Objetivo: analisar a prevalência de violência sexual no namoro entre adolescentes do ensino médio e sua associação com as características socioeconômicas, comportamentais e experiências de violências.
Método: estudo transversal e analítico realizado com 1.238 adolescentes de 14 a 19 anos, matriculados em escolas públicas e privadas, que estavam em relacionamento afetivo no momento da pesquisa. A amostragem foi por conglomerados e estratificação.
Resultados: dos 1.238 adolescentes em relacionamento afetivo, 7,8% (IC 95%: 6,4-9,4) relataram já ter sofrido violência sexual no namoro. A prevalência foi de 9,3% entre meninas e 5,1% entre meninos. Observa-se maiores chances de violência sexual no namoro entre os adolescentes não heterossexuais, os que tiveram relação sexual alguma vez na vida, os que usam drogas e os que sofreram bullying e cyberbullying (p<0,05).
Conclusão: é fundamental que os achados contribuam para o fortalecimento de campanhas educativas nas escolas, que abordem não apenas os comportamentos abusivos, mas também a importância do consentimento, do respeito mútuo e da construção de vínculos afetivos seguros entre os adolescentes.
Descritores:
Violência; Violência por Parceiro Íntimo; Saúde do Adolescente; Epidemiologia; Saúde Pública; Enfermagem.
Destaques:
(1) Prevalência de 7,8% de violência sexual no namoro adolescente.
(2) Achados reforçam a urgência de enfrentar a violência nas relações juvenis.
(3) Vitimização sexual afeta adolescentes já nos primeiros relacionamentos amorosos.
(4) Violência sexual no namoro se associa a drogas, bullying, cyberbullying, relação sexual alguma vez na vida e não heterossexuais.
(5) Parceria com saúde, escola e família favorece a escuta e prevenção do abuso.
Objective: to analyze the prevalence of sexual violence in dating relationships among high school adolescents and its association with socioeconomic and behavioral characteristics and experiences of violence.
Method: a cross-sectional, analytical study was conducted among 1,238 adolescents aged 14 to 19 years enrolled in public and private schools who were in romantic relationships at the time of the study. Sampling was by clusters and stratification.
Results: of the 1,238 adolescents in romantic relationships, 7.8% (95% CI: 6.4-9.4) reported having experienced sexual violence in dating. The prevalence was 9.3% among girls and 5.1% among boys. There was a higher likelihood of sexual violence in dating relationships among non-heterosexual adolescents, those who had ever had sexual intercourse, those who used drugs, and those who had experienced bullying and cyberbullying (p<0.05).
Conclusion: it is essential that these findings contribute to the strengthening of educational campaigns in schools, addressing not only abusive behaviors but also the importance of consent, mutual respect, and the construction of secure emotional bonds among adolescents.
Descriptors:
Violence; Intimate Partner Violence; Adolescent Health; Epidemiology; Public Health; Nursing.
Highlights:
(1) Prevalence of 7.8% of sexual violence in adolescent dating relationships.
(2) Findings reinforce the urgency of addressing violence in youth relationships.
(3) Sexual victimization affects adolescents in their first romantic relationships.
(4) Sexual violence in dating is associated with drugs, bullying, cyberbullying, ever having sexual intercourse, and non-heterosexuals.
(5) Partnerships with health, school, and family promote listening and abuse prevention.
Objetivo: analizar la prevalencia de violencia sexual en el noviazgo entre adolescentes de la educación secundaria y su asociación con las características socioeconómicas, comportamentales y experiencias de violencias.
Método: estudio transversal y analítico realizado con 1.238 adolescentes entre los 14 y 19 años, matriculados en escuelas públicas y privadas, que mantenían una relación afectiva en el momento de la investigación. El muestreo se realizó por racimos y estratificación.
Resultados: de los 1.238 adolescentes en una relación afectiva, el 7,8% (IC 95%: 6,4-9,4) reportó haber sufrido violencia sexual en el noviazgo. La prevalencia fue del 9,3% entre las niñas y del 5,1% entre los niños. Se observaron mayores probabilidades de violencia sexual en el noviazgo entre adolescentes no heterosexuales, aquellos que tuvieron relaciones sexuales al menos una vez en su vida, quienes consumieron drogas y quienes sufrieron bullying y cyberbullying (“ciberacoso”) (p<0,05).
Conclusión: es esencial que los hallazgos contribuyan al fortalecimiento de las campañas educativas en las escuelas, que aborden no solo los comportamientos abusivos, sino también la importancia del consentimiento, el respeto mutuo y la construcción de vínculos afectivos seguros entre los adolescentes.
Descriptores:
Violencia; Violencia de Pareja; Salud del Adolescente; Epidemiología; Salud Pública; Enfermería.
Destacados:
(1) Prevalencia de 7,8% de violencia sexual en el noviazgo adolescente.
(2) Los hallazgos refuerzan la urgencia de afrontar la violencia en las relaciones juveniles.
(3) La victimización sexual afecta adolescentes que ya están en sus primeras relaciones amorosas.
(4) Violencia sexual en el noviazgo está asociada con las drogas, bullying (“acoso escolar”), cyberbullying, sexo alguna vez en la vida y no heterosexuales.
(5) Colaboración con la salud, la escuela y la familia favorece la escucha y la prevención del abuso.
Introdução
A adolescência marca um período de transição no qual as relações interpessoais, especialmente amizades e namoros, assumem centralidade, enquanto os vínculos familiares se reconfiguram1. Nessa fase, a interação de fatores individuais e sociais pode favorecer a internalização de normas que naturalizam a violência sexual2-3.
A violência no namoro (VN), compreendida como qualquer forma de agressão física, emocional ou sexual por um parceiro íntimo4, frequentemente se manifesta como um mecanismo de controle e dominação. Dentre suas expressões, a violência sexual destaca-se por envolver coerção, assédio ou imposição de atos sexuais não consentidos, configurando-se como uma violação grave dos direitos humanos5. Estudos indicam que essa violência pode ocorrer em relacionamentos não conjugais, independentemente da orientação sexual6.
Dados epidemiológicos ilustram a magnitude do problema: pesquisa com adolescentes brasileiros7 identificou que 38% relataram experiências de violência sexual no namoro, incluindo pressão para atividades íntimas e divulgação não consensual de imagens. Essas vivências correlacionam-se com consequências como depressão, estresse pós-traumático e uso de substâncias8. Ademais, a normalização dessas agressões, muitas vezes enraizada em estereótipos de gênero, dificulta a identificação e a denúncia3.
Diante desse cenário, este estudo visa analisar a prevalência de violência sexual no namoro entre adolescentes do ensino médio e sua associação com as características socioeconômicas, comportamentais e experiências de violências.
Método
Delineamento do estudo
Trata-se de um estudo transversal, analítico, realizado em escolas públicas e privadas, localizadas em municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), no Estado do Espírito Santo.
Local
A Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) é composta pelos municípios de Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Essa região abriga aproximadamente 1.880.828 habitantes, distribuídos em uma área de 2.331 km²9.
Período
A coleta de dados ocorreu entre março e dezembro de 2023.
População
A população-alvo do estudo foram adolescentes do ensino médio, de 14 a 19 anos, regularmente matriculados em escolas públicas ou privadas da RMGV que participaram a partir do aceite dos responsáveis através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e a assinatura dos adolescentes pelo Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), sendo esclarecidos acerca dos objetivos da pesquisa e seus eventuais riscos e benefícios.
Definição da amostra
A amostragem utilizou o percentual de 95% de confiança e erro máximo de 5%. Para cada estrato de município, o erro máximo foi de 10%, sendo a amostra mínima de 4.416 estudantes. Para o presente estudo, foram selecionados apenas os adolescentes que possuíam algum tipo de relacionamento no momento da entrevista, totalizando uma amostra de 1.238 adolescentes.
Antes da etapa de coleta de dados, as escolas sorteadas foram convidadas por e-mail para participarem de um seminário de apresentação da pesquisa e, posteriormente, foi feito contato por e-mail/telefone para o agendamento da coleta de dados. Importante destacar que, anteriormente ao trabalho de campo, foi realizado o recrutamento e treinamento da equipe, e foi realizado o teste-piloto no mês de fevereiro de 2023. A coleta de dados aconteceu de março a dezembro de 2023, por meio de tablets, onde o adolescente autorrespondia ao questionário estruturado no sistema REDCap (Research Electronic Data Capture).
Variáveis do estudo
O desfecho no presente estudo foi a violência sexual no namoro, que foi dicotomizada (sim/não). A variável - violência sexual no namoro - foi considerada afirmativa se o adolescente tivesse vivenciado pelo menos uma das situações: “o(a) parceiro(a) fez carícias sem seu consentimento e vontade, te forçou a ter relação sexual quando você não queria, impediu o uso de método preservativo, induziu ao aborto ou qualquer outra questão que infringiu seus direitos sexuais e reprodutivos”.
Quanto às variáveis independentes, foram analisadas as sociodemográficas: sexo (feminino/masculino); faixa etária (≤15 anos/≥16 anos); cisgênero (sim/não); heterossexual (sim/não); raça/cor (branca(o)/preta(o)/parda(o); A classificação econômica mensurada pelo Critério de Classificação Econômica da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), que classifica em classe A/B/C/D/E; possui trabalho/emprego (não/sim); e religião (nenhuma/católica/evangélica/outras). Foram também analisadas as seguintes variáveis comportamentais: relação sexual alguma vez na vida (não/sim); uso atual de cigarro (não/sim); uso atual de drogas (não/sim) e uso atual de álcool (não/sim), assim como as variáveis relacionadas às experiências de violências: sofreu cyberbullying alguma vez na vida (não/sim); praticou cyberbullying alguma vez na vida (não/sim); sofreu bullying alguma vez na vida (não/sim); praticou bullying alguma vez na vida (não/sim).
Tratamento e análise dos dados
Para as análises estatísticas descritivas, foram calculadas frequências absolutas e relativas. Na análise bivariada, utilizou-se o teste Qui-quadrado de Pearson (χ2) conforme pressupostos, com seus respectivos intervalos de confiança de 95%. Para análise multivariada bruta e ajustada por Razão de Chances através de Regressão Logística para avaliar associações entre variáveis independentes e violência sexual no namoro, inicialmente, foi realizada análise descritiva e bivariada com cálculo do Odds Ratio (OR) bruto. Variáveis com p ≤0,20 foram incluídas no modelo multivariado, ajustado para fatores de confusão, e permaneceram no modelo o valor de p ≤ 0,05 (Figura 1).
Os resultados foram apresentados como Odds Ratio ajustada (ORa) e intervalos de confiança de 95% (IC95%). As análises foram realizadas no software Stata 17.0, garantindo robustez na identificação dos fatores associados.
Considerações éticas
Preservando as questões éticas, o estudo foi enviado ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo e foi executado após aprovação e registro sob o parecer 5.900.370.
Resultados
A Tabela 1 mostra a prevalência de violência sexual no namoro entre os adolescentes do Ensino Médio. Nota-se que dos 1.238 adolescentes participantes da pesquisa, 7,8% (IC95%: 6,4-9,4) afirmaram já ter sofrido violência sexual no namoro. Ao analisar os resultados por sexo, 9,3% (IC95%: 7,4-11,5) das adolescentes do sexo feminino relataram a vivência desse tipo de violência, enquanto entre os adolescentes do sexo masculino a prevalência foi de 5,1% (IC95%: 3,4-7,6).
A Tabela 2 mostra que há uma relação entre a violência sexual no namoro e as variáveis: sexo, heterossexual, religião, relação sexual alguma vez na vida, uso atual de drogas e uso atual de álcool, assim como entre aqueles que já sofreram e praticaram cyberbullying e sofreram bullying (p<0,05).
A Tabela 3 mostra que adolescentes não heterossexuais apresentaram cerca de duas vezes mais chance de violência sexual no namoro (ORa: 2,05; IC95%: 1,32-3,16). No mesmo sentido, aqueles que já tiveram relação sexual alguma vez na vida apresentaram aproximadamente duas vezes mais chances de abusos sexuais (ORa: 1,91; IC95%: 1,15-3,16). Adolescentes que relataram o uso de drogas atualmente tiveram 2,19 vezes mais chance de abuso sexual pelo parceiro(a) (IC95%: 1,31-3,66). Outro resultado encontrado foi em relação àqueles que sofreram bullying (ORa: 2,72; IC95%: 1,63-4,52) e cyberbullying (ORa: 1,97; IC95%: 1,07-3,64), que aumentou significativamente as chances de sofrerem a violência sexual no namoro.
Discussão
A prevalência geral de violência sexual no namoro entre os adolescentes do ensino médio, encontrada neste estudo, foi de 7,8% (IC95%: 6,4-9,4), o que indica que uma parcela considerável de adolescentes vivencia a violência sexual em suas relações afetivas, e representa uma realidade preocupante, considerando os impactos da violência sexual nessa fase do desenvolvimento. Nos Estados Unidos, uma pesquisa conduzida pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) identificou que cerca de 7,5% dos adolescentes (IC95%: 6,4-8,7) sofreram violência sexual no namoro10. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) apontam que aproximadamente 4% dos adolescentes relataram ter sido forçados a manter relações sexuais, sendo o(a) namorado(a) ou ex-namorado(a) o principal agressor11.
Para as meninas, a prevalência de violência sexual no namoro foi de 9,3% (IC95%: 7,4-11,5) e 5,1% (IC95%: 3,4-7,6) para os meninos. Um estudo sobre a violência sexual em escolares no Brasil, com dados da pesquisa nacional de saúde do escolar de 2019, mostrou no sexo feminino uma prevalência de violência sexual no namoro de 8,8% (IC95%:8,4-9,3) e no sexo masculino de 3,7% (IC95%: 3,3-4,0)12. Nos Estados Unidos, o CDC identificou disparidade significativa por gênero na violência sexual no namoro, 11,3% das meninas contra 3,5% dos meninos, indicando que adolescentes do sexo feminino têm risco três vezes maior13. É fato que meninas apresentam maior vulnerabilidade a esse tipo de violência, em razão de fatores como desigualdade de gênero, socialização baseada na submissão feminina e normas culturais que toleram comportamentos abusivos por parte de parceiros afetivos14.
O presente estudo evidenciou que adolescentes não heterossexuais apresentaram cerca de duas vezes mais chance de sofrer violência sexual no namoro (ORa: 2,05; IC95%: 1,32-3,16). Em consonância, os dados do Youth Risk Behavior Survey de 2021, realizado nos Estados Unidos, evidenciam que adolescentes que se identificam como LGB relataram, em maior proporção do que seus pares heterossexuais, experiências de violência sexual no namoro15. Especificamente, 17% dos adolescentes LGBTQ+ afirmaram já ter sido forçados a manter relações sexuais, em comparação com 6% dos adolescentes heterossexuais10. Essas evidências revelam que o pertencimento a minorias sexuais representa um fator de risco adicional para a violência no namoro, especialmente a sexual. Adolescentes LGBTQIA+ estão mais expostos a diversas formas de violência e vulnerabilidade devido à discriminação estrutural, ao estigma social e à rejeição familiar, o que contribui para a invisibilidade e subnotificação desses casos16.
Essas violências, frequentemente naturalizadas ou negligenciadas, ocorrem não apenas no âmbito relacional, mas também nas instituições, como escolas e serviços de saúde, que nem sempre estão preparados para acolher e proteger essas populações17. Além disso, a ausência de reconhecimento da identidade de gênero e a invalidação da orientação sexual por parte das famílias intensificam o sofrimento psíquico, elevando o risco de depressão, ansiedade, uso de substâncias e ideação suicida18.
Além disso, os resultados do presente estudo indicam que adolescentes que já iniciaram a vida sexual apresentam maior chance de sofrer violência sexual no contexto do namoro (ORa: 1,91; IC95%: 1,15-3,16). Esse achado é coerente com a literatura recente, que associa a iniciação sexual precoce ou não planejada a uma série de vulnerabilidades sociais e comportamentais que podem favorecer situações de abuso. Segundo o estudo, adolescentes que iniciaram a vida sexual com 13 anos ou menos apresentaram maior prevalência de comportamentos sexuais de risco, incluindo menor uso de preservativos e maior exposição à violência sexual19.
O uso atual de drogas também esteve associado a um aumento de 2,19 vezes na chance de sofrer abuso sexual por parte do parceiro ou parceira (IC95%: 1,31-3,66). Em uma revisão de literatura, destacam que a violência no namoro entre adolescentes representa uma questão relevante para a saúde pública, sendo influenciada por fatores como o consumo de substâncias psicoativas, que podem contribuir para o aumento de comportamentos agressivos nos relacionamentos dessa faixa etária20. Adicionalmente, um estudo conduzido na Nicarágua com 1.799 adolescentes revelou que a prevalência de violência no namoro esteve associada ao uso de substâncias psicoativas como álcool, cigarros tradicionais, maconha, cigarros eletrônicos, e a comportamentos externos como agressividade, desobediência, condutas antissociais, e outros comportamentos disruptivos. Os resultados indicam que adolescentes que consomem substâncias psicoativas apresentam maiores chances de se envolver em relacionamentos abusivos20.
Observou-se que a vivência de bullying está associada à maior vulnerabilidade dos adolescentes às experiências de violências e relações interpessoais marcadas por coerção e abuso, indicando a possibilidade de transferência da vitimização entre diferentes contextos sociais. Evidências de base populacional mostram que adolescentes expostos ao bullying apresentam maior propensão a comportamentos de risco e a relações interpessoais não saudáveis, ampliando a suscetibilidade a experiências abusivas ao longo do desenvolvimento21-22. De forma análoga, um estudo identificou a relação entre o bullying e a violência entre casais adolescentes, destacando que aqueles que passaram por situações de agressão ou humilhação no ambiente escolar apresentam maior tendência a tolerar comportamentos abusivos em seus relacionamentos19.
A presente investigação apresenta como limitações a natureza transversal da pesquisa, ao capturar um único momento temporal, impedindo análises causais robustas, ficando também suscetível a vieses de recordação nos instrumentos de coleta. Entretanto, a pesquisa oferece contribuições substanciais ao mapear pioneiramente os padrões de violência no namoro entre jovens de uma importante metrópole brasileira, fornecendo dados representativos para esta população específica.
Conclusão
A prevalência de 7,8% de violência sexual no namoro identificada entre os adolescentes participantes deste estudo evidencia a relevância e a urgência do enfrentamento desse tipo específico de violência nas relações afetivas juvenis. Esse dado reforça que a vitimização sexual está presente já nas primeiras experiências amorosas.
O presente estudo demonstrou que a violência sexual no namoro entre adolescentes está significativamente associada a fatores como o uso atual de substâncias psicoativas, a adolescentes não heterossexuais, aos que tiveram relação sexual alguma vez na vida, e os que sofreram bullying e cyberbullying. Esses achados indicam que a vitimização sexual no contexto das relações afetivas entre adolescentes ocorre de forma concomitante a outras experiências de exposição à violência e a comportamentos de risco, ressaltando a importância de estratégias de prevenção que considerem a complexidade dessas associações e a coexistência de diferentes formas de vulnerabilidade no período da adolescência.
Tais evidências são particularmente relevantes para profissionais da saúde, educação e assistência social, bem como para formuladores de políticas públicas, ao apontarem grupos e contextos que demandam maior atenção em ações de prevenção e proteção voltadas às relações afetivas juvenis. O reconhecimento desses fatores associados pode contribuir para o direcionamento de estratégias intersetoriais que promovam relações mais seguras, igualitárias e respeitosas entre adolescentes.
Portanto, os resultados deste estudo reiteram a importância do desenvolvimento e da implementação de políticas e programas de prevenção da violência sexual no namoro, com ênfase na redução de fatores associados identificados e na promoção de relações afetivas saudáveis entre adolescentes.
Declaração de Disponibilidade de Dados:
Todos os dados gerados ou analisados durante este estudo estão incluídos neste artigo publicado.
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*ABEP = Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa