Objetivo: descrever a construção de um plano de ações estratégicas para o enfrentamento da sífilis congênita, realizado de forma participativa com profissionais da Rede de Atenção à Saúde.
Método: pesquisa qualitativa, com abordagem da pesquisa-ação, fundamentada no referencial freireano. Realizada em município do interior paulista, envolveu 56 profissionais de saúde. A ausência de estratégias locais e dados epidemiológicos orientou a realização de uma oficina em três encontros. As atividades foram registradas por murais, avaliações escritas e diário de campo, analisadas por meio da Análise de Conteúdo.
Resultados: os encontros promoveram envolvimento dos profissionais, revelaram fragilidades no manejo da sífilis e impulsionaram a formulação de propostas, como reestruturação dos fluxos de testagem e diagnóstico, prescrição e tratamento oportuno, busca ativa, exames de monitoramento, tratamento de parcerias e manejo adequado dos casos de sífilis em gestante. Emergiram três categorias e, como produto final, foi elaborado o plano de ações estratégicas para o enfrentamento da sífilis congênita com aplicabilidade prática nos serviços da rede.
Conclusão: o processo colaborativo fortaleceu a autonomia e corresponsabilização dos profissionais, integrando saberes técnicos e experiências locais. O plano tem sido implementado e contribuído na qualificação da resposta à sífilis congênita no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Descritores:
Sífilis Congênita; Rede de Cuidados Saúde; Pesquisa-Ação; Planejamento em Saúde; Conjunto de Intervenções; Atenção Primária à Saúde
Destaques:
(1) Plano de ações estratégicas para o enfrentamento da sífilis congênita. (2) Pesquisa-ação como abordagem metodológica que permite a construção participativa. (3) Estratégias participativas e integradas fortalecem o enfrentamento da sífilis. (4) Importância da cooperação e da sistematização do trabalho em rede. (5) Resposta em rede à sífilis congênita, factível, exequível e de custo acessível.
Objective: to describe the development of a strategic action plan to combat congenital syphilis, carried out in a participative manner with professionals from the Health Care Network.
Method: qualitative research, using an action research approach based on Freire’s framework. Conducted in a municipality in the interior of São Paulo, it involved 56 health professionals. The absence of local strategies and epidemiological data led to the holding of a workshop in three meetings. The activities were recorded on murals, written evaluations, and field diaries, and analyzed using Content Analysis.
Results: the meetings promoted the involvement of professionals, revealed weaknesses in the management of syphilis, and prompted the formulation of proposals, such as restructuring testing and diagnosis flows, timely prescription and treatment, active search, monitoring tests, treatment of partners, and adequate management of syphilis cases in pregnant women. Three categories emerged, and as a final product, a strategic action plan was developed to address congenital syphilis with practical applicability in the network’s services.
Conclusion: the collaborative process strengthened professionals’ autonomy and co-responsibility, integrating technical knowledge and local experience. The plan has been implemented and has contributed to improving the response to congenital syphilis within the Brazilian Unified Health System.
Descriptors:
Congenital Syphilis; Delivery of Health Care; Health Services Research; Health Planning; Patient Care Bundles; Primary Health Care.
Highlights:
(1) Strategic action plan to combat congenital syphilis. (2) Action research as a methodological approach that enables participatory construction. (3) Participatory and integrated strategies strengthen the fight against syphilis. (4) Importance of cooperation and systematization of networking. (5) Feasible, achievable, and affordable network response to congenital syphilis.
Objetivo: describir la elaboración de un plan de acción estratégico para combatir la sífilis congénita, realizado de manera participativa con profesionales de la Red de Atención de Salud.
Método: investigación cualitativa, con un enfoque de investigación-acción, basado en el marco freireano. Llevada a cabo en un municipio del interior de São Paulo, contó con la participación de 56 profesionales de la salud. A ausencia de estrategias locales y datos epidemiológicos orientó la realización de un taller en tres reuniones. Las actividades se registraron mediante murales, evaluaciones escritas y diario de campo, analizados mediante Análisis de Contenido.
Resultados: las reuniones promovieron la participación de profesionales, revelaron debilidades en el manejo de la sífilis e impulsaron la formulación de propuestas, como la reestructuración de los procesos de pruebas y diagnóstico, la prescripción y tratamiento oportuno, la búsqueda activa, el seguimiento de los exámenes, el tratamiento de parejas y el manejo adecuado de los casos de sífilis en mujeres embarazadas. Surgieron tres categorías y, como producto final, se preparó el plan de acción estratégico para afrontar la sífilis congénita con aplicabilidad práctica en los servicios de la red.
Conclusión: el proceso colaborativo reforzó la autonomía y la corresponsabilidad de los profesionales, integrando conocimientos técnicos y experiencias locales. El plan se ha implementado y ha contribuido a la cualificación de la respuesta a la sífilis congénita dentro del ámbito del Sistema Unificado de Salud.
Descriptores:
Sífilis Congénita; Atención a la Salud; Investigación sobre Servicios de Salud; Planificación en Salud; Paquetes de Atención al Paciente; Atención Primaria de Salud.
Destacados:
(1) Plan de acciones estratégicas para el enfrentamiento de la sífilis congénita. (2) Investigación-acción como enfoque metodológico que permite la construcción participativa. (3) Estrategias participativas e integradas refuerzan el enfrentamiento de la sífilis. (4) Importancia de la cooperación y sistematización del trabajo en red. (5) Respuesta en red a la sífilis congénita, factible, viable y asequible.
Introdução
A sífilis é uma infecção bacteriana sexualmente transmissível, evitável e curável, que tem se apresentado como uma preocupação crescente em termos de saúde pública global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de casos aumentou significativamente nos últimos anos, com variações expressivas entre as diferentes regiões do mundo1-3.
As Américas, com disparidades entre América do Norte (maior incidência), América Latina e Caribe, concentram a maior carga global da doença, com cerca de 3,37 milhões de novos casos, o que corresponde a 42,0% das infecções recentes, seguidas por regiões da África e do Sudeste Asiático1,3-4. Essa tendência reflete diretamente no aumento dos casos de sífilis congênita (SC), com aproximadamente 68 mil nascidos vivos afetados por ano no mundo1,3,5, com amplo espectro de manifestações clínicas e desfechos adversos como aborto espontâneo, morte fetal, prematuridade, baixo peso ao nascer, anomalias congênitas e sequelas neurológicas5-8.
Nesse contexto, o enfrentamento da SC exige condições favoráveis para o desenvolvimento de ações e estratégias voltadas à qualificação da atenção à saúde no pré-natal e puerpério. Entre essas, destacam-se a implementação de políticas públicas de saúde, o comprometimento de gestores, o trabalho em equipe e em rede, além do cuidado pré-natal adequado com captação precoce e vinculação com o serviço, testagem rápida para sífilis na primeira consulta, no início do terceiro trimestre e no momento do parto6,8-12.
Também são fundamentais o tratamento oportuno e adequado com penicilina benzatina para as gestantes e suas parcerias sexuais, assim como seguimento pós-tratamento, busca ativa de faltosos, registro dos resultados de exames e tratamentos no cartão de pré-natal e a notificação dos casos, dentre outras6,8-11.
Considerando a complexidade dessas intervenções, ganha relevo a importância das Redes de Atenção à Saúde (RAS), concebidas como uma organização poliárquica de serviços que visa promover a integração sistêmica de ações por meio da oferta de atenção contínua, integral e de qualidade10,13.
Nesse sentido, o trabalho em rede é fundamental para viabilizar a implementação de estratégias que favoreçam uma abordagem integral, uma prática colaborativa interprofissional e a otimização de fluxos assistenciais, especialmente no contexto do pré-natal na Atenção Primária à Saúde (APS)10-12, que atua como centro coordenador do cuidado e articulador entre os diferentes pontos das redes10,13.
Entretanto, embora a APS seja reconhecida como ordenadora do cuidado, ainda enfrenta desafios para coordenar ações intersetoriais e integradas, essenciais à prevenção da SC11-13, como a fragmentação do cuidado nas RAS, as desigualdades no acesso à saúde, o diagnóstico e tratamento tardios, o persistente estigma relacionado às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e a frágil formação profissional11. Ademais, observa-se que muitas estratégias de enfrentamento não se articulam às realidades locais, o que compromete a adesão e a efetividade dos planos e políticas implementados11,14.
Apesar desses desafios, algumas experiências têm se mostrado exitosas no enfrentamento da SC ao incorporarem intervenções educacionais, iniciativas governamentais e programas de melhorias15-17. Nesse contexto, a enfermagem, por ser a maior força de trabalho do setor saúde e ter presença significativa na APS, ocupa posição estratégica. A atuação cotidiana de enfermeiros no pré-natal permite que liderem intervenções voltadas ao enfrentamento da SC18-20, especialmente na realização de testes rápidos, acompanhamento pré-natal e seguimento de caso18-19. No entanto, são escassos os estudos que exploram o papel da enfermagem no planejamento intersetorial e na produção coletiva de estratégias para o enfrentamento da SC em redes de saúde.
Em face da lacuna de estudos que integram a construção coletiva e o fortalecimento do trabalho em rede no enfrentamento da SC, este artigo propõe-se a contribuir com a construção de práticas assistenciais e de gestão nos serviços de saúde, a partir de um processo participativo entre profissionais da RAS e da apresentação de conteúdo teórico, científico e prático que favoreçam o trabalho em rede. Busca-se, assim, assegurar o direito à atenção humanizada no pré-natal, parto e puerpério, bem como à saúde da criança. A partir dessa perspectiva, pretende-se responder à seguinte pergunta: como construir estratégias para o enfrentamento da SC na RAS? Logo, o objetivo foi descrever a construção de um plano de ações estratégicas para o enfrentamento da SC, realizado de forma participativa com profissionais da RAS.
Método
Tipo de estudo
Desenvolveu-se estudo de natureza qualitativa21, fundamentado no referencial teórico freireano22, articulado à metodologia da pesquisa-ação23, atendendo às recomendações do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ)24.
O referencial teórico freireano, por meio da problematização da realidade e do diálogo entre sujeitos históricos e sociais, sustenta a construção coletiva do conhecimento. Essa perspectiva se apoia na pedagogia libertadora, voltada para a transformação social, onde a participação ativa dos profissionais na identificação de problemas, na análise crítica das práticas e na elaboração de soluções locais dialoga com a concepção de educação como prática da liberdade22.
Esse referencial integrado à metodologia da pesquisa-ação possibilita a construção de teorias e caminhos originados no próprio campo de estudo, os quais são posteriormente confrontados e validados, com o objetivo de promover mudanças significativas diante de uma problemática específica23.
Dessa maneira, implementa-se uma ação estratégica que exige a participação ativa dos atores envolvidos na realidade em questão, reconhecidos como colaboradores por contribuírem de forma conjunta na construção de todo o processo, não apenas enriquecendo os resultados finais, mas promovendo o engajamento, o pertencimento e soluções sustentáveis22-23.
A pesquisa-ação, caracterizada como um processo contínuo de ação-reflexão-ação, é operacionalizada por meio de 12 fases que ocorrem de forma simultânea, flexível e não linear23, conforme Figura 1.
Local do estudo
O estudo foi desenvolvido em um município de médio porte do centro-oeste do estado de São Paulo, Brasil, cuja população é estimada em 74.779 habitantes25, devido à sua representatividade dentro de uma microrregião de saúde composta por oito municípios. A estrutura hierarquizada e regionalizada dos serviços de saúde, com diferentes níveis de complexidade, torna o local estratégico para analisar o funcionamento da RAS e compreender como as políticas e práticas de assistência se organizam em contextos reais, especialmente em municípios de médio porte.
O município do estudo apresenta 73,7% de cobertura da APS, com estimativa de 56,1% de cobertura da população26, com cinco Unidades Básicas de Saúde no modelo tradicional com Programa de Agentes Comunitários de Saúde e oito no modelo Estratégia de Saúde da Família. Conta ainda com equipe multiprofissional (eMulti) e serviços de atenção especializada, como ambulatórios de IST e de pré-natal de alto risco e uma maternidade. A gestão dos serviços da APS e de média complexidade é feita por uma Organização Social de Saúde e da alta complexidade por uma instituição filantrópica.
O município de estudo apresenta como desafios que levaram ao desenvolvimento da pesquisa, a subnotificação dos casos, tratamentos inadequados ou não realizados, diagnóstico tardio, número de consultas no pré-natal menor que seis, desfechos desfavoráveis como aborto, natimorto e óbito infantil, o que evidenciou a fragilidade do cuidado à gestante e ao RN.
Período da coleta de dados
A coleta de dados foi conduzida entre os meses de abril e agosto de 2023.
Participantes
Os colaboradores da pesquisa compreenderam todos os profissionais da saúde com nível superior inseridos na RAS deste município, totalizando 80 colaboradores, sendo eles: assistentes sociais, enfermeiros e médicos com atuação nos serviços da APS, média e alta complexidade; nutricionista, psicólogo e profissional de educação física da eMulti; membros do Comitê de Mortalidade Materno, Infantil e Fetal; gestores da Secretaria Municipal de Saúde com atuação nos departamentos de Vigilância Epidemiológica, Saúde Coletiva, Avaliação e Controle. Ainda, ante a representatividade na RAS, uma conselheira/enfermeira do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo e uma enfermeira/articuladora entre APS e Diretoria Regional de Saúde.
Critérios de seleção e definição dos participantes
O critério de seleção dos colaboradores foi por conveniência. O convite foi realizado para os 80 profissionais elegíveis para o estudo, considerando como critérios de inclusão ser profissional de saúde com nível superior, realização de cuidado direto e/ou indireto às pessoas com SG e SC. Como critério de exclusão durante o período de coleta de dados, consideraram-se os indivíduos em licença médica ou em período de férias.
Para garantir ampla participação dos profissionais no estudo, foi enviado um convite via WhatsApp com informações sobre o objetivo da pesquisa, justificativa e um link para pré-inscrição no Google Forms, oferecendo opções de participação nos turnos da manhã ou tarde para não comprometer a assistência na RAS. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde emitiu um documento circular reforçando a importância da participação. Após identificar os interessados pelo formulário, houve contato telefônico com os não inscritos para sensibilização. Ao final da pré-inscrição, 56 profissionais confirmaram interesse. Em seguida, criou-se uma lista de transmissão no WhatsApp para confirmar a participação, repassar datas e horários, e enviar novo link para validação da inscrição, vinculada à Seção Técnica responsável pela emissão dos certificados.
Instrumentos de coleta de dados
Os instrumentos utilizados para registro das informações foram: questionário sociodemográfico para caracterização dos colaboradores, mural de palavras confeccionado em dinâmica coletiva, mural de comentários sob o ponto de vista dos colaboradores, as avaliações aplicadas ao final de cada encontro e o diário de campo. Todas estas formas de coleta de dados foram registradas de forma escrita pelos colaboradores. Ressalta-se que o diário de campo para registro do contexto coletivo, no momento das oficinas, foi observado por uma psicóloga treinada pelas três pesquisadoras que coletaram os demais dados. Os instrumentos não foram testados anteriormente.
As avaliações e o questionário sociodemográfico foram viabilizados pelo Google Forms, disponibilizados em QR code e impressos na impossibilidade de acesso pelo colaborador. Para o mural de palavras e as avaliações, utilizou-se o aplicativo Wordle, capaz de gerar nuvens de palavras, permitindo a visualização em destaque das palavras que aparecem mais vezes no texto, expressando sinteticamente a ideia do grupo em coletividade.
Para a construção do plano de ação, utilizou-se uma planilha, caracterizada como instrumento de planejamento, contendo a identificação da ação, potencialidades, fragilidades e proposta de intervenção que culminou posteriormente no instrumento final com as seguintes informações: objetivos, ações, aprazamento, serviço e categoria profissional responsável.
Coleta de dados
A coleta de dados seguiu as 12 fases da pesquisa-ação (Figura 1), realizando-se uma oficina de trabalho baseada na relação da problemática de sífilis com a realidade prática, possibilitando a construção de uma intervenção estratégica direcionada às necessidades identificadas na realidade do trabalho pelos colaboradores.
Detalhamento das fases da pesquisa-ação sobre a construção de estratégias para o enfrentamento da sífilis congênita
O processo foi iniciado com base em uma revisão integrativa da literatura, que evidenciou uma lacuna no conhecimento relacionado às estratégias e intervenções no pré-natal voltadas ao enfrentamento da SC. Esse movimento correspondeu às fases I - Fase exploratória, IV - O lugar da teoria, IX - Aprendizagem e X - Saber formal e informal. Paralelamente, foi realizado o levantamento de dados epidemiológicos a partir das notificações de SG e SC, permitindo traçar um diagnóstico situacional da temática, em conformidade com as fases I - Fase exploratória, III - Colocação dos problemas e VIII - Coleta de dados.
A oficina de trabalho foi estruturada por meio de planejamento com suporte didático e pedagógico, contendo horário, duração, colaboradores, proposta, objetivos, desenvolvimento, recursos utilizados e produtos esperados. Sua operacionalização ocorreu por meio de três encontros presenciais, semanais e com duração média de três horas e meia cada. A atividade foi ofertada a duas turmas distintas, no período matutino e vespertino, o que favoreceu maior adesão dos colaboradores, sem comprometer a continuidade dos serviços assistenciais. Essa etapa correspondeu às fases III - Colocação dos problemas, IV - O lugar da teoria, V - Hipóteses, VI - Seminários, VIII - Coleta de dados, IX - Aprendizagem, X - Saber formal e informal e XI - Plano de ação.
Sumariamente, o primeiro encontro da oficina buscou a apresentação da proposta de trabalho, construção do fluxo de atendimento da gestante habitual e gestante com sífilis na RAS, e colocação da problemática com diagnóstico situacional pelos dados epidemiológicos. O segundo encontro abrangeu a teoria dialogada com embasamento científico e imersão em documentos técnicos e protocolos governamentais norteadores, casos disparadores de SG com evolução para SC com identificação da ação, potencialidades e fragilidades observadas no caso. Por fim, no terceiro encontro foram apresentadas as impressões geradas a partir das discussões dos casos, importância da notificação compulsória e consolidação do planejamento, este contendo objetivos, ações, aprazamento, categoria profissional e serviço responsável, o que possibilitou a construção do produto final pelas duas turmas (matutino e vespertino).
Análise dos dados
Os dados quantitativos obtidos por meio do questionário sociodemográfico, utilizados para a caracterização dos colaboradores, foram analisados com base em técnicas estatísticas. Já as informações provenientes do mural de palavras, elaborado em dinâmica coletiva, do mural de comentários, das avaliações realizadas ao final de cada encontro e do diário de campo foram organizadas e interpretadas por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin, adaptada para pesquisas orientadas pela metodologia da pesquisa-ação27-28.
A análise de conteúdo foi iniciada com a leitura flutuante de todo o material gerado na oficina, seguida de formulação de hipóteses provisórias e transformação da maior parte do texto em unidade de registro, estas associadas em temas/unidades de significação. Assim, cada tema/unidade de significação foi composto por um conjunto de unidades de registro. A partir da determinação e quantificação dos temas/unidades de significação, foram definidas as dimensões de surgimento, agrupando-as segundo as hipóteses de análise, perfazendo a construção de categorias27-28.
Para garantir o sigilo dos colaboradores, atribuiu-se um código alfanumérico composto pela letra “C” sucedida de um algarismo para apresentação de excertos da análise de conteúdo oriundos da oficina de trabalho, o símbolo [...] foi considerado quando alguma parte foi omitida.
Os dados foram analisados à luz do referencial teórico freireano22, que valoriza a participação ativa dos indivíduos na construção do conhecimento, incentivando-os a refletir sobre sua realidade e a transformá-la por meio da ação coletiva e comprometida.
Considerações éticas
Os colaboradores receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido com orientações sobre os objetivos da pesquisa e a participação voluntária. Garantiram-se anonimato, sigilo e liberdade para desistência a qualquer momento, sem prejuízos. As atividades foram conduzidas em ambientes acolhedores, com escuta ativa e respeito, visando evitar qualquer desconforto ou constrangimento. Aprovação obtida pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob Parecer n.º 5.977.502/CAAE 66686923.7.0000.5411 em 31/03/2023.
Resultados
Participaram desta pesquisa 56 profissionais de saúde (70,0% dos convidados), majoritariamente mulheres (46) e cisgêneros (55), com média de idade de 37,5 anos. A maioria era casada ou em união estável (33).
Quanto à formação, participaram 33 enfermeiras, 12 médicos, oito assistentes sociais, um psicólogo, um nutricionista e um profissional de educação física. Destes, 22 tinham especialização, três mestrado e um doutorado; 16 ocupavam cargos de gestão. O tempo de atuação variou de 6 a 30 anos (média de 9). Sobre sífilis, 33 haviam participado de capacitações, 29 eram habilitados para teste rápido, e 36 se consideravam aptos ao manejo da sífilis em gestante (SG) e 34 da SC.
A análise dos dados gerada nos encontros da oficina de trabalho resultou em três categorias: Conhecendo e sensibilizando o grupo; Fundamentação teórica e aplicabilidade na realidade; Construindo estratégias para o enfrentamento da sífilis congênita (Figura 2).
Síntese da emersão de categorias sobre a construção de estratégias para o enfrentamento da sífilis congênita
A categoria “Conhecendo e sensibilizando o grupo” contemplou o processo de acolhimento, escuta e construção coletiva, revelando a valorização do espaço de troca, a mobilização subjetiva dos profissionais e o sentimento de pertencimento à proposta. Destaca-se a adesão ativa à proposta de trabalho, o reconhecimento da importância do tema e o engajamento com as atividades da oficina: Estamos tendo a oportunidade de trocar experiências e ideias para melhorar a qualidade do atendimento [...] (C25); [...] que bom que houve espaço para diálogo e compartilhar inclusive experiências que trazem dificuldade ao trabalho (C40).
O envolvimento de profissionais que compõem os diferentes pontos da RAS foi percebido como um elemento potencializador para a reflexão e a proposição de ações e estratégias em equipe: A rede completa está participando da oficina, pois o conhecimento de cada um agrega e traz informações necessárias para melhoria do atendimento […] (C27); Houve adesão de diversos segmentos e profissionais dentro da saúde, pois isso enriquece a oficina, trazendo mais vivências e experiência para todos […] (C40).
A categoria “Fundamentação teórica e aplicabilidade na realidade” compreendeu a articulação teórica com a realidade vivida pelos colaboradores da oficina que relataram lacunas no conhecimento sobre sífilis, insegurança no manejo e divergências nas práticas adotadas entre os pontos da RAS, trazendo a sensibilização da necessidade de mudanças: Que “na” rede de saúde existem divergências e diferenças na assistência de gestante com sífilis (C25); Não temos todos os recursos ou protocolos sendo cumprindo no nosso município (C23).
A análise das práticas e o funcionamento do trabalho em rede permitiram reconhecer a complexidade do cuidado às gestantes com sífilis e a importância de fluxos assistenciais bem definidos: Existe um protocolo e um fluxo e ele deve ser seguido para que não haja inconsistências e riscos [...] (C49); Que se houvesse um consenso entre médicos e enfermeiros quanto a autonomia de prescrição [...] (C19).
O compartilhamento dos dados epidemiológicos locais contribuiu para uma conscientização crítica da realidade do território, ressaltando a relevância de divulgação periódica destes dados aos serviços da RAS: As informações estatísticas “serviu” de base para refletir nossas ações (C25); [...] é uma pena que esse índice ainda é muito alto, por ser uma doença totalmente evitável (C21).
A categoria “Construindo estratégias para o enfrentamento da Sífilis Congênita” abrangeu a efetividade na construção participativa de estratégias, a partir das reflexões coletivas, permitindo a produção de uma potente ferramenta gerencial, capaz de transformar a realidade prática.
Os colaboradores manifestaram o desejo de transformar as reflexões e o aprendizado em ações práticas: Pudéssemos converter esse aprendizado em uma rotina padronizada de assistência (C15); Produzirmos um protocolo municipal, de prevenção e tratamento (C23); Se criar um protocolo ou seguimento específico que todos trabalhem da mesma forma (C26).
Também emergiu a proposta de criação de encontros periódicos que abordassem a temática com a participação de outros profissionais atuantes na RAS, além da criação de grupo permanente de trabalho sobre SG e SC: Criar um permanente grupo de trabalho (C2); [...] realizar encontros periódicos para análise de dados no município e elaboração de ajuste em estratégias quando necessário (C24).
A satisfação com o processo de construção, o sentimento de corresponsabilidade e o início de mudanças em relação ao cuidado à gestante com sífilis foram evidentes: A rede se fortalecer, melhorando a comunicação entre setores e entre a própria equipe, todos “falando a mesma língua” [...] (C27); Será ótimo atingirmos o objetivo da oficina e daqui alguns anos, colher os frutos desses encontros com a diminuição dos casos de sífilis congênita (C48); [...] Mostrar a realidade nos faz pensar, refletir e ver situações que não teríamos contato se não houve esses encontros (C55).
A oficina de trabalho oportunizou aos colaboradores conhecimento, sensibilização, fundamentação teórica e a construção de um plano de ações estratégicas para o enfrentamento da SC, caracterizado como um produto técnico/científico, detalhado em 19 objetivos, sendo seis voltados a todas as gestantes e 13 às gestantes com sífilis. Cada objetivo está pormenorizado em um conjunto de ações, com aprazamento, descrição dos serviços e categorias profissionais envolvidas, constituindo-se um instrumento para aplicação na prática.
Os objetivos do plano de ação para todas as gestantes foram: identificar precocemente a gestação para início oportuno do pré-natal (antes 12 semanas); realizar consulta de enfermagem no pré-natal em todas as unidades de saúde; realizar a testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C na primeira consulta de pré-natal; repetir a testagem rápida em 30 dias em situação de exposição nos últimos três meses; realizar a testagem rápida no segundo e terceiro trimestres e no momento do parto; e, realizar o pré-natal da parceria.
Já os objetivos voltados às gestantes com sífilis abarcaram: diagnosticar, prescrever e tratar oportunamente a sífilis de acordo com a fase clínica; solicitar teste não treponêmico Venereal Disease Research Laboratory (VDRL) com coleta da amostra no momento do diagnóstico; notificar concomitantemente ao diagnóstico; identificar os casos de cicatriz sorológica da sífilis; realizar cuidado a parceria da gestante; notificar parceria se confirmada a sífilis; registrar e monitorar a administração da penicilina na gestante e parceria; coletar e monitorar o exame de VDRL mensal para controle de cura ou reinfecção; realizar busca ativa das gestantes faltosas e parcerias; manter atualizado o histórico de tratamento e monitoramento do exame de VDRL da gestante com sífilis junto aos serviços interessados; definir fluxo laboratorial quanto ao adequado preenchimento da solicitação de exame e cumprimento do fluxograma de diagnóstico da sífilis (abordagem reversa); interpretar corretamente o fluxograma de diagnóstico da sífilis, quanto à utilização do exame treponêmico confirmatório; e garantir o manejo adequado da gestante com sífilis e do recém-nascido no momento do parto.
O aprazamento da execução das ações foi planejado com base nos parâmetros de curto, médio e longo prazo. Considerando como início a implantação, as ações de curto prazo referem-se às demandas mais urgentes, de fácil implementação, previstas para ocorrer dentre os três primeiros meses de implementação; as ações de médio prazo abrangem atividades que exigem maior tempo de organização e desenvolvimento, com execução prevista em até seis meses; já as ações de longo prazo demandam mais recursos, continuidade e tempo, sendo programadas para ocorrer até 12 meses.
Os serviços envolvidos no desenvolvimento das ações estiveram representados pelas áreas assistenciais da APS e gestão dos departamentos de Saúde Coletiva, Vigilância Epidemiológica e Programa Municipal de IST/Aids/Hepatites Virais. Já as categorias profissionais envolveram: agentes comunitários de saúde, enfermeiros, médicos, profissionais da eMulti e gestores dos serviços da RAS.
Discussão
A proposta de construção participativa de estratégias para o enfrentamento da SC à luz da pesquisa-ação e fundamentada no referencial teórico freireano viabilizou um processo educativo e transformador entre pesquisadores e colaboradores. Esse processo envolveu a identificação de desafios, a problematização da realidade e a construção coletiva de soluções por meio da articulação entre teoria e prática, o que possibilitou o delineamento de um plano de ação para o alcance de mudanças na perspectiva do trabalho compartilhado pela RAS no tocante ao enfrentamento da SC.
A oficina de trabalho realizada proporcionou um espaço de diálogo horizontal que articulou saberes técnico-científicos e conhecimentos oriundos da prática de trabalho, favorecendo a troca de experiências entre diferentes categorias profissionais e pontos da rede, de forma a promover a aprendizagem mútua e reflexão coletiva. Quando diferentes categorias profissionais expõem seu ponto de vista em exercício de diálogo, combinado com a literatura científica e a experiência dos sujeitos, mobiliza-se a elaboração de concepções e ideias críticas29-30, capazes de transformar a realidade através da práxis.
A problematização da realidade local a partir dos dados epidemiológicos, combinada à vivência concreta dos colaboradores, permitiu ativar a consciência crítica. Esse movimento de conscientização possibilitou o reconhecimento das fragilidades da rede, como a desarticulação dos serviços, a baixa adesão a protocolos e o desconhecimento de documentos técnicos, bem como das potencialidades locais, como o trabalho intersetorial e o comprometimento dos profissionais.
A discussão também revelou uma tensão entre a percepção de competência dos profissionais e os dados epidemiológicos e normativos. Parte dos colaboradores relatou sentir-se preparada para o manejo da SC, embora os indicadores locais e relatos de condutas inadequadas indiquem o oposto. Essa contradição pode refletir lacunas formativas, desatualização dos saberes ou mesmo naturalização de práticas equivocadas em que a percepção de suficiência não garante adesão a condutas baseadas em evidências, sendo necessário fomentar a reflexão crítica sobre a própria prática20,31.
O manejo adequado da infecção da sífilis durante a gravidez é essencial para reduzir complicações maternas e neonatais, bem como para evitar transmissão vertical para o feto. Assim, profissionais de saúde devem estar atualizados sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da SG conforme diretrizes nacionais e internacionais6,15,19,31. Contudo, considerável número de colaboradores declarou não se sentir aptos a realizar o manejo da SG e SC, assim como não conhecer documentos técnicos norteadores do cuidado/manejo do referido agravo e fluxos assistenciais entre os diferentes pontos da RAS.
A dificuldade de acesso aos documentos técnicos e protocolos pode representar uma barreira crítica na organização do trabalho das equipes. Protocolos desatualizados, não compartilhados, com linguagem inacessível ou não incorporados à rotina dos serviços são entraves relevantes. Estudos destacam que a incorporação de tecnologias educacionais à prática favorece a adesão e atualização das equipes16-17,19,31, somadas à adoção de tecnologias digitais simples, como QR codes, sistemas informatizados integrados com os fluxos assistenciais, materiais visuais adaptados e oficinas periódicas baseadas em protocolos atualizados.
A inconsistência na aplicação de protocolos clínicos evidencia problemas recorrentes nos serviços de saúde. Quando diretrizes não são bem difundidas ou compreendidas, podem ocorrer falhas no diagnóstico e tratamento, com consequente impacto negativo no cuidado em saúde17,31-32. Além disso, a fragilidade no cumprimento de protocolos e as divergências nas condutas evidenciam a necessidade de padronização e reforço na disseminação das diretrizes clínicas e protocolos, o que promove o aprimoramento e desempenho dos profissionais, como também fortalece a confiança da população no sistema de saúde, favorecendo melhores desfechos clínicos e um atendimento mais seguro e qualificado17,31-32.
Para superar essa fragilidade, recomenda-se o investimento em ações de educação continuada e permanente a partir de metodologias ativas33-34, a disseminação de materiais educativos simplificados e acessíveis, em formato impresso e digital35-36 e o fortalecimento do trabalho em rede, promovendo discussões com base em casos reais37-39. A sistematização das condutas permite que todos os profissionais sigam recomendações baseadas em evidências, o que minimiza variações no atendimento e garante segurança na assistência prestada.
Nesse contexto, oficinas participativas expressas no ciclo contínuo de ação-reflexão-ação são iniciativas que reforçam o diálogo e proporcionam uma base sólida para a aquisição de conhecimento técnico-científico para uniformizar as práticas e melhorar a qualidade do atendimento33-34,40 por meio de discussões colaborativas, resolução de problemas e maior engajamento no trabalho em saúde20,37,39,41.
Dessa forma, a tomada de decisão assertiva ante uma proposta realista integra o trabalho em equipe e em rede e fortalece a comunicação, alinhando as ações entre os diferentes serviços37-39,41, colaborando para o aprimoramento da qualidade das ações propostas, bem como facilidade na implementação e monitoramento.
O plano de ação está em processo de implementação concreta, sendo acompanhado por monitoramento sistemático e avaliações contínuas. A efetividade desse processo já começa a se evidenciar na rotina dos serviços, com o uso de indicadores quantitativos e qualitativos que permitem medir a adesão, efetividade e impacto das ações desenvolvidas. Dentre os principais indicadores adotados, destacam-se: testagem em tempo oportuno (1.º, 3.º trimestre e parto), tempo entre diagnóstico e início do tratamento, proporção de gestantes tratadas com o esquema adequado de penicilina benzatina, tratamento da parceria sexual, número de notificações, óbitos fetais/neonatais atribuíveis à sífilis congênita e taxa de incidência por mil nascidos vivos6,42-43.
A prática também tem previsto espaços locais de discussão dos resultados, com revisão contínua das ações, garantindo a sustentabilidade e adaptação do plano às realidades da rede. A definição clara de prazos e responsabilidades profissionais envolvidos tem possibilitado maior organização e efetividade da proposta. Esse alinhamento entre planejamento e execução, ancorado na vivência dos profissionais nos diferentes pontos da RAS, assegura impacto positivo e duradouro, com gestão mais eficiente dos recursos e maior potencial de transformação no enfrentamento da sífilis congênita20.
O estudo apresenta limitações relacionadas à seleção por conveniência, o que pode ter excluído profissionais menos engajados, e ao fato de ter sido realizado em um único município, limitando a generalização dos resultados. A oficina ocorreu em três encontros, conforme o planejado, mas um número maior poderia ter aprofundado as propostas e incluído usuários dos serviços de saúde. Sugere-se que estudos futuros adotem metodologias participativas mais amplas, com maior número de encontros e envolvimento direto dos usuários.
Já as contribuições residem na possibilidade do desenvolvimento de um processo educativo que articula teoria e prática por meio de oficinas participativas. Além disso, demonstra o potencial da práxis como ferramenta de transformação, promovendo a valorização dos saberes locais, o fortalecimento do trabalho em rede e a identificação de fragilidades e potencialidades da RAS. Apontou, ainda, caminhos concretos para superar barreiras como a desarticulação entre serviços, lacunas formativas e baixa adesão a protocolos clínicos. Por fim, a sistematização do plano de ação, com definição de metas, indicadores e atores envolvidos, oferece uma base sólida para monitoramento e avaliação contínua, o que possibilita sua replicação em outros contextos locais, desde que respeitadas as singularidades de cada território.
Conclusão
A construção participativa com profissionais da RAS de um plano de ações estratégicas para o enfrentamento da SC emergiu como resultado concreto de um processo educativo e transformador, orientado à prática crítica e reflexiva, que promoveu a autonomia e a corresponsabilização dos profissionais. A integração de diferentes olhares e saberes, oriundos da experiência prática e do conhecimento técnico-científico, permitiu a formulação de uma resposta em rede factível, exequível e de custo acessível, contemplando desde o cuidado assistencial até a gestão dos serviços.
Os encontros evidenciaram o valor da aprendizagem colaborativa e do diálogo horizontal, ao mesmo tempo em que revelaram lacunas na formação e atualização sobre o manejo da SC. Essa constatação reforça a importância da cooperação e do trabalho em rede e da necessidade de ações de educação na saúde, ancoradas no cotidiano das equipes e articuladas às diretrizes clínicas e às necessidades em saúde dos usuários, famílias e comunidades. Destarte, estratégias participativas e integradas, como as aqui desenvolvidas, têm potencial de fortalecer a resposta à SC e de contribuir efetivamente para a melhoria da integralidade do cuidado no SUS.
Agradecimentos
Agradecemos à Secretaria Municipal de Saúde de Lins por apoiar o desenvolvimento deste estudo, à equipe da Vigilância Epidemiológica e Centro de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Atenção Especializada pela organização da oficina e aos profissionais da Rede de Atenção à Saúde que contribuíram ativamente para o alcance dos resultados
Declaração de Disponibilidade de Dados:
Todos os dados gerados ou analisados durante este estudo estão incluídos neste artigo publicado.
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A publicação deste artigo na série temática “Escopo de prática de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde” se insere na atividade 2.2 do Termo de Referência 2 do Plano de Trabalho do Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil. Artigo extraído da dissertação de mestrado “Construção participativa de estratégias para a redução da sífilis congênita”, apresentada à Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina, Botucatu, SP, Brasil. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Código de Financiamento 001, e Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), Processo nº COFEN-20211953903P, Brasil.
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Como citar este artigo:
Ravagnani JS, Andrade J, Santos LC, Alencar RA. Participatory development of strategies to combat congenital syphilis: action research. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2026;34:e4894 [cited ano mês dia ]. Available from: URL . https://doi.org/10.1590/1518-8345.8014.4894
Editado por
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Editora Associada:
Andrea Bernardes
