento humano, que considera as dimensões sociais e culturais dos adolescentes, indo além de uma visão reducionista, biológica e psicológica.
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Projetos que envolvam a comunidade escolar e a integração dos setores da sociedade: família, escola, rede de saúde e assistência social. Aprimorar os mecanismos de acompanhamento dos adolescentes, ampliando as alternativas para a construção de um novo projeto de vida baseado em valores como cidadania, ética, respeito às diferenças e solidariedade.
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Atividades na escola - eventos culturais, rodas de conversa e articulação contextualizada dos conteúdos das disciplinas, entre outros - como mobilizadores de diálogos e protagonismos que visam mobilizar os adolescentes para a construção de saídas da realidade de violência em que estão envolvidos. Com isso, a escola pode se tornar mais atrativa e se estabelecer como um espaço potencial de acolhimento e promoção da saúde mental dos adolescentes.
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Fonte: Autores.